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Vespa volta ao Brasil ambiciosa: quer ser "premium" e vender muito

Helena Yoshioka/Divulgação
O ator Caio Castro, que ganhou esta unidade, será embaixador da Vespa no Brasil Imagem: Helena Yoshioka/Divulgação

Arthur Caldeira

Da Infomoto, em São Paulo (SP)

07/10/2016 08h00

A Vespa, famosa fábrica de scooters, retorna ao Brasil de forma oficial com a entrada do grupo italiano Piaggio no mercado nacional de duas rodas. Detentor das marcas Aprilia, Moto Guzzi e Piaggio, o grupo escolheu quatro modelos para a (re)estreia no Brasil: Primavera 125 e 150; Sprint 150, GTS 300 e a exclusiva 946 Emporio Armani.

UOL Carros e Infomoto mostraram o retorno ao vivo, durante a terça-feira (4), e você pode rever a transmissão aqui.

Representado pela Asset Beclly Investments Management, grupo de investimento que estruturou a operação brasileira, o Grupo Piaggio terá como presidente no Brasil o executivo Longino Morawski, que teve passagem pela Toyota e liderou a estruturação da Harley-Davidson do Brasil, entre 2010 e 2015.

Com projeto de longo prazo, o grupo anunciou que o objetivo é instalar um parque industrial no Brasil a partir de 2018, quando os produtos de outras marcas Piaggio também seriam montados por aqui.

Infelizmente, o Grupo Piaggio não divulgou o preço da Vespa Primavera e de nenhum dos outros modelos. Mas é possível fazer uma projeção com base no preço na Itália, onde a versão de 150 cc com ABS custa 4.470 euros, pouco mais de R$ 16.000 na conversão direta.

Com essa base, deverá chegar ao Brasil por um valor bem superior, graças aos custos de importação e ao rótulo "premium". Infomoto acredita em valores próximos aos R$ 20.000 para a Vespa de entrada.

Para comparar, o Honda PCX 150 é fabricado no Brasil e vendido como modelo de referência da categoria: custa R$ 10.300 por aqui. Na Itáia, é vendido a 2.825 euros na Itália (cerca de R$ 10.170).

UOL Carros e Infomoto mostraram retorno ao vivo

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Ih, virou "diferenciada"

Os quatro modelos Vespa serão inicialmente importados e comercializados a partir de 22 de outubro em lojas-conceito da marca. Chamadas de "butiques", as duas primeiras lojas surgem em shopping-centers da Rede Iguatemi: uma delas no JK Iguatemi, na cidade de São Paulo, e outra no Iguatemi Campinas, interior paulista.

Para compor a imagem de "diferenciada", a marca aposta até em nomes badalados servindo de "embaixadores" para a Vespa. Um deles é o ator Caio Castro, que está em período sabático da dramaturgia, mas compareceu ao evento e foi premiado com uma unidade enfeitada com placa comemorativa. 

"Não iremos construir simples concessionárias. Nosso projeto exclusivo irá conceber butiques para a comercialização dos produtos. Como lidamos com scooters premium, acreditamos que elas merecem um ambiente sofisticado, elegante e ao mesmo tempo tecnológico, exatamente como é a Vespa", afirmou Santo Magliacane, CEO da Asset Beclly.

A Vespa também terá butiques de rua. "A Vespa é uma grife e teremos lojas nos shoppings e também nas ruas", esclareceu Morawski, do Grupo Piaggio. A primeira loja de rua será inaugurada em novembro na região da avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, importante centro empresarial da capital paulista.

Mesmo com expectativa de preços elevados frente aos rivais e ainda sem rede estruturada, a Vespa acredita na atração de público descolado e de alto poder aquisitivo para atingir bons números ainda já neste final de 2016: 2.000 unidades. Para 2017, Longino Morawski acredita que a marca possa comercializar 12.000 scooters, o que corresponderia a cerca de 25% do segmento atualmente.

"Acreditamos que a Vespa tenha potencial para criar mercado", disse o CEO do Grupo Piaggio no Brasil.

Divulgação
Butiques Vespa venderão scooters e também roupas e objetos ligados à marca Imagem: Divulgação

Volta ambiciosa

Como faltem apenas três meses para o final deste ano, o objetivo do Grupo Piaggio é ambicioso: para vender tanto, quer implantar oito boutiques, somando as de shopping e as de rua, ainda em 2016. Para o próximo ano, a expectativa é lançar mais dez, com mais 22 em 2018.

No total, promete-se 40 pontos instalados em três anos nas mais importantes praças brasileiras.

Ícone cult, a Vespa retorna ao Brasil querendo vender a imagem de modelo de luxo, em função da grife e do design italiano atemporal, apontaram os executivos.

Apesar desse discurso, o fato é que a Vespa é um scooter. Um dos pioneiros do segmento, pois a primeira Vespa foi criada em 1946, mas ainda assim um scooter.

Os quatro modelos importados e que serão comercializados inicialmente apostam na facilidade de pilotagem em função do câmbio automático (CVT) e o assento baixo, além da praticidade do espaço sob o banco -- são características de todo scooter.

A Vespa de entrada no Brasil será a Primavera, releitura do clássico modelo de 1968, em versões de 125 cc e 150 cc. Ambas com moderno motor de um cilindro, três válvulas, alimentado por injeção eletrônica e com câmbio CVT. As rodas de 11 polegadas têm freio a disco na dianteira e tambor na traseira com ABS de série.

Haverá ainda série especial da Primavera para comemorar a chegada da marca ao Brasil, limitada a 1.000 unidades e que poderá ser reservada já a partir do próximo dia 10 de outubro pelo site da marca.

Os outros modelos da linha são: a Vespa Sprint (motor de 150 cc e o visual típico dos anos 1970, com farol retangular); a GTS 300 (motor de 278 cm³, o maior entre os modelos da Vespa); e 946 Emporio Armani (exclusiva, celebra os 130 anos do Grupo Piaggio e os 40 da Giorgio Armani, usa motor de 125 cc, custa 9.500 euros e projeta-se preço de R$ 40.000 por aqui).

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