Dodge Journey é mistura de SUV com minivan

Da Auto Press

A Dodge Journey captou bem a essência do termo “crossover”. O modelo da marca norte-americana tem um espaço interno bastante interessante, habitabilidade exemplar e oferece opção de sete lugares. Ou seja, atributos inerentes às minivans. Mas, no lugar do aspecto familiar e previsível dos monovolumes, o veículo ostenta toda imponência e robustez típica dos utilitários esportivos. Visual, aliás, que a Dodge sabe muito bem utilizar em sua linha fora de estrada.

Desta forma, o crossover importado do México tem tudo para agradar a um vasto leque de público. E tenta se diferenciar no segmento. Afinal, se comparado às versões iniciais de Honda CR-V, Chevrolet Captiva e Hyundai ix35, a Journey leva a melhor por oferecer dois lugares extras. Além disso, equilibra bem o custo/benefício. O preço do modelo da Dodge começa em R$ 87.400 na versão SE, chega a R$ 100.125 na intermediária STX e alcança R$ 107.700 na top R/T, a do modelo testado. Desde a primeira configuração, oferece airbags frontais, laterais dianteiros e do tipo cortina, controles de estabilidade, de tração, anticapotamento e de oscilação de reboque, freios com ABS e EBD, encostos de cabeça ativos, sistema de monitoramento da pressão dos pneus, entre outros.

FICHA TÉCNICA
Dodge Journey R/T 2.7 V6

Motor: A gasolina, dianteiro, transversal, 2.736 cm³, seis cilindros em V, duplo comando de válvulas no cabeçote. Injeção direta de combustível e acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio automático com controle eletrônico de seis marchas à frente e uma a ré com opção de troca manual sequencial. Tração dianteira. Controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 185 cv a 5.500 rpm.
Torque máximo: 26,1 kgfm a 4.000 rpm.
Diâmetro e curso: 86 mm X 78,5 mm. Taxa de compressão: 9,9:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais com subchassis e barra estabilizadora. Traseira independente do tipo multilink, com molas helicoidais com sub-chassis e barra estabilizadora. Controles eletrônicos de estabilidade, anticapotamento e de oscilação de reboque. Sistema de monitoramento da pressão dos pneus.
Freios: Discos ventilados nas rodas dianteiras e sólidos nas traseiras. ABS, EBD e assistente de frenagem de emergência.
Carroceria: Crossover em monobloco com quatro portas e sete lugares nas versões SXT e R/T, e cinco lugares na versão SE. Com 4,89 m com 1,89 m de largura, 1,74 m de altura e 2,89 m de distância entre-eixos.
Peso: 1.940 kg.
Porta-malas: 758 litros, com bagagem até o teto e sem a terceira fileira de bancos. 167 litros com a terceira fileira de bancos.
Tanque: 76 litros.

Na parte de conforto, estão presentes ar-condicionado, direção hidráulica, trio, rádio/CD/MP3 com disqueteira, ajustes de profundidade e de altura do volante, entre outros itens previsíveis de um modelo com estes preços. A versão R/T, lançada este ano no Brasil, reúne o que a antiga top STX oferecia, como ar automático com saídas independentes na segunda fileira, sistema de som MyGIG com tela touchscreen e HD interno, faróis de neblina, computador de bordo, banco do motorista com regulagens elétricas. E passou a contar ainda com sensor de obstáculos, câmara de ré, rodas aro 19, sistema de som com seis altofalantes, subwoofer e Bluetooth com comando de voz, teto solar e detalhes externos cromados.

As rivais conceituais, ou seja, os crossovers vendidos por aqui, acabam por ter versões iniciais mais baratas. O CR-V 2.0 LX parte dos R$ 88.410, a Captiva Ecotec 2.4 tem preço de R$ 87.425 e o ix35 GLS 2.0 mecânico começa em R$ 78 mil. Ganham em preço, mas perdem na potência para o Dodge, que tem motor 2.7 V6 de 185 cv e 26 kgfm -- o modelo da Honda tem 150 cv, o da GM, 171 cv, e o da Hyundai, 168 cv. A Journey também é superior em termos de motorização e perde no preço quando comparada com as minivans de sete lugares mais modernas, Citroën Grand C4 Picasso e Kia Carens EX, que completas custam R$ 89.900 e R$ 79.700 e oferecem potências de 143 cv e 149 cv.

Na parte de cima dos SUVs, porém, o jogo fica mais concorrido para a Journey. Os modelos top de ix35 e Captiva chegam a R$ 100 mil e o do CR-V custa R$ 102.910. É verdade que o exemplar da GM nessa versão usa propulsor V6 de 261 cv e é o único a oferecer tração 4X4. Mas o Dodge tenta compensar pela racionalidade de seu uso mais familiar, com detalhes como a câmara traseira de ré, as saídas do ar independentes para a segunda fila e a terceira fileira de bancos, coisas que só SUVs maiores e mais caros -- como Kia Mohave, Toyota Hilux SW4 e Hyundai Vera Cruz -- oferecem. Argumentos emprestados das minivans para tentar seduzir mais consumidores. Mesmo assim, a Journey registrou médias mensais de 175 unidades e um total de 1.400 unidades no ano passado. Simplesmente 85% de tudo que a marca Dodge vende atualmente no Brasil. O restante fica por conta da Ram, a pick-up grandalhona que também vem do México. (por Fernando Miragaya)

IMPRESSÕES AO DIRIGIR
Dodge Journey R/T

As linhas imponentes da Journey podem sugerir um desempenho vigoroso do crossover da Dodge. Mas os 185 cv do motor V6 dão uma performance apenas satisfatória para o modelo. Na verdade, bastam apenas para empurrar com o mínimo de destreza as quase duas toneladas do veículo. As arrancadas se limitam a ser competentes, com um zero a 100 km/h em comportados 11 segundos.

As retomadas parecem mais eficientes. O 60 km/h a 100 km/h em drive, por exemplo, consumiu 6,4 segundos, já que o propulsor já tem boa parte do toque antes dos 3 mil giros. Mesmo assim, em subidas e retomadas muito abruptas, o câmbio tende a ficar indeciso sobre qual marcha engatar. Depois dos 100 km/h, o veículo chega com tranquilidade na faixa dos 130 km/h, enquanto a Dodge fala em máxima de 182 km/h.

A vida a bordo do crossover é das melhores. Contribuem para isso o amplo espaço para pernas e cabeças de todos os ocupantes, os bancos confortáveis e largos, a ergonomia eficiente, o ar-condicionado bem projetado e com saídas e comandos no teto na segunda fila, e o isolamento acústico que beira a perfeição. A suspensão, macia demais, acaba pulando muito nas irregularidades do piso. E também deixa o modelo um pouco anestesiado nas curvas e nas retas em alta velocidades, quando a comunicação entre rodas e volante se mostra imprecisa e passa a exigir correções por parte do condutor.

A Journey, contudo, embarca uma tecnologia interessante, com controles de estabilidade, de tração e anticapotamento, dispositivos que seguram o pesado e grandalhão da marca norte-americana nas curvas mais exigentes. O consumo elevado é até normal para um V6 automático de quase 2 mil kg: 6,8 km/l, com uso 2/3 urbano e o restante na estrada. (por Fernando Miragaya)

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