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"Melhor motoboy" de São Paulo pede civilidade no trânsito

Cícero Lima/UOL
Leandro Santana, 34 anos: "melhor motoboy de São Paulo" diz ter orgulho da profissão Imagem: Cícero Lima/UOL

Cícero Lima

Colaboração para o UOL

06/09/2013 18h59

Em 17 de julho, publiquei aqui em UOL Carros um artigo que gerou polêmica. Os motofretistas, mais conhecidos como motoboys, passaram suas dicas aos motoristas sobre como evitar acidentes. O assunto parece ter incomodado boa parte dos internautas, a julgar pelo grande número de comentários negativos -- muitos afirmando que os motoboys não têm condições de aconselhar ninguém, pois são eles a principal causa dos problemas ligados ao trânsito, principalmente nos acidentes.

Alguns comentários estavam carregados de preconceito, na linha "A melhor forma de evitar acidentes é retirar esses marginais da rua". É um tipo de postura que mostra a intolerância da sociedade, infelizmente.

Indiferente a esse debate, Leandro Santana, 34 anos, o motoboy citado na reportagem, seguiu sua rotina, sempre pronto a enfrentar com paciência e habilidade o caos das ruas de São Paulo, onde exerce a atividade há 12 anos. "Não tem jeito: uma hora ou outra alguém te fecha ou você fecha alguém, mas o importante é estar atento e manter a calma e o equilíbrio", diz ele.

  • Cássio Toledo

    Santana após a homenagem da Câmara de São Paulo: zero multa, zero acidentes

Quem já circulou pelo extremo da zona sul de São Paulo, em vias como a Estrada de Itapecerica, sabe do que Santana está falando. Ele faz parte de um grupo de paulistanos que habita as áreas mais populosas e também mais afastadas do centro da capital, em que trânsito intenso, ruas apertadas e uma caótica disputa por espaço faz parte do dia-a-dia de motoristas e motociclistas.

EXEMPLO
Parece que a fórmula usada por Leandro Santana tem dado resultado, pois ele conseguiu manter-se longe dos acidentes e, em mais de uma década de profissão, nunca foi multado. Isso o levou a ser escolhido pela Câmara Municipal de São Paulo como bom exemplo a ser seguido. Recebeu homenagem em sessão solene dedicada aos motociclistas, no início de agosto.

Depois, para ficar ainda mais seguro na sua pilotagem, Santana foi convidado a participar de um curso junto com os motociclistas do Corpo de Bombeiros, no Centro Educacional de Trânsito Honda em Indaiatuba (SP). Durante o programa, ele recebeu diversas dicas para aprimorar sua técnica, além de dividir experiências com os profissionais acostumados a atender ocorrências que geralmente envolvem motociclistas acidentados.

No curso, aprendeu técnicas para contornar curvas com mais segurança e também como utilizar melhor os freios. Claro que ouviu algumas brincadeiras por parte dos bombeiros: "Continua tomando cuidado, não queremos socorrer você na rua"...

Santana ainda ganhou uma motocicleta nova da Honda, uma CG150 Titan ESD. "Quermos valorizar esse excelente profissional para que ele sirva de exemplo a todos", disse Alexandre Cury, gerente geral e comercial da empresa. "Santana prova que é possível fazer seu trabalho de forma eficiente e responsável", concluiu.

Mas qual é mesmo a receita desse motoboy para enfrentar o caos de nossa cidade e escapar ileso de acidentes e das multas?

"Pode parecer bobagem, mas é simples: respeito as placas de sinalização de trânsito; planejo meu roteiro; e tenho em mente que sou a parte mais frágil no trânsito. Se bater com minha moto o prejuízo será todo meu, pois não tenho seguro". Em relação às multas, Santana diz simplesmente que trabalha muito, e que seria uma estupidez gastar seu dinheiro com infrações de trânsito.
  • Mário Villaescusa/Infomoto

    Santana pilota durante curso oferecido pela Honda: aperfeiçoamento nunca é demais

DESCONFIANÇA
Na rotina da profissão, Leandro Santana sabe que nem todos vêem os motoboys com bons olhos. "Outro dia um colega foi avisar que a porta do carro estava aberta e a motorista levantou os braços e começou a gritar", contou. Embora não compactue com o preconceito contra sua profissão, ele diz que muitos colegas não se esforçam para ser respeitados mesmo fora das ruas.

"É preciso estar apresentável e com roupas limpas para chegar a uma empresa. Se mesmo assim somos convidados a entrar pela porta de serviço, imagina chegar com a capa de chuva pingando no escritório de um cliente? Infelizmente, nem todos os profissionais pensam assim", explicou. Pai de três filhos, Santana tem orgulho de sua profissão: "É com minha moto que sustento minha família e, com a ajuda da minha mulher, educo meus filhos; por isso, não posso ter vergonha de ser motoboy".

Que sua história e a homenagem que recebeu da cidade de São Paulo sirvam de lição para mostrar que nem todos os motoboys "são marginais que devem ser tirados das ruas".

Cícero Lima é especialista em motocicletas e motociclistas

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