Carros

Manutenção correta nos freios evita acidentes de moto; veja dicas

Roberto Brandão Filho

Da Infomoto

29/05/2014 14h45

O desgaste do sistema de freios é natural. Mas para garantir sua eficácia, principalmente em situações de emergência, a manutenção periódica do conjunto é vital. Com a evolução das motocicletas, a indústria teve que encontrar melhores soluções para a frenagem desses veículos.

Atualmente existem dois tipos de sistemas de freios nas motocicletas: a tambor ou a disco. Por ter produção e manutenção mais acessível, o sistema a tambor é normalmente encontrado em motos mais antigas ou de baixa cilindrada. De uma maneira resumida, eles têm funcionamento simples -- quando acionado, as lonas (chamadas de sapata principal e sapata de arrasto) tocam no tambor (fixado na roda), causando atrito e fazendo as rodas pararem.

O sistema é considerado de menor eficiência que os freios a disco por não dissipar calor facilmente. Por ter maior desgaste, a manutenção deve ser feita em intervalos menores. Se isso não acontecer, seu desempenho fica comprometido. Segundo André Henrique de Souza, da concessionária Moto9 Yamaha, de São Paulo (SP), uma indicação de que os freios a tambor estão gastos acontece quando o pedal traseiro começa a ficar mais baixo e o manete dianteiro fica mais "mole". "Quando isto acontecer, deve-se verificar a espessura mínima da lona recomendada pelo fabricante”, adverte Souza.

Dicas de prevenção

  • 1) Consulte o manual

    Sempre verifique a folga do manete e pedal de freio, e ajustar conforme o manual do proprietário de sua motocicleta

  • 2) Verifique o cabo

    Fique sempre de olho na condição do cabo de acionamento do freio a tambor dianteiro e traseiro -- para lubrificação ou troca

  • 3) Ouvido na pastilha

    Pastilhas gastas emitem ruídos metálicos agudos e podem danificar os discos

  • 4) Confira a regulagem

    Nos freios a tambor, confira sempre a regulagem próxima ao cubo das rodas

  • 5) Fique atento ao fluido

    Sempre cheque o nível de fluido de freio em motos com sistema a disco (conforme o Manual do Proprietário)

  • 6) Veja se há ar na mangueira

    Acionamento "borrachudo" nos freios a disco pode ser sinal de ar na mangueira -- faça a sangria do sistema de fluido

  • 7) Tire o pé do pedal

    Certifique-se de não manter o pé sobre o pedal de freio durante a pilotagem para não desgastar as pastilhas ou a lona prematuramente

SEGURANÇA DOS DISCOS
Atualmente, a maioria das motocicletas que tem freios a tambor utilizam o sistema apenas na roda traseira -- a dianteira, pelo menos, usa freio a disco. O sistema a disco é mais moderno e eficiente. Mas, por outro lado, a manutenção de seus componentes e sua produção é mais cara. Ele tem funcionamento hidráulico, composto por pastilhas, pinças, pistão, fluído de freio, disco e mangueiras. Há diferenças na quantidade de pistões, no tipo de fluído, no tamanho dos discos e até nas mangueiras, o que interfere diretamente na potência e progressividade dos freios. Motos de alta cilindrada e mais potentes têm componentes de maior eficiência.

Ao acionar o manete ou o pedal, o fluído de freio é deslocado em direção ao pistão da pinça de freio e o empurra. O pistão move as pastilhas, que por sua vez entram em contato com o disco, causando atrito. Este atrito é o que faz as rodas travarem ou diminuírem de velocidade, até pararem por completo. Os freios a disco também são mais agressivos -- o piloto deve tomar cuidado com a força aplicada no freio.
Infomoto
Freios a tambor (foto) são mais arcaicos, mas mais baratos que freios a disco Imagem: Infomoto
MANUTENÇÃO E PREVENÇÃO
O proprietário deve fazer a manutenção periódica para prevenir desgastes e aumentar a durabilidade do conjunto. "Cada fabricante determina os intervalos corretos. São elas que garantem o bom funcionamento dos freios”, comenta o mecânico Souza.

Nos freios a tambor, por exemplo, ruídos excessivos durante a frenagem podem significar que o sistema está danificado (comum depois de rodar na chuva). As lonas podem acumular sujeira e perder a rugosidade necessária para que o atrito com o cubo da roda seja suficiente para frear a motocicleta. Há uma maneira simples de corrigir esse defeito: lixar a lona para recuperar sua aspereza e, assim, ganhar mais atrito. "No entanto, depois de repetidas vezes, o que se deve fazer mesmo é observar a espessura mínima recomendada pela fabricante", explica o técnico.

Ainda de acordo com André Souza, é fácil reconhecer problemas no sistema a disco. "Quando o freio está 'borrachudo' -- o manete não apresenta resistência e passa uma sensação de maciez --, pode ser sinal de ar no cabo de óleo. Deve-se, então, sangrar o fluido para retirar a bolha de ar. Se na hora da frenagem a motocicleta trepidar, pode ser um sinal de que o disco está empenado. O diagnóstico mais fácil de perceber é o de quando as pastilhas estão extremamente gastas. Os pistões empurram as pinças, que já não contam com material abrasivo, e causam o atrito de ferro com ferro, emitindo um ruído alto".
Divulgação
Motos de alta cilindrada e mais potentes têm componentes de maior eficiência Imagem: Divulgação
Pastilhas novas, porém, também podem passar a sensação de estarem "borrachudas", mas isso se deve ao fato de elas ainda não terem se moldado ao formato do disco. Com o uso, elas passam a ter um tato mais refinado.

André Souza ainda fez questão de lembrar que o desgaste das pastilhas depende muito da "tocada" do piloto -- a troca deve ser feita quando há necessidade e não depende da quilometragem. "Às vezes vemos casos de desgaste prematuro na traseira. Na maioria dos casos, o usuário ficou com o pé apoiado no pedal de freio durante a pilotagem sem perceber", disse.

A dica final é simples. Seu freio pode salvar sua vida. Não vacile e mantenha seu sistema sempre em ordem.

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