Aircross é aposta da Citroën para fazer volume e se consolidar no país

Da Auto Press

A Citroën percebeu que para fazer mais sucesso comercial no Brasil é preciso, antes de tudo, se adequar aos gostos peculiares do consumidor brasileiro. Ou seja, não basta apenas trazer bons produtos pensados originalmente para a Europa. Desta forma surgiu o Aircross. O modelo -- fabricado no Brasil, na planta da PSA no Rio de Janeiro -- é uma versão do monovolume C3 Picasso que tenta atender justamente ao gosto nativo por veículos com imagem off-road. O pretenso utilitário esportivo compacto se vale de um modelo europeu, mas coloca uma roupagem aventureira no carro antes mesmo de as versões normais chegarem -- o C3 Picasso só deve ser lançado no primeiro trimestre de 2011. E é com ele que a montadora pretende elevar seus 2,5% atuais de participação para algo em torno de 3,5%, com a meta de 2 mil unidades do Aircross vendidas por mês.

A marca francesa aproveitou para misturar a robustez transmitida pela estética “aventureira” do seu novo carro à imagem de requinte que conseguiu construir no mercado brasileiro. Essa “dupla face” o crossover já transmite no estilo. O Aircross segue a lógica dos off-road lights e ostenta um visual jipeiro sem cometer abusos, em um estilo bem harmonioso e elegante. O jeitão parrudo é reforçado pelas dimensões, já que o modelo tem oito centímetros a mais no entre-eixos em relação ao C3 hatch, além de um eixo 3,6 centímetros mais alto na frente e 4,1 centímetros elevado atrás na comparação com o C3 Picasso “original”. Com isso, o Aircross é distribuído em 4,28 metros de comprimento, 1,69 m de largura, 1,75 m de altura e 2,54 m de entre-eixos. Na frente curta, o capô é elevado e tem duas protuberâncias. Os faróis parecem se projetar para fora e têm contornos irregulares e geométricos. Entre eles, a entrada de ar central com o novo double chevron da Citroën insinuado. 

FICHA TÉCNICA
Citroën Aircross Exclusive 1.6 16V

Motor: Flex, dianteiro, transversal, 1.587 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro com comando duplo no cabeçote. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.
Transmissão: Câmbio manual de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira.
Potência máxima: 110 cv com gasolina e 113 cv com etanol a 5.800 rpm.
Torque máximo: 14,5 kgfm com gasolina a 4.000 rpm e 15,8 kgfm com etanol a 4.500 rpm.
Diâmetro e curso: 78,5 mm x 82 mm. Taxa de compressão: 11:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira por travessa deformável, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora.
Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás. Oferece ABS e EBD na versão avaliada.
Pneus: 205/60 R16 ATR.
Carroceria: Monovolume em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. 4,28 metros de comprimento, 1,69 m de largura, 1,75 m de altura e 2,54 m de entre-eixos.
Peso: 1.404 kg.
Porta-malas: 403 litros.
Tanque: 55 litros.

Além da logomarca que remete às divisas de cabo do exército, o compacto reforça o ar austero com seus para-choques integrados aos paralamas. Um acabamento preto proeminente “guarda” a entrada de ar inferior e separa os faróis de neblina alojados em caixas na cor cinza. Ainda na frente, o Aircross chama a atenção pelo para-brisa panorâmico com janelas espias na coluna da frente, estilo já empregado na linha C4 Picasso. As barras longitudinais nascem na base destas colunas dianteiras e se estendem até o fim do teto.

De perfil, o crossover tem discretas molduras escuras das caixas de roda e um pequeno estribo lateral prateado. Itens tímidos que contrastam com as garrafais letras do nome “Aircross” estampada na lataria. A traseira é mais chapada e bojudinha. As lanternas verticais paralelas ao vidros têm contornos arredondados, enquanto o aerofólio tem uma pequena curvatura. A vontade off-road é expressa mais uma vez no estepe pendurado na porta traseira, que “empurrou” a placa para o lado direito da tampa do porta-malas.

Na parte de posicionamento, o Aircross deixa claro que quer se diferenciar e esbanjar certa sofisticação no segmento de pretensos fora-de-estrada. A versão de entrada, a GL, custa R$ 53.900; a GLX, aposta da Citroën para liderar as vendas do modelo, sai por R$ 56.400; e a top Exclusive parte de R$ 61.900. Todas as três versões contam com o motor 1.6 16V de 110/113 cv.

É uma forma de ficar competitivo frente aos rivais. Afinal, o Ford EcoSport XLS 1.6 parte dos R$ 58.290 com um recheio parecido, enquanto Volkswagen CrossFox e Fiat Palio Adventure Locker começam em R$ 55.020 e R$ 58.800 quando equipados com o mínimo que o Aircross tem.

Mas a versão GL, a inicial do modelo da Citroën, sai apenas com o óbvio: ar, direção elétrica, trio apenas com os vidros dianteiros elétricos, travamento automático das portas, computador de bordo, porta-luvas refrigerado, chave tipo, entre outros. A intermediária GLX recebe a mais faróis de neblina, vidros traseiros elétricos, ajuste de altura do banco do motorista, rádio/CD/MP3, bússola e inclinômetro digitais e rodas de liga leve diamantadas. A top Exclusive é, disparada, a mais interessante. É a única que conta com airbag duplo e ABS. Além disso, é equipada com alarme, controle de cruzeiro, ar automático, ajuste de altura dos encostos de cabeça traseiros, mesinhas tipo avião, rádio com Bluetooth e entrada USB, couro, maçanetas internas, pedaleiras e retrovisores cromados. A lista de opcionais, além dos airbags laterais e sensores de estacionamento, luminosidade e de chuva, conta com o navegador GPS, que é embutido na parte central superior do painel no lugar dos inclinômetros e da bússola.

IMPRESSÕES AO DIRIGIR
Citroën Aircross Exclusive 1.6 16V

O Aircross é uma grata surpresa para um segmento marcado por designs previsíveis e acabamentos a desejar. Por dentro, o modelo da Citroën causa ótima impressão. Nada de plásticos em excesso, revestimentos desleixados e rebarbas por tudo quanto é canto. Apesar de ser um compacto, o acabamento interno do crossover mostra que a marca francesa teve capricho. Os materiais utilizados têm texturas bastante agradáveis. O painel frontal e o das portas é emborrachado e o forro do teto também aparenta qualidade.

Isso sem falar nos detalhes que tentam agregar sofisticação. O quadro de instrumentos ostenta três mostradores cônicos, em um estilo visto no DS3 e no DS4 High Rider Concept. Há acabamento preto liso acima do porta-luvas e no console central. Já as saídas de ar -- com três simpáticas saídas circulares ao centro, em vez de duas usuais -- têm revestimento em aço escovado. O material também é encontrado na manopla do câmbio, nas soleiras das portas com a inscrição “Citroën” e no volante. A direção, aliás, é um destaque à parte, com a boa pegada, o couro com as costuras aparentes e o design com a base retilínea.

Só que o Aircross também tem seus defeitos. A ergonomia peca na posição dos ajustes do encosto do banco do motorista e do freio de mão, que fica muito baixo e obriga o motorista a esticar o braço para acioná-lo. Os porta-objetos são pouco práticos e quase não há porta-copos no interior. Os engates do câmbio são pouco precisos e a visibilidade traseira é prejudicada pelo vidro diminuto. Mas a posição de dirigir é boa e elevada e o motorista tem ótimo campo de visão na frente. O condutor ainda conta com um banco que parece abraçá-lo e um espaço interessante. Todos os ocupantes desfrutam de bom vão para pernas e ótimo espaço para as cabeças.

No desempenho, o Aircross também se mostrou uma grata surpresa. A marca optou por reduzir em 15% as relações do câmbio manual. O resultado é uma transmissão que otimiza bem o trabalho do motor 1.6 16V de 113 cv -- com 100% de etanol. As acelerações são até ágeis para um carro com 1,4 tonelada. As retomadas de velocidade pecam, pelo torque máximo disponível tardiamente, o que requer redução de marchas mais frequentes nas ultrapassagens e nos trechos de serra. Nas curvas, aliás, o “utilitário esportivo compacto” da Citroën se mostra equilibrado, sem menção de rolar a carroceria em velocidades normais. Na reta, o mesmo comportamento dinâmico se mantém elogiável, sem sensações de flutuações até os 120 km/h. O susto só vem mesmo na média de consumo denunciada pelo computador de bordo: 4,9 km/l.
(por Fernando Miragaya)

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