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Estrada de terra nem sempre é trilha: respeite às normas e evite acidentes

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Trilha fechada é o habitat de motos off-road, mas é preciso ter cuidado com animais e pessoas e respeitar regras Imagem: Divulgação

Cicero Lima

Colaboração para o UOL

13/01/2017 10h00Atualizada em 13/01/2017 16h24

Fazer trilha de moto faz bem, mas muitos abusam e se arriscam

O motociclismo off-road cresce a cada ano no Brasil -- prova disso é a quantidade de motos pensadas para o uso fora-de-estrada vendidas em 2016.

A Honda CRF 230, por exemplo, acumulou 11.768 unidades vendidas ano passado. "Nos arredores de Belo Horizonte (MG) existem cerca de 7.000 treieiros”, avisa Gustavo Jacob, presidente da Federação de Motociclismo de Minas Gerais (FMEMG).

Estima-se que no país existam mais de 50 mil entusiastas desse esporte, que é bastante democrático. Para ser um trilheiro, basta ter o equipamento básico: botas, luvas, capacete, protetores e uma moto adaptada, que pode ser comprada por menos de R$ 3.000.

Mas o perigo está aí. Pela lei, o deslocamento da moto deve ser por carreta, já que elas -- em sua maioria -- não têm farol, lanterna e setas. Até mesmo o pneu (com cravos) é destinado ao uso em pista de terra. A única exceção existe nas provas oficiais, quando os organizadores têm autorização para que as motos circulem nas cidades e estradas.

Na prática

O que acontece na prática é que muita gente acaba usando essas motos em vias públicas. Pilotos cruzam cidades e rodovias e, infelizmente, se expõem a riscos de acidentes. De acordo com informações do Departamento de Infraestrutura (Denit), cerca de 80% das estradas brasileiras não são asfaltadas e por elas circulam carros, caminhões e outros veículos.

Em meio a realidade da terra batida, alguns praticantes de off-road usam a estrada como se fosse uma extensão da trilha -- e, muitas vezes, acabam não respeitam o limite de velocidade e a mão de direção, acabando até fazendo ultrapassagens em curvas. Veja um exemplo:

Além do risco de acidentes, outro incômodo causado pelas motos é o barulho do escapamento, já que boa parte dos trilheiros opta pelos mais esportivos -- que tornam a moto mais leve, potente e... barulhenta. O ronco é muito alto e incomoda moradores e animais silvestres. Além disso, há um problema de degradação do solo causado pelos pneus que criam sulcos, que com a chuva se transformam em erosões.

É só seguir as normas

Para tentar amenizar os efeitos e diminuir a ilegalidade, entidades como o Trail Clube de Minas Gerais (TCMG) divulgam um manual de conduta, com normas e sugestões de comportamento para serem adotadas dentro e fora das trilhas.

Como quase tudo, existe um lado (bem) positivo: muitos trilheiros já auxiliaram flagelados de desastres ambientais -- como o que ocorreu em Mariana (MG), no final de 2015. Na ocasião, as motos de trilha foram as primeiras a chegar e levaram ajuda para os lugarejos afastados devastados pelo mar de lama.

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Em provas oficiais (e somente nelas!) as motos preparadas podem circular em vias públicas Imagem: Divulgação

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