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Mulheres contam segredos para pilotar moto melhor que homens

Infomoto
Cristiane Cardoso é motogirl há 23 anos e nunca se envolveu em acidente grave Imagem: Infomoto

Cicero Lima

Colaboração para o UOL

08/03/2016 12h42

Antes que os machistas se exaltem por conta do título, vale recorrer às estatísticas. Segundo dados do DPVAT (Seguro Obrigatório), apenas 12% dos acidentes fatais com motos tiveram mulheres envolvidas em 2015. Em contrapartida, a venda de motos para o público feminino já atinge 50% em cidades do interior de São Paulo, como Indaiatuba, por exemplo (dados da Abraciclo, a associação dos concessionários). Ou seja, pela estatística as mulheres conduzem melhor que os homens, ou no mínimo se envolvem menos em acidentes. Basta observar nas ruas como elas usam uma motocicleta de forma mais comedida.

Arquivo pessoal
Renata Mendes, instrutora: "mulher é mais humilde na hora de aprender; meninos acham que já sabem tudo" Imagem: Arquivo pessoal
A diferença de comportamento começa a aparecer na fase do aprendizado, ainda na motoescola. Segundo a instrutora Renata Menezes, de Lagoa da Prata (MG), há homens que ficam sem graça ao saber que receberão instrução de uma mulher: “alguns parecem não aceitar, acham que já sabem de tudo e não querem ser corrigidos”. Ela afirma que as mulheres são mais atentas e dispostas a aprender. E quem aprende melhor... vai pilotar (ou dirigir) melhor.

Além disso, conta a favor delas o maior respeito às regras de trânsito e a melhor percepção do ambiente de trânsito. Pelo menos é o que garante a advogada Nina dal Poggetto, motociclista de 64 anos que pilota desde os 30: “as mulheres preveem e avaliam com mais rapidez as consequências de suas manobras”, defende. 

Acervo pessoal
Rebeca Bonel já viajou de Sorocaba (SP) e Florianópolis (SC) numa Honda Biz 125 Imagem: Acervo pessoal

Dicas

Quem vive em metrópoles como São Paulo sabe os riscos que os chamados "motoboys" correm todos os dias, em meio ao tráfego pesado, para realizar serviços com prazo bastante apertado. Cristiane Cardoso atua como motogirl há 23 anos e nunca sofreu um acidente grave, praticamente uma proeza na profissão. “Vejo alguns garotos que completam 18 anos, tiram habilitação, vão trabalhar de moto e já se acham pilotos, são muito ousados”, critica.

Acervo pessoal
Mesmo com pouca experiência, Luary Laisa Pereira, de Praia Grande (SP), pilota um scooter médio Imagem: Acervo pessoal
Além da Honda CG titan que usa profissionalmente, Cardoso tem uma Yamaha Fazer 250 para viajar. “Na estrada também sigo sempre atenta a tudo o que está acontecendo”, diz.

Menos experiente -- tem CNH tipo A desde 2010 --, porém não menos cuidadosa, a auxiliar administrativa Luary Laisa Pereira é usuária de um scooter Dafra Maxsym 400i em Praia Grande (SP). Sua tática é manter distância dos grandes veículos. “Os caminhões são os que mais preocupam. Procuro ficar longe e tentar antever as manobras que eles farão”, relata.

A tradutora Rosa Freitag, motociclista há oito anos, destaca o fato de que, muitas vezes, a moto fica "invisível" para outros veículos. “O jeito é observar tudo que acontece, à frente e nos retrovisores, e andar a velocidades moderadas. Se você estiver muito rápido um acidente será inevitável", conta. Já a estudante de engenharia Rebeca Bonel, de Sorocaba (SP), rejeita até a postura de alguns homens a bordo. "Uma CG não é esportiva: ninguém precisa deitar nela, como os meninos fazem", observa.

Mesmo no esporte, as mulheres parecem mais cuidadosas. Para Aline Negro, que mora em Goiânia e pratica enduro, o maior cuidado deve ser dedicado ao uso do equipamento de proteção, com destaque para o capacete. “Fora ou dentro da trilha é imprescindível estar equipada. Um acidente por culpa de ousadia pode resultar em graves consequências", alerta. Mesmo na busca por adrenalina e diversão, a palavra de ordem é “prudência”. 

Acervo pessoal
Tradutora Rosa Freitag já cruzou a América Latina a bordo de uma BMW XCounty Imagem: Acervo pessoal

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