Carros

Moto do Dakar é supermáquina que anda a 160 km/h... na terra

Arthur Caldeira

Da Infomoto

09/01/2016 08h00

O Rally Dakar certamente é a prova automobilística mais exigente do mundo. A edição 2016, por exemplo, que iniciou em 2 de janeiro, vai percorrer 9.319 km em percurso de ida e volta entre Argentina e Bolívia. Além de resistência para enfrentar regiões de terra, cascalho, montanhas e deserto, regadas de obstáculos de todas as dificuldades, as motocicletas precisam entregar desempenho para os trechos especiais cronometrados.

Arthur Caldeira/Infomoto
Para-brisa da CRF 450 Rally serve para proteger não o piloto (que fica o tempo todo em pé), mas sim o farol e o exagerado quadro de instrumentos, este munido de itens como uma bússola Imagem: Arthur Caldeira/Infomoto
Para chegar à equação perfeita em um regulamento que não permite troca de motor, é preciso criar uma supermáquina, com muitos componentes desconhecidos das motos de rua. Infomoto foi até o acampamento de largada do evento, na Argentina, para conhecer o modelo Honda CRF 450 Rally pilotado por Jean Azevedo, único brasileiro a competir na categoria. Além da equipe oficial da marca japonesa, a conterrânea Yamaha, a austríaca KTM (vencedora das últimas 14 edições) e a sueca Husqvarna participam do rali.

No caso da Honda, o modelo usado desde 2014 no evento, CRF 450 Rally, conta motor monocilíndrico de 450 cc e arrefecimento líquido -- até aí, nada demais --, porém com duplo comando de válvulas (DOHC). Um radiador exclusivo para o óleo vai instalado sobre a estranha carenagem. “É uma solução para lidar com o longo período em que o motor tem que trabalhar a altas temperaturas", explicou Geraldo Lima, mecânico de Azevedo.

A potência estimada (não há dados oficiais) é de 60 cv, o suficiente para fazer um competidor ultrapassar 160 km/h... na terra. 

Divulgação
Suspensões precisam estar preparadas para suportar a carga de grandes saltos, como este dado por Jordi Villadoms, da multicampeã KTM Imagem: Divulgação

Tem até pneu sem ar

Quadro de alumínio e peças em fibra de carbono fazem o peso da moto, já com os 32 litros de gasolina exigidos pela organização, ser de meros 160 kg, apesar de todo o porte. Pneus e "mousse" (uma espécie de borracha que substitui o ar nos pneus usados por motos de ral, para evitar furos) são fornecidos pela Michelin.

Arthur Caldeira/Infomoto
Grande protetor de cárter em fibra de carbono evita que pedras e cascalhos danificem motor monocilíndrico de 60 cv Imagem: Arthur Caldeira/Infomoto
Suspensões de curso bastante alongado, acelerador eletrônico e controle de tração dão auxílio para ir mais rápido e corrigir derrapagens em trechos sinuosos e escorregadios, e ainda proporcionam economia de combustível. “Só que a maioria dos pilotos não gosta de usar [o controle]", apontou Wolfgang Fischer, chefe da equipe de Azevedo. Justamente por isso há a opção de desligar a assistência.

Mesmo toda a tecnologia embarcada não evita acidentes como o que o piloto brasileiro sofreu no segundo dia de evento -- ele caiu no trecho entre Carlos paz e Termas de Rio Hondo, sem sofrer ferimentos. Os tanques traseiros quebraram e ele não teve como seguir na prova. É mais uma mostra de que nem mesmo a mais fantástica das máquinas e o mais experiente dos pilotos estão imunes aos perigos de uma competição tão traiçoeira.

Viagem a convite da Honda Racing Brasil.

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