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Marcas apostam em ralis para fazer quadriciclo crescer no Brasil

Divulgação
Top de linha entre os side-by-sides da canadense Can-Am, o Commander Limited sai por R$ 69.415 Imagem: Divulgação

Carlos Bazela

Da Infomoto

28/02/2013 13h13

Nem carro nem moto. Os amantes do fora-de-estrada estão aderindo, aos poucos, a uma nova forma de encarar as trilhas: o quadriciclo -- ou simplesmente ATV, sigla de All Terrain Vehicle ("Veículo para Todos os Terrenos", em inglês).

Há ainda quem prefira os Side-by-side (ou UTV), uma espécie de bugue ultramoderno guiado por volante com assentos paralelos, semelhantes aos de um carro.

As marcas não poupam esforços e, além de rechear o mercado com uma grande variedade de produtos do gênero, investem em competições e passeios para difundir cada vez mais esse novo conceito de off-road.

POLARIS
Este é o caso da norte-americana Polaris. No Brasil desde o final do ano passado, a marca inaugura neste mês a Polaris Cup, competição na qual participam os proprietários dos UTVs RZR S 800 e RZR XP 900 -- e também do ATV Scrambler XP 850.

De acordo com Paulo Brancaglion, gerente de marketing da marca, a iniciativa de criar uma prova veio dos próprios consumidores. "Nós já fazíamos encontros aos finais de semana com os clientes e desses encontros surgiu a ideia de fazermos a competição", comenta o executivo.

Brancaglion afirma que a Polaris Cup tem três etapas programadas para acontecer este ano, todas em São Paulo, e já conta com 20 UTVs inscritos. As datas ainda não foram fechadas pelo fato de o torneio ser supervisionado pela CBM (Confederação Brasileira de Motociclismo) e também por conta do calendário de outras provas, como a Copa Troller, já que alguns competidores estão inscritos nas duas competições.

CAN-AM
Pela mesma trilha segue a Can-Am, divisão da BRP, pertencente ao conglomerado canadense Bombardier, que realizou no dia 3 de fevereiro, em São Luís (MA), o Can-Am Adventure Tours.

O percurso, totalmente off-road, reuniu os clientes da marca que adquiriram o ATV Renegade XXC ou uma das quatro versões do UTV Commander. No entanto, ao contrário de sua concorrente, o evento não foi exclusivo para produtos da marca. "São 50 eventos como esse por todo o Brasil durante o ano. Eles são direcionados para quem tem ATV ou UTV, independentemente da marca. Nosso objetivo é desenvolver o grupo", afirma Adilson Gaspar, especialista em Marketing da BRP.

Segundo Gaspar, "desenvolver o grupo" é a chave para que os proprietários de quadriciclos se sintam estimulados a entrar em competições, como o Campeonato Brasileiro de Rally Cross Country. "Nós damos a base. Temos guias ensinando o lado técnico e dando dicas de pilotagem. Depois de um tempo, alguns dos participantes já se sentem aptos para competir", informa.

O OUTRO LADO DA AVENTURA
Embora os ATVs ainda sejam os mais lembrados nas trilhas, os UTVs estão, aos poucos, ganhando espaço e atraindo tanto os pilotos de moto quanto os de carro. Na visão de Paulo Brancaglion, da Polaris, essa migração (principalmente para o motociclista) tem a ver com a idade. "O piloto vai ficando mais maduro e acaba indo para o UTV pela segurança. Alguns até chegam a dizer que não têm mais idade para fisioterapia", brinca.

Entre os pilotos de carros, tudo é questão de custo. "Os pilotos estão fazendo contas. Competir com uma picape, por exemplo, sai bem mais caro", avisa.

Mudar de estilo para cortar gastos foi exatamente o que fez Murilo Serrano, 46, que competiu por oito anos na Copa Mitsubishi pilotando uma L200. No ano passado, ele passou para a utilizar um Polaris RZR XP 900. "O rali judia muito do carro. No caso do UTV, ele é mais leve e sofre menos desgaste das peças. Fora que o preço é bem menor que o dos carros, apesar de caro", revela o piloto, que destaca também a emoção de guiar o pequeno veículo. "A adrenalina é maior, você tem vento no rosto e parece que está pilotando uma moto."

  • Arquivo pessoal

    Murilo Serrano, 46, competiu oito anos na Copa Mitsubishi e no ano passado começou a utilizar um Polaris RZR XP 900. "O rali judia muito do carro. Um UTV é mais leve e sofre menos desgaste das peças", afirma. Não é algo barato, mas sai mais em conta que usar carros e SUVs para competir.

MERCADO AQUECIDO
Com diversos aventureiros descobrindo os UTVs, não é de se estranhar que as vendas do segmento estejam movimentadas. "O mercado está em franco crescimento", afirma Adilson Gaspar, da BRP, sem revelar os números de venda empresa. Para a Polaris, a palavra de ordem é expansão, uma vez que a marca conta hoje com seis concessionárias ativas -- e pretende aumentar esse número para 15 até o final do ano.

Outra arma dos fabricantes são os novos produtos. Para agradar aos pilotos, a Can-Am começa a trazer para o Brasil em março o Maverick 1000 R. Ainda sem preço revelado, o novo UTV é o primeiro da marca no país com foco exclusivamente esportivo. "O Maverick foi lançado lá fora em outubro de 2012 e será apresentado oficialmente no mês que vem. Nós já pretendemos participar com ele da primeira etapa do Campeonato Brasileiro de Rally Cross Country, agora em março, em Barretos (SP)", revela Gaspar.

Mesmo com os UTVs sendo a bola da vez nas provas off-road, a Polaris optou por investir em um ATV na hora de trazer um novo produtos destinado ao uso esportivo. Com preço sugerido de R$ 46.990, o Scrambler XP 850 chegou ao Brasil neste mês. "A Polaris é mais focada em UTVs e a chegada do Scrambler representa o retorno da marca para o mundo esportivo", comenta Paulo Brancaglion.

A Polaris trouxe ao Brasil 15 unidades do Scrambler, mas anda não fala em expectativa de vendas anuais. O veículo irá concorrer diretamente com outros ATVs, como o Renegade XXC da Can-Am, cujo preço sugerido é de R$ 49.677.

Se você gostou da ideia e está planejando ir para a terra em um ATV, opções não faltam. No entanto, escolher entre um UTV e um ATV é como ter que optar entre um carro e uma motocicleta. Um dos fatores decisivos é o grau de afinidade do piloto com o guidão ou com o volante. Porém, se a sua opção for por um UTV, as opções do mercado têm preço salgado. Entre os modelos da Can-Am, por exemplo, os preços sugeridos do Commander ficam entre R$ 47.169 (para a versão com motor de 800 cc) e as quatro versões do Commander 1000 variam entre R$ 54.513 e R$ 69.415. E aí, vai encarar?

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