Carros

Honda CTX 700N, R$ 32.077, é custom dócil e voltada a pilotos iniciantes

Arthur Caldeira

Da Infomoto

Uma motocicleta pesada, cheia de cromados e com visual clássico. Um motor beberrão e que treme demais. Todas são características típicas de uma custom, mas a Honda CTX 700N, recém-lançada no Brasil, por R$ 32.077 -- somente na cor preta e com câmbio manual de seis velocidades --, chegou para mudar esses conceitos.

O modelo é mais uma aposta da fábrica japonesa no futuro do motociclismo: eficiente na parte energética, esteticamente moderno e desenvolvido para "fazer do motociclismo algo mais acessível", de acordo com a própria marca. Em resumo, é uma proposta para atrair quem ainda não se aventura sobre duas rodas.

Não é a primeira vez que a montadora mais popular do Brasil se empenha em fazer uma releitura das custom. A tendência começou com a NC 700X, da qual a CTX é derivada, e mais recentemente chegou à racional família de 500cc, que inclui CB 500F, CBR 500R e CB 500X. São motos que talvez não agradem aos mais experientes, mas têm muita propensão a cair no gosto dos aspirantes a motociclistas -- especialmente mulheres -- ou mesmo quem está voltando a pilotar.

TRÊS LETRAS, TRÊS PROMESSAS
A sigla CTX vem do slogan "comfort, technology and experience" (conforto, tecnologia e experiência, na tradução do inglês). Com esse nome, pois, a Honda se comprometeu a entregar essas três qualidades em seu produto. Para alcançar a primeira delas, o assento foi desenhado a apenas 72 centímetros do solo, com baixo centro de gravidade e boa distribuição de peso (50/50 sobre cada eixo).

Munida de quadro tubular em aço e motor integrado à estrutura, inclinado para frente, a CTX tem praticamente a mesma base mecânica da prima NC 700X. Porém, o subquadro traseiro foi redesenhado para que o assento ficasse na altura desejada. Tudo para permitir que os pilotos menos experientes consigam apoiar os dois pés no chão. 

Com essa mudança, o tanque foi realocado para a parte dianteira da moto, e o generoso compartimento existente na NC 700X se perdeu. Por outro lado, a CTX ganhou em centralização de massas e permitiu uma posição de pilotagem bem relaxada -- banco baixo, pedaleiras avançadas e guidão largo --, sem demandar que o piloto se estique para alcançar os comandos. 

Doni Castilho/Infomoto
Como o tanque de combustível está na parte dianteira da custom, Honda conseguiu incluir ali um pequeno porta-luvas Imagem: Doni Castilho/Infomoto
Todo esse trabalho na parte ergonômica deu certo: mesmo após rodar quase 500 km, o piloto não fica cansado, embora um pequeno para-brisa fosse bem-vindo para aumentar o conforto em velocidades mais altas.

Outra diferença em relação à NC 700X está na geometria: o ângulo de cáster é ligeiramente mais aberto, dando estabilidade nas retas. A altura dos assentos, o centro de gravidade e as suspensões macias a deixam bastante ágil para seu tamanho, além de equilibrada e neutra. Mal se nota os 2,25 metros de comprimento e os 209 quilos (a seco). A distância livre do solo, 13 cm, também é boa.

O conjunto de suspensões, bem macio, faz jus à proposta da moto. O garfo dianteiro absorve as imperfeições do piso sem chegar ao fim de curso e, ao mesmo tempo, transmite segurança ao piloto. Já a traseira possui um monoamortecedor fixado por links que leva o condutor a "saltar" do banco em algumas ondulações. Talvez um ajuste na pré-carga da mola -- disponível no modelo e feito com uma ferramenta específica -- resolva o problema. 

Doni Castilho/Infomoto
Na rabeta, linhas angulosas e lanterna com LEDs coferem ar de modernidade à CTX Imagem: Doni Castilho/Infomoto
Completam o conjunto duas rodas de 17 polegadas em liga de alumínio, com pneus sem câmara, e sistema de freios com dois discos simples, sendo o dianteiro com 320 mm e pinça de dois pistões, e o traseiro de 240 mm e pinça de pistão único. Sistema ABS (antitravamento) é de série.

Tal pacote deixou a CTX 700N muito fácil de pilotar: é um modelo obediente, principalmente em baixas velocidades, e que permite manobras simples. A leveza do guidão pode ser sentida até mesmo em estradas sinuosas, apesar de a posição da pedaleira, que raspa no chão mesmo com pneus novos, limitar um pouco os movimentos em curvas fechadas.

O motor tem a mesma arquitetura da NC 700X -- dois cilindros paralelos com quatro válvulas cada, 669,6 cm³ e refrigeração líquida --, porém com desempenho mais modesto: a potência é de 47,6 cv a 6.250 rpm (contra 52,5 cv da prima), enquanto o torque fica em 6,12 kgfm a 4.750 giros (ante 6,4 kgfm).

Segundo a Honda, a diferença de força é resultado de ajustes feitos na central eletrônica (ECU), a fim de proporcionar mais torque em baixos e médios regimes. De fato, o propulsor da CTX permite manter velocidades de 120 km/h, em marchas mais altas, girando abaixo dos 4.000 rpm sem dificuldades.

Por privilegiar o torque, em alguns momentos a potência extra faz falta, como em subidas com o vento contra. Nesses casos, o jeito é reduzir uma marcha para não perder o ritmo. O bom é que essa característica deixa a CTX 700N muito econômica: Em nosso teste, a pior média foi de 22,6 km/l, com a melhor em 25,9 km/l. Como o tanque comporta até 12,4 litros, a autonomia média ficou em 300 quilômetros.

O PONTO FALHO
É no item tecnologia, contudo, que a CTX 700N mais fica devendo. Para o mercado brasileiro, o modelo traz apenas os freios ABS, que nem combinados são. O câmbio DCT (automatizado de dupla embreagem), por exemplo, principal novidade da linha na Europa e Estados Unidos, ficou de fora do pacote importado ao nosso país. Segundo a Honda, foi uma estratégia para não deixar o preço alto demais. 

Doni Castilho/Infomoto
Painel de instrumentos digital é de fácil leitura, mas não traz computador de bordo como na linha 500cc Imagem: Doni Castilho/Infomoto
 Deve ser. Afinal, os R$ 32.077 já cobrados são relativamente salgados em relação à própria NC 700X, que custa R$ 2 mil a menos e já agrega freios com sistema antitravamento combinado. Chegam, inclusive, bem perto de outra custom de maior porte, a Shadow 750.

Segundo a Honda, a CTX 700N será importada para testar a reação do mercado a uma moto com proposta nova. Caso o modelo venda bem, deve seguir os caminhos da NC 700X e ser nacionalizado.

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