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Ducati Hypermotard SP, R$ 64.900, usa "estupidez" para falar alto na pista

Roberto Brandão Filho

Da Infomoto

02/05/2014 08h00Atualizada em 01/05/2014 17h20

Decidida a oferecer uma supermoto capaz de agradar a um grande número de motociclistas, a Ducati substituiu as antigas versões 796, 1100 e 1100 SP da Hypermotard, consideradas agressivas demais (o que refletia diretamente nas vendas), por uma nova família de motos com o mesmo motor de 821 cm³. Lançada no fim de 2012, a linha conta com três versões: Standard, Hyperstrada e SP.

No topo da gama, a Hypermotard SP é a que melhor expressa o segmento supermotard. Além da pintura e grafismos da divisão esportiva da Ducati, ganhou rodas e pneus esportivos, suspensões e freios de alto desempenho e configuração especial para a central eletrônica (ECU). 

Ainda importado, o pacote está disponível por R$ 64.900. Segundo a marca, há planos de nacionalizar a produção da família Hypermotard nos próximos anos, utilizando a fábrica da Dafra em Manaus (AM).

TUDO NOVO
A nova SP está bastante diferente da antiga versão, a começar pelas carenagens, com desenho mais agressivo e formas angulosas. O sistema de escapamento, antes de dupla saída embaixo do banco, foi substituído por uma única peça triangular do lado direito, mais bonita e que corrige o velho problema de esquentar o assento traseiro.

Por falar em assento, este está extremamente fino, porém sem deixar de ser confortável. A altura em relação ao solo (89 cm), entretanto, é um empecilho para motociclistas mais baixos quando a moto está parada, embora a dificuldade desapareça em movimento. O retrovisor também mudou de lugar, saindo da ponta do guidão e dando uma melhor visão traseira, enquanto o painel de instrumentos totalmente digital dá informações completas até sobre o consumo de combustível (total, instantâneo e médio).

Doni Castilho/Infomoto
Força bruta transmitida às rodas pode intimidar pilotos menos experientes Imagem: Doni Castilho/Infomoto
Na parte ciclística, o entre-eixos maior (1.505 mm contra 1.460 mm) e o novo quadro tubular de treliça aumentaram a estabilidade em velocidades elevadas. Como ângulo de esterço também é elevado, ficou fácil manobrá-la em espaços curtos. 

Com as configurações exclusivas de suspensão e freios, a Hypermotard SP apresenta respostas excelentes em estradas sinuosas. O primeiro conjunto é composto por garfo dianteiro invertido pressurizado, com 185 mm de curso e link progressivo, e mono-amortecedor traseiro de 175 mm, absorvendo bem as impressões do solo.

Já o segundo é o mesmo da prima superesportiva Panigale 1199: dois discos de 320 mm de diâmetro na dianteira, mordidos por pinças monobloco de quatro pistões fixadas radialmente, e disco único de 245 mm de diâmetro na traseira, com pinça de pistão duplo. É um sistema muito eficiente, mas que demanda cuidado: acionar o manete dos freios com muita vontade faz com que a frente afunde demais.

De toda forma, o pacote de segurança traz controle de tração e freios com ABS (sistema antitravamento). Três modos pré-programados definem os níveis de influência das duas assistências, que podem ser ajustadas em quatro (freios) e nove posições (tração). Há ainda as opções de modificar manualmente os níveis de cada uma ou mesmo desligá-las.

Apesar de toda a altura, a SP deita nas curvas feito uma superesportiva, graças às rodas de alumínio forjado de três pontas, e aos pneus 120/70-17 na frente e 180/55-17 atrás. Os componentes de alta qualidade não só melhoraram o desempenho, como deixaram a supermotard quatro quilos mais leve (194 kg em ordem de marcha) no comparativo com a versão Standard.

A posição de pilotagem continua agressiva, mas ganhou características das off-road, deixando o piloto sentado no mesmo nível do tanque de gasolina, perto do centro da motocicleta, e com os cotovelos bem abertos. Isso corrige outra reclamação acerca do modelo antecessor, no qual o condutor ficava quase em cima da roda dianteira e tinha dificuldades de controle.

Doni Castilho/Infomoto
Mostrador 100% digital, que pode incomodar a alguns, sintetiza mudança da SP Imagem: Doni Castilho/Infomoto

CORAÇÃO NOVO
O propulsor, um novo Testatretta 11°, com dois cilindros em L, 821 cm³, refrigeração líquida e o tradicional comando desmodrômico de válvulas, gera até 110 cavalos de potência (a 9.250 rpm) e 9,1 kgfm de torque (a 7.750 giros), com auxílio de acelerador eletrônico.

O PREÇO DA EMOÇÃO
Nem todas as modificações tiraram da Hypermotard SP a característica de ser uma máquina complexa, tipicamente italiana. A embreagem e o acelerador, por exemplo, são bastante sensíveis, enquanto a entrega "estúpida" de potência e torque assusta até os mais experientes. É preciso algumas horas em cima dessa máquina para aprender a controlá-la totalmente e entender sua proposta apaixonante.

Por outro lado, se o piloto não souber ajustar a suspensão para cada tipo de uso, mal notará os quatro quilos a menos e não conseguirá tirar proveito de seus grandes diferenciais em relação à versão Standard. Sendo assim, será que vale desembolsar R$ 12.910 a mais por essa versão? Pelo mesmo preço, é possível comprar outros modelos de diferentes estilos e marcas. 

Adquirir a Hypermotard SP é uma decisão de quem quer uma motocicleta única, que une a agressividade de uma off-road, a agilidade de uma urbana e o desempenho de uma superesportiva média. O preço a se pagar é um tanto alto, mas a diversão é garantida.

Exclusiva para o Brasil

  • Imagem: Doni Castilho/Infomoto
    Doni Castilho/Infomoto
    Imagem: Doni Castilho/Infomoto

    Ducati 1199 Panigale S Senna

    Alusiva à memória do piloto tricampeão de Fórmula 1 Ayrton Senna, a série especial foi criada pela fabricante italiana unicamente para o Brasil. São 161 unidades, uma para cada GP que o brasileiro disputou na categoria. O preço, porém, é salgado: R$ 100.000. Parte da renda com a venda é dedicada ao Instituto Ayrton Senna.

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