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Presidente da Ducati fala sobre comando da Audi e vê desafio no Brasil

Divulgação
Gabriele Del Torchio mantém faceta italiana da Ducati, agora controlada pelos alemães da Audi Imagem: Divulgação

Arthur Caldeira

Da Infomoto

15/04/2013 11h39

Há cerca de um ano, os boatos de que a Ducati estava à venda se confirmaram: em 18 de abril de 2012 foi feito o anúncio da aquisição da marca pela Audi. A compra gerou dúvidas no mercado de motos e nos fãs da marca. Afinal, qual seria o futuro da empresa? Como funcionaria a paixão italiana pelos motores com o pragmatismo e a excelência tecnológica dos alemães?

Para celebrar essa efeméride -- e esclarecer as dúvidas --, a Infomoto conversou com o atual presidente-executivo da Ducati, Gabriele Del Torchio. Com experiência em outras empresas italianas, como Carraro, Azienda Padova Servizi e Ferreti (fabricante de iates de luxo), Del Torchio, 60, é o CEO da marca desde 21 de maio de 2007.

Desde que assumiu, a empresa vem colecionando excelentes resultados nas áreas de motovelocidade e comercial. A cada ano, as vendas aumentam ao redor do mundo. No ano passado, a Ducati chegou ao recorde de 44.102 unidades, aumento de 16% sobre o ano anterior.

Nesta entrevista, Del Torchio explica aos brasileiros o porquê da venda para a Audi e fala também sobre os planos futuros da companhia, nos quais o Brasil tem importante papel.

Infomoto -- Nos últimos anos, a Ducati tem conseguido bom desempenho em vendas, alcançando recorde atrás de recorde. Ainda assim a empresa foi vendida para a Audi. Por quê?
Gabriele Del Torchio -- Essa é uma pergunta muito bem colocada. Realmente temos alcançado bons resultados em vendas, tanto que 2012 foi o melhor ano na história da Ducati em todo o mundo. Como você sabe, por sete anos a Ducati foi controlada pelo Investindustrial, um grupo europeu de investidores que teve como objetivo melhorar a empresa e sua competitividade. A estratégia foi baseada em três pilares: desenvolvimento de novos produtos (Multistrada, Hypermotard e Diavel); internacionalização da empresa (tanto que atualmente 90% das motos são vendidas fora da Itália); e também o conceito de uma marca premium. A decisão de vender a Ducati não foi, portanto, devido a problemas financeiros, pelo contrário. A empresa está muito bem do ponto de vista financeiro e industrial. A venda tinha dois objetivos muito claros. O primeiro: aumentar o nível de caixa para futuros investimentos. O segundo era preparar um futuro sólido. Dentro dessa perspectiva, o grupo Audi reunia as melhores condições e por isso adquiriu a empresa.

Infomoto -- Agora que essa aquisição completa um ano, quais são os benefícios para a Ducati como empresa e marca? Vocês irão trocar experiências ou compartilhar tecnologias?
Del Torchio -- Eu diria que Audi e Ducati têm como estilo a busca pela inovação, pela tecnologia e excelência em seus produtos. Compartilham os mesmos ideais e diria que até a mesma paixão pelos seus produtos. Do ponto de vista prático, estar dentro do grupo Audi é muito importante para a Ducati. Pensando em uma estratégia de longo prazo, as empresas podem compartilhar os centros de pesquisa em busca de inovação em seus produtos. Além disso, a Audi é uma marca mundial e vai ajudar muito a Ducati em sua missão de se internacionalizar. Por exemplo, no Brasil, Audi e Ducati já dividem o mesmo escritório. Outro fator importante é que também futuramente poderão compartilhar as empresas de serviços financeiros. Enfim, tenho certeza que ser parte do grupo Audi fará da Ducati uma empresa ainda mais forte.

Infomoto -- Uma das razões para o sucesso da Ducati nos últimos anos foi o investimento em produtos de novos segmentos, como a Multistrada, a Hypermotard e a Diavel. Sob o comando da Audi, podemos esperar que a fábrica atue em novos nichos de mercado? Veremos um scooter Ducati?
Del Torchio -- Nós temos um planejamento para os próximos quatro anos, até 2016, aprovado pela Audi. O objetivo é confirmar nosso sucesso nos novos nichos que entramos. Queremos consolidar nossa participação entre motos grandes, acima de 500 cc, e também nos segmentos que inauguramos, como o de sport cruiser com a Diavel. Temos ainda a Hyperstrada, que estreou um novo segmento. Além de trabalhar nossos mais recentes lançamentos da linha de superesportivas, como a Panigale e Panigale R. Enfim, já temos uma estratégia traçada. Queremos é fortalecer o nosso line-up atual. Não digo que não vamos entrar em novos nichos, porém, pelo menos nos próximos anos.

Infomoto -- Atualmente qual o principal mercado mundial da Ducati?
Del Torchio -- Nosso principal mercado são os Estados Unidos, onde crescemos bastante nos últimos anos. Logo depois vem a Itália. Também tem a Alemanha, que fica em terceiro lugar. As vendas estão indo bem. Agora estamos investindo forte no Oriente, abrimos uma fábrica na Tailândia e as vendas nos mercados asiáticos também estão crescendo. Nosso próximo desafio é o Brasil e a América do Sul. Sabemos que temos muito trabalho no país para reconstruir nossa reputação, porque os brasileiros gostam da Ducati e a Ducati gosta do Brasil. Investimos na montagem por CKD e agora estamos trabalhando para atender nossos clientes. Queremos fazer do Brasil uma plataforma para ganharmos mercado na América do Sul. Ainda é cedo para fazermos uma previsão sobre o país, mas temos certeza que ele poderá ocupar um lugar de destaque entre os mercados da Ducati. [Nota da redação -- a primeira concessionária Ducati deve abrir suas portas na primeira quinzena de maio. A revenda ficará em São Paulo, na avenida Brigadeiro Faria Lima, 2.690].

Infomoto -- A Ducati tem uma forte tradição na motovelocidade. Sob o comando da Audi, a fábrica vai manter essa característica?
Del Torchio – Com certeza. Tanto a Audi como a Ducati têm forte identificação com esportes a motor. As duas empresas são muito atuantes nas pistas e certamente nossa atuação nas competições vai continuar.

Infomoto – A marca tem apelo emocional muito forte, em torno dos motores com comando desmodrômico. Considerando isso, o que você pode nos dizer sobre motos que utilizam formas alternativas de propulsão, como eletricidade, por exemplo? Motos elétricas podem ser tão emocionantes quanto motos a combustão?
Del Torchio -- Na Ducati, nós acreditamos fortemente na utilização de novas tecnologias. Mas, no momento, não vemos nenhum outro sistema de propulsão alternativa que possa entregar, no mesmo pacote, a emoção, a potência e o som único produzidos pelo motor de comando desmodrômico.

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