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Golpistas deixam motoboys no prejuízo; conheça as práticas

Cícero Lima/UOL
Ricardo Olof conta riscos da profissão: peças falsas e trabalhar sem receber Imagem: Cícero Lima/UOL

Cícero Lima

Colaboração para UOL Carros

02/12/2015 21h47

Quem trabalha como motofretista (o popular "motoboy") está exposto a, entre outros riscos, acidentes de trânsito e roubos de equipamento. A cada dia surgem ainda golpes que tornam a vida dessa categoria mais complicada. Pode ser o prejuízo por conta da instalação de uma peça de baixa qualidade (ou falsa) na moto, não receber pelo trabalho e até ser vítima (em caso de acidente) do golpe do seguro obrigatório (o DPVAT).

A manutenção da moto é um dos pontos cruciais para a segurança dos motociclistas. Para o motoboy, cuidar bem da moto evita prejuízos e diminui o risco de quedas. Alguns comerciantes, porém, se aproveitam dessa necessidade para vender peças falsas ou de baixa qualidade. Segundo Marcus Freitas Santana, gerente de uma oficina expressa na Zona Norte de São Paulo, não faltam reclamações por parte dos motoboys em relação ao assunto. Na maioria dos casos os problemas são as peças de má qualidade instaladas por algumas oficinas.

"O motoboy deixa a moto para fazer o reparo, quando volta não confere se tudo foi feito e se a peça instalada é mesma que ele pediu e pagou", afirma Santana. Na opinião do gerente, o ideal é acompanhar o serviço de perto.

Além disso, é preciso atentar à qualidade das peças, que podem até por a vida do motociclista em risco. Um conjunto de relação (corrente, coroa e pinhão) pode ser instalado em algumas oficinas por R$ 40, "mas sua qualidade é baixa", informa o profissional. Nesse caso, se a corrente se soltar ou quebrar, o acidente pode ser fatal. "São peças que nem deveriam ser oferecidas, prefiro vender peças boas e não correr riscos", diz Santana.

Franklin de Freitas/Folhapress - 20.01.2010
Receber pagamento de entregas com notas de R$ 50 ou R$ 100 pode significar cair no golpe do dinheiro falso. Quase sempre, o motoboy percebe tarde demais Imagem: Franklin de Freitas/Folhapress - 20.01.2010

Nota falsa e prejuízo

Para muitos motoboys, trabalhar a noite entregando pizzas ou lanches é uma oportunidade de aumentar os rendimentos. O que seria a chance de levar mais dinheiro para casa, pode ser um prejuízo por conta dos falsários. O golpe é criativo.

O estelionatário pede a refeição e diz que pagará com uma nota alta -- de R$ 50 ou R$ 100. Como é costume, o entregador levará o troco. No momento da entrega, o falsário já está na porta da casa, geralmente um lugar ermo e com pouca luminosidade. Paga, recebe o troco, a refeição e finge entrar no imóvel. O motoboy parte e percebe tarde demais que recebeu dinheiro falso.

"Quando cheguei lá, me aguardavam na portaria do prédio e estava escuro. Não tinha como ver se a nota era verdadeira ou não", afirma Leandro Requião Franco, de 39 anos. Há 17 anos trabalhando como motoboy, Franco diz que é difícil se safar de um truque como esse.

Trabalhar sem receber

Outro problema são os clientes solicitam tarefas quase impossíveis, já pensando em não pagar o trabalho do motoboy. Um exemplo é pagar boletos na boca do caixa, em diferentes agências e já próximo ao horário de fechamento bancário. "Quando o motoboy trabalha por conta e corre para executar as tarefas, se não pagar todos boletos [no horário], não recebe pelo serviço prestado", explica Ricardo Olof, 31 anos, motoboy há onze. Atualmente, Olof recusa serviços com o horário apertado.

Golpe do seguro

Pela exposição diária ao perigoso trânsito brasileiro, o número de acidentes envolvendo motoboys é muito alto. Quando acontece um acidente surge o "atravessador" que está de prontidão nos hospitais mais movimentados. Recebendo elevadas comissões -- até 30% do valor --, promete para a família do acidentado o resgate rápido do DPVAT, o seguro obrigatório.

A prática é desnecessária, mas tornou-se tão comum que levou a Seguradora Líder, empresa que administra o DPVAT, a veicular uma campanha publicitária. O filme orienta o motoboy e seus familiares como resgatar o valor, que pode chegar até R$ 13.500 (em caso de morte ou invalidez).

Cícero Lima é jornalista especializado em motos e premiado pela Abraciclo

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