Ford Fiesta RoCam briga entre hatches de quatro portas

Da Auto Press

Desde que resolveu trazer do México a sexta geração do Fiesta para o Brasil, a Ford teve de repensar em uma estratégia para que o Fiesta produzido na Bahia não fosse colocado de lado. Uma das providências para entusiasmar os compradores e continuar a fazer volume foi a atualização do visual, para dar ao compacto um ar um pouco mais moderno. Por R$ 30.340, o Fiesta RoCam hatch 1.0 é o representante mais forte da marca norte-americana nesse segmento de compactos de quatro portas, e responde por mais de 60% do share de vendas do velho compacto. E além disso, é a versão mais viável comercialmente para a Ford -- em comparação com a configuração com motor 1.6 litro, que pode chegar a R$ 43 mil, se equipado totalmente, e vai se aproximar do preço da versão hatch do Fiesta mexicano, que, quando chegar, deverá custar por volta de R$ 45 mil.

O RoCam 1.0 briga com Volkswagen Gol, Fiat Palio e Renault Sandero, todos como motorização 1.0 litro. Abaixo do modelo da Ford estão ainda Fiat Uno, Chevrolet Celta e Renault Clio. Em um nicho acima encontram-se modelos com motorizações um pouco mais fortes, como o Chevrolet Corsa 1.4 e do Peugeot 207 1.4.

FICHA TÉCNICA
Ford Fiesta RoCam hatch 1.0 8V Flex

Motor: A gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 999 cm³, quatro cilindros em linha, duas válvulas por cilindro, acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.
Transmissão: Câmbio manual de cinco marchas à frente e uma à ré. Tração dianteira.
Potência máxima: 69 cv com gasolina e 73 cv com etanol a 6.000 rpm.
Torque máximo: 8,9 kgfm a 4.750 rpm com gasolina e 9,3 kgfm a 5.000 rpm com etanol.
Diâmetro e curso: 68,7 mm X 67,4 mm. Taxa de compressão: 12,8:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais, braços inferiores e amortecedores hidráulicos. Traseira com eixo auto-estabilizante tipo "twist-beam", molas helicoidais e amortecedores hidráulicos.
Freios: Discos sólidos na frente e tambores atrás. Oferece ABS como opcional.
Carroceria: Hatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 3,93 metros de comprimento, 1,90 m de largura, 1,48 m de altura e 2,48 m de distância entre-eixos.
Peso: 1.084 kg.
Porta-malas: 270 litros.
Tanque: 54 litros.

O segmento onde o hatch está presente, aliás, é o mais movimentado da indústria brasileira. Só o líder de vendas, o Gol, tem média de 22.885 unidades mensais -- sendo que 20% representam emplacamentos do G4, antiga geração do exemplar da Volks. Já Fiesta, Palio e Sandero acumulam média mensal de janeiro a agosto de 7.136, 11.917 e 5.103 unidades, respectivamente. No oitavo mês do ano, o modelo da Ford emplacou 9.726 veículos.

E nesse disputado mercado, o atrativo está no melhor preço. Dessa forma, não é de se esperar que os veículos venham superequipados. A realidade é bem diferente. O Fiesta RoCam 1.0 é um exemplo: chega apenas com itens básicos como travas elétricas, alarme perimétrico, abertura elétrica da tampa do porta-malas, luz de cortesia com temporizador, faróis escurecidos e travamento automático das portas a 15 km/h. Com o acréscimo de direção hidráulica, ar-condicionado, vidros elétricos dianteiros, aquecedor e limpador dos vidros traseiros -- que custam R$ 5.350 --, o preço final sai por R$ 35.690.

O motor que está debaixo do capô é o velho conhecido RoCam 1.0 litro 8V, capaz de gerar 69 cv com gasolina e 73 cv com etanol a 6.000 rpm. Já o torque máximo de 8,9/9,3 kgfm, com gasolina e etanol, é alcançado sempre aos 4.750/5.000 rpm, respectivamente. Além do apelo de vendas pelo preço, a Ford aposta no desenho renovado do Fiesta para fazer frente à concorrência. A dianteira foi inspirada no indiano Figo e chega com linhas mais arredondadas, uma saída de ar trapezoidal e faróis mais angulosos. E o contraste com a traseira mais "quadradinha" é evidente. A Ford, no entanto, argumenta que através de pesquisas com clientes, identificou que a parte posterior dispensava atualizações. (por Karina Craveiro)

IMPRESSÕES AO DIRIGIR
Ford Fiesta RoCam 1.0

A Ford não esconde suas intenções com o Ford Fiesta RoCam hatch. O modelo, que foi visto como uma espécie de salvação da marca no mercado brasileiro, quando estreou a nova geração, em 2002, ficará posicionado entre o hatch de duas portas Ka e o New Fiesta hatch, que surgirá como compacto premium da marca no Brasil no início de 2011. E tenta continuar conquistando um público que procura um hatch de quatro portas através da razão -- jogando no preço --, mas não deixando de lado o visual, que é um dos atrativos dos seus concorrentes Gol e Sandero.

Assim como o motor 1.0 litro 8V, a parte interna permanece praticamente a mesma. As novidades se resumem aos novos revestimentos disponíveis para bancos e portas. O painel de instrumentos também herdou os grafismos atuais do utilitário EcoSport, com iluminação “always on” que, apesar de auxiliar a leitura dos gráficos, pode confundir o motorista, especialmente à noite -- por conta do painel iluminado, a impressão que se tem é que os faróis já estão ligados. Em termos de acabamento, a cor do console muda de acordo com a versão: preto na Fly e prata na Pulse. A utilização de material plástico rígido permanece igual, assim como algumas rebarbas que insistem em "aparecer" no habitáculo. No modelo "pelado", não existe computador de bordo. Só que a versão testada vinha com um mínimo de conforto -- ar, direção hidráulica, vidros elétricos dianteiros.

A posição elevada do assento garante boa dirigibilidade. O câmbio manual de cinco velocidades é bem acertado e tem engates precisos, apesar de ter marchas bem longas. A velocidade máxima alcançada foi de 160 km/h, mas não é nada aconselhável, já que logo aos 120 km/h, o hatch da Ford começa a flutuar e a pedir correções. As frenagens são realizadas com segurança -- a única ressalva fica para situações de emergência, quando o hatch afunda a dianteira em demasia. Fica claro também que o propulsor 1.0 litro não é suficiente para os 1.084 kg do veículo. É preciso paciência para realizar ultrapassagens, por exemplo. As saídas são sempre lentas demais e em ladeiras, a sensação que se tem é estar sempre abusando da unidade de força. Mas o Fiesta não se dispõe a ser um carro potente, com atributos interessantíssimos. Espera apenas que a combinação de design, boa dirigibilidade e preço competitivo seja suficiente para conquistar quem precisa de um modelo em conta. (por Karina Craveiro)

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