Lula define benefício, mas adia projeto nacional do carro elétrico

Da Redação

O anúncio foi feito na segunda-feira (26), mas o complemento prático só saiu nesta terça-feira (27) com o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que assinou uma medida provisória (MP) isentando do pagamento de tributos os projetos de inovação tecnológica que contam com recursos públicos. A medida, que faz o governo abrir mão de quase R$ 254 milhões em impostos ainda este ano, não é específica para o setor automotivo, mas espera-se que ela ajude a destravar o desenvolvimento de veículos elétricos no país. A definição de medidas específicas para o nicho, no entanto, foram novamente adiadas.

POLÍTICA EXTERNA

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    O sedã Chevrolet Volt (acima) teve seu preço definido em US$ 41 mil dólares e deve ganhar as ruas até o final deste ano, nos Estados Unidos. Com este preço, será o mais caro dos atuais modelos com propulsão alternativa à venda por lá, mas contará com bônus do governo.

    O elétrico Nissan Leaf e o híbrido Toyota Prius (abaixo) , de origem japonesa, são os grandes rivais do Volt. Enquanto o Prius é o mais bem-sucedido projeto de carro com propulsão alternativa em todo o mundo e tem o preço mais baixo dos três (cerca de US$ 22 mil), o Leaf ainda vai começar sua carreira e tem no preço a principal barreira: custa US$ 32 mil sem incentivo, podendo chegar a US$ 25.280 com bônus do governo.

    É o mesmo problema do Volt, que será o mais caro dos três. Há ainda o fato do modelo ter sido anunciado diversas vezes (é "arroz de festa", estando presente a todos os principais salões mundiais desde 2007), e ter gerado uma versão para a Europa (o Opel Ampera), sem nunca chegar às ruas definitivamente.

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De acordo com o ministro de Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, parte da MP de incentivo à inovação tecnológica prevê a eliminação gradual do imposto de importação de peças automotivas ligadas ao desenvolvimento e fabricação de novos projetos, atualmente em 40%. Em agosto, a alíquota cai para 30%, chegando a zero até maio de 2011. A medida terá vigor a partir desta quarta-feira, com a publicação da MP no Diário Oficial e pode dar ajudar, por exemplo, a reduzir os custos de fabricação de baterias e componentes de veículos elétricos.

Na segunda-feira, durante a reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Rezende já havia anunciado a abertura de editais no valor de R$ 500 milhões para financiar pesquisas dentro de empresas, com parte do montante podendo ser destinado a projetos de carros elétricos ou a qualquer outro que represente uma inovação, termo bastante amplo.

De fato, por ora, o governo tem se esforçado mais em fomentar o desenvolvimento e a propagação do carro flex nacional, com motores movidos a etanol e outros biocombustíveis. Assim, o ministro afirmou, novamente, que medidas específicas para o desenvolvimento e fabricação do carro elétrico no país deverão ser discutidas em outro momento. Em maio, o anúncio de uma política para o segmento elétrico já havia sido divulgada, e adiada. 

GM LIGA O VOLT NOS EUA
Em diversos países, o foco de governos e indústrias está no desenvolvimento de carros elétricos e híbridos (que aliam motores a combustão e elétricos). Nesta terça-feira, a General Motors anunciou o preço do sedã Chevrolet Volt, que deve chegar às lojas do mercado norte-americano entre outubro e novembro custando US$ 41 mil (o equivalente a R$ 72 mil). O governo Obama já tem políticas de incentivo direto ao consumidor definidas e, assim, o comprador do Volt pode ter direito a US$ 7.500 (R$ 13.200), a ser usado no pagamento de impostos na compra do modelo.

Por lá, o Volt será rival do híbrido Toyota Prius, mais bem-sucedido projeto de carro com propulsão alternativa em todo o mundo, que custa cerca de de US$ 22 mil, e com o elétrico Nissan Leaf, que começa a ser vendido também este ano, ao preço de US$ 32 mil sem incentivo, podendo chegar a US$ 25.280 com bônus do governo.

O Leaf, aliás, foi o centro de conversas entre a Prefeitura de São Paulo e o grupo Renault-Nissan em abril. A ideia seria testar o modelo na capital paulista, com o uso do hatch elétrico pela Companhia de Engenharia de Trânsito (CET), empresa municipal responsável pela gestão do trânsito em São Paulo. Só não foi anunciado se haveria uma conta a ser paga pelo uso dos carros e quem a pagaria.

Outro projeto que segue indefinido é o da fabricação do compacto Mitsubishi i-MiEV no país. O modelo japonês já roda em ruas brasileiras em regime de testes, mas ainda tem sua fabricação inviabilizada, segundo a empresa, pela ausência de parâmetros e pelo elevado custo de desenvolvimento. No país de origem, o pequenino custa o equivalente a R$ 80 mil, o dobro do Prius produzido e vendido por lá, mas conta com incentivo do governo para ter o preço ao comprador reduzido; no Brasil, sem qualquer afago governamental, não sairia por menos de impraticáveis R$ 130mil, cenário que persiste com a indefinição de uma política para carros elétricos no Brasil.  

Com informações da Agência Brasil e Automotive News

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