Carros

Fiat explora alternativa a carro com triciclo elétrico de R$ 5 mil

Arthur Caldeira
Eugênio Augusto Brito
Leonardo Felix

Especial para o UOL, em São Paulo (SP)

05/07/2016 10h00

Prestes a completar 40 anos de atuação oficial no Brasil -- a data será comemorada no próximo sábado (9) --, e ter uma história marcada por descoberta de nichos (por exemplo, o de picapes pequenas e modelos aventureiros), a Fiat aposta em alternativa inusitada ao mercado principal de carros de passeio e veículos comerciais. Você já viu o Trikke, um triciclo com motor elétrico? 

A ideia veio da Chrysler, marca americana comandada pela empresa italiana há cerca de sete anos: o Mopar Trikke já foi até mostrado em edições passadas do Salão do Automóvel de São Paulo, mas como coadjuvante. No começo, era um patinete anabolizado (elétrico ou movido pela ação alternada das pernas do condutor, como em equipamentos de ginástica chamados de "step"), mostrado nos estandes da Jeep e com preço acima de R$ 7 mil.

Há alguns meses, a Fiat decidiu entrar no jogo com um modelo menor, apenas elétrico (48V, 350 W) e com o escudo vermelho da empresa na carenagem: assim o Trikke pode ser vendido nas concessionárias do grupo FCA por R$ 5.481, como forma de locomoção mais dinâmica que as bicicletas. Por um lado, cabe na caçamba de picapes como Strada e Toro, mas acaba dando algum trabalho para ser colocado no porta-malas de hatches, sedãs e até de SUVs como o Jeep Renegade.

O preço ainda é algo a ser melhorado. Custa mais caro que boa parte das bicicletas como motor elétrico e quase encosta nos R$ 6.790 da Honda CG 125i Fan, a moto de entrada da marca japonesa. A Fiat e a divisão Mopar prometem versões de 32V e 24V para breve, como forma de oferecer preços menores. 

Reprodução
UOL Carros está no WhatsApp; adicione o número +55 (11) 94477-1331; envie a mensagem: garagemV8; receba notícias pelo aplicativo Imagem: Reprodução
É fácil de usar?

É certo que o visual e estilo do Trikke são estranhos. Assim, UOL Carros convidou a agência parceira Infomoto para testar o modelo em ruas e ciclovias de São Paulo (SP) e responder à questão.

Na vídeo-reportagem de Arthur Caldeira, fica constatado que o triciclo tem qualidades: o motor é capaz de levá-lo a até 27 km/h; é possível transpor obstáculos como trechos de subida sem dificuldades; a autonomia prometida é de até 45 km (em condições ideiais, temperatura amena e trajeto plano, sem acelerar demais).

As recargas são fáceis e levam até quatro horas para serem feitas em tomadas de 110 V, por conta da bateria de íons-lítio (similar àquelas de telefones celulares, apesar do tamanho extra GG).

Em movimento, o Trikke impressiona pelo embalo que alcança e também pela agilidade dos movimentos. Porém, é preciso adquirir uma técnica peculiar de condução, que inclui inclinar o corpo durante o contorno das curvas. É diferente do movimento para bicicletas e está mais próxima à ação de motos.

Reprudução
É preciso dosar os freios das rodas traseiras (esquerda e direita) no Trikke Imagem: Reprudução

O que pode melhorar

Comandos são feitos todos pelo guidão, então é preciso ter alguma noção de como se anda de bike ou, principalmente, de moto: o acelerador fica em argola na manopla direita, que poderia ser maior e com sensibilidade mais acurada.

Motor justaposto à roda dianteira, responsável pela tração, também muda o equilíbrio. Aprender a freá-lo também é necessário, a fim de evitar quedas: é preciso saber dosar a ação por conta do equilíbrio do corpo, da direção da roda da frente e porque cada um dos manetes vai parar uma das rodas traseiras.

Guardar e transportar o Trikke parecem os principais problemas. Ele não é tão portátil assim, pesa 20 quilos, e deixando só uma roda no chão (como a fabricante recomenda) você vai cansar logo. Descobrimos, nos testes, que é mais fácil carregá-lo como uma bicicleta: segurando em seu guidão, ao lado do corpo e com as rodas abertas. Só que aí não é possível transportá-lo no porta-malas do carro...

... onde só cabe, se estivermos falando de carro pequeno ou médio (hatch ou sedã), se o banco traseiro estiver rebatido.

Além disso, as travas das pernas do Trikke (que servem para mantê-las na posição, após a operação de dobrar/armar) são duras demais e faltou projetar uma forma mais ergonômica de acioná-las.

Por fim, faltou uma solução de iluminação (LEDs, por exemplo) para permitir seu uso com maior segurança no fim do dia. O Trikke tem apenas faixas adesivas refletivas em alguns pontos da carenagem plástica. 

Projeção de autonomia, na prática, ficou em torno de 30 quilômetros, visto que metade da carga era gasta num trajeto de 14 km. Apesar da redução para a promessa oficial, acaba servindo para quem vai se divertir nos finais de semana, bem como para quem busca alternativas para o trajeto urbano usando a malha de ciclovias.  

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