Carros

Pilotos baixos e motos altas: questão de treino e habilidade

Cicero Lima

Colaboração para o UOL

04/04/2014 18h29

Para pilotar uma moto alta os baixinhos -- peço licença aos "patrulheiros do politicamente correto", mas uso o termo por me incluir na categoria -- fazem de tudo: usam bota de salto, recortam a espuma do banco e fazem até curso de pilotagem. Vale tudo para realizar o sonho, mesmo que o tamanho da perna não ajude.

No coração dos motociclistas aventureiros, as bigtrails têm lugar especial. Robustas, seguras e confortáveis, elas superam obstáculos e vencem desafios. Uma das mais cobiçadas é a BMW R 1200 GS: cheia de eletrônica e história, agrada a todos, inclusive quem tem menor estatura.

Quem pertence a esse grupo, com menos de 1,70 m de altura, sabe as dificuldades para dominar uma moto aventureira. Com peso próximo aos 240 quilos, suas dimensões intimidam, pois em algumas versões o banco fica a quase um metro de altura do chão. Isso representa um enorme desafio à habilidade e à capacidade de improviso do piloto baixinho.

Um exemplo é o dentista John Won, 49 anos e 1,66 m de altura. Ele sempre conviveu com motos e sonhava com a R 1200 GS. Mas quando comprou a aventureira, iniciou uma maratona para dominar a máquina. Até um simples abastecimento transforma-se numa epopeia.

"Quando peguei a moto, era difícil encontrar até posto de combustível onde me sentisse seguro. Com qualquer desnível no solo eu perderia o equilíbrio", lembra.

Para se adequar à moto, Won usou vários truques. "Cheguei a usar botas com salto falso, que aumentava minha estatura em 9 centímetros. Mas elas só funcionavam quando eu estava sentado. Quando precisava caminhar era até perigoso, tinha medo de torcer o pé e ficava parecendo um robô ou um cantor sertanejo", conta.

Arquivo pessoal
John Won, o mais baixo da turma, hoje domina sua BMW R 1200 GS sem dificuldade Imagem: Arquivo pessoal

DOMINAR E NÃO SER DOMINADO
A experiência de Won parece resumir o drama dos baixinhos. Para dominar a moto e se livrar definitivamente do problema, ele fez uma opção radical: diminuiu a camada de espuma do banco em 4 centímetros.

"Procurei meu amigo Pedrinho, da Pedrinho Bancos, que desenvolveu um banco especial", afirma.

Mas o que realmente mudou sua vida foi encarar os medos. Segundo o dentista, "a moto dominava o piloto, e não o contrário". Para reverter a situação, Won fez um curso de pilotagem. O instrutor Nenad Djordjevic o desfiou a executar manobras em espaços curtos quase impossíveis.

"Quando vi os cones, achei que jamais faria aquele traçado. Comecei tateando o chão com os pés e graças às dicas, aos poucos ganhei confiança". Hoje Won usa sua moto sem problemas... e abastece em qualquer posto de combustível.

Ele termina dizendo que "alguns motociclistas, até mais altos que ele, se empolgam com o exemplo, mesmo com medo de moto alta".

Divulgação
Jean Azevedo tem 1,69 m e já foi campeão do Rally Dakar Imagem: Divulgação

HABILIDADE BASTA
Um dos melhores pilotos do mundo também tem usa a habilidade para conviver com motos altas. O brasileiro Jean Azevedo, 40 anos, mede 1,69 m e já enfrentou as dunas nos desertos africanos competindo pelo Rally Paris-Dakar, competição off-road mais perigosa do mundo.

Quem o vê ao lado da moto não acredita que ele consiga dominar a máquina em condições tão extremas. Azevedo comenta que o momento mais crítico é levantar no meio da duna e, para isso, precisa de técnica e preparo físico. Vale lembrar que ele já foi duas vezes campeão do Dakar na categoria Production.

EXEMPLO PORTUGUÊS
Se você acha que ter 1,66 metro de altura como Won, ou 1,69 m como Azevedo, é um complicador para pilotar motos altas, veja o exemplo do português Paulo Alberto, 24 anos, que compete no Brasil. Com apenas 1,62 m, ele dá trabalho a pilotos mais altos: Alberto foi o campeão brasileiro de motocross de 2013.

Por outro lado, tem de ser ajudado pela equipe para subir na moto em alguns momentos.

Divulgação
Português Paulo Alberto tem 1,62 m e foi campeão brasileiro de motocross em 2013 Imagem: Divulgação

Claro que sua baixa estatura é alvo de piadas por parte dos integrantes da equipe. Mas Alberto não se preocupa e entra no clima. Afinal, teve de se habituar às brincadeiras e se dedicar aos treinos para mostrar que na pista somos iguais. "O que vale é treino e habilidade", conclui.

Cicero Lima é especialista em motos e motociclistas

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