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Brutale 675 é porta de entrada para o mundo MV Agusta

Carlos Bazela/Infomoto
A nova MV Agusta Brutale 675 pode ser uma ótima companhia de viagem para os finais de semana Imagem: Carlos Bazela/Infomoto

Aldo Tizzani

Da Infomoto, em Varese (Itália)

23/11/2012 17h01

Visionário, Claudio Castiglioni, presidente da MV Agusta falecido no ano passado, vítima de uma grave doença, transformava sonhos em ícones de duas rodas. Sua principal obra de arte foi a F4, superesportiva de 1.000 cm³ e design futurista.

Hoje, quem comanda a empresa é seu filho, Giovanni. Preparado para dar novos rumos à companhia com a adoção de uma nova filosofia de trabalho, o jovem executivo de 32 anos tem como principal objetivo popularizar os modelos da chamada "Casa de Varese". E, consequentemente, ampliar a participação de mercado da MV Agusta em todo o mundo.

Para iniciar esta missão a escolhida foi a Brutale 675. Com um novo motor de três cilindros, a naked é a porta de entrada da marca em outros mercados (além do europeu) como, por exemplo, Estados Unidos, Ásia e, futuramente, Brasil.

A "B3", tradução de Brutale-três-cilindros, será montada e vendida no Brasil a partir de meados de 2013. Portanto, fomos até Varese, onde fica o QG da MV Agusta, para testar, com exclusividade, a caçula da linha Brutale.

QUALIDADE NOS DETALHES
Logo que chegamos, a moto já estava pronta para o teste: lavada, passada e "engomada". De estilo único, a B3 chama a atenção pelas linhas modernas e pela alta qualidade no acabamento. Destaques para a curta distância entre-eixos, quadro de alumínio em treliça, ponteiras de escape com três saídas e para as rodas de liga leve.

Com este visual radical e requintado, a MV Agusta Brutale 675 atrai muitos admiradores só pelo olhar, principalmente motociclistas mais jovens que querem um produto diferenciado.

Quando o piloto sobe na moto, dá o "start" e começa a rodar, a impressão que se tem é que a naked italiana foi feita exclusivamente para você. Em função do desenho da moto e posicionamento do guidão e das pedaleiras, a ergonomia beira a perfeição. O ponto mais alto é de como o piloto "veste" a moto.

As pernas encaixam-se bem no tanque de combustível -- parece que os joelhos vão se encontrar sob o reservatório de gasolina -- e os pés ficam confortavelmente posicionados nas pedaleiras. O banco é bem estreito, mais esportivo que urbano. Dessa forma, o piloto se torna parte integrante da máquina, com o corpo levemente inclinado à frente.

Com 810 mm de altura do assento, qualquer motociclista com 1,70 m de altura tem condições de colocar os pés no chão sem maiores problemas. Já pilotos com mais de 1,80 m sentirão certo desconforto ao se encaixarem na moto. Manobrar a moto em baixa velocidade ter certa dificuldade: o ângulo de esterço é reduzido. Por outro lado, a moto tem apenas 167 kg que, aliados ao entre-eixos curto, lhe conferem muita maneabilidade.

MOTOR ELÁSTICO
A principal característica dos motores de três cilindros é oferecer torque desde as baixas rotações, como em bicilíndrico, mas esbanjando potência como nos modelos de quatro cilindros. Resumindo: o compacto e elástico motor de três cilindros da Brutale 675 oferece o melhor dos dois mundos.

A moto traz curvas de potência e torque bastante amplas, o que lhe garante facilidade na condução diária, sem deixar de lado desempenho esportivo em estrada ou pista. Ideal para uma estrada travada, cheia de curvas de média e alta velocidade. Trata-se, portanto, de uma moto gostosa e divertida para se pilotar em uma saída de curva ou ainda pode ser a companheira perfeita para um bate e volta à praia de final de semana.

O motor da "Brutalina" tem 110 cv e 6,63 kgfm de torque. Na prática, a brincadeira começa a 4.000 rpm; entre 7.000 e 8.000 rpm o uso é bastante racional; e a partir das 10.000 rpm a diversão está garantida, com um comportamento radical quase insano. Nessas altas faixas de giro, a naked italiana se transforma numa esportiva. É bastante potência para um motor de 675 cc. Com pouca vibração. Confira a ficha técnica:

MV Agusta Brutale 675
+ Motor: Tricilíndrico, DOHC, 12 válvulas, refrigeração líquida.
+ Potência: 110 cv a 12.500 rpm.
+ Torque: 6,63 kgfm a 12.000.
+ Câmbio: Seis marchas.
+ Alimentação: Injeção eletrônica.
+ Dimensões: 2.085 mm x 725 mm x n/d (CxLxA).
+ Peso: 167 kg.
+ Tanque: 16,6 litros.
+ Preço: 8.900 euros (ainda não há previsão de preços para o Brasil).

AUXÍLIOS ELETRÔNICOS
Para auxiliar no bom rendimento do motor, a moto conta com um acelerador eletrônico (ride-by-wire). A B3 traz ainda acionamento macio da embreagem e o câmbio de seis marchas oferece engates suaves e precisos. Outro diferencial do modelo é a tecnologia MVICS (Motor & Vehicle Integrated Control System), que confere quatro configurações de gerenciamento do motor -- rain, sport, normal e personalizado -- e oito níveis de acionamento do controle de tração.

Durante o teste, o modo utilizado foi o Normal (a letra "N" é exibida no painel de cristal líquido) e utilizamos o controle de tração e três níveis: "0", "5" e "8", cujo acionamento é feito por meio de um pequeno seletor localizado no punho esquerdo. Fácil e intuitivo. Para os motociclistas mais "sensíveis", as mudanças de comportamento do motor são perceptíveis. Mas, para um calouro, saber que pode contar com uma ampla gama de ajustes transmite muita segurança na tocada. Até porque, em caso de derrapagem, o sistema é capaz de intervir sobre a posição do acelerador e o avanço de ignição, restaurando a aderência do pneu.

REFINADA
Mesmo sendo o produto de entrada da família Brutale, a 675 conta com equipamentos de primeira linha. Na dianteira, garfo invertido de 43 mm de diâmetro e 125 mm de curso (sem regulagem). Na traseira, monoamortecedor progressivo de 119 mm de curso, da grife Sachs, regulável e com ajuste na pré-carga da mola. É muito difícil analisar o sistema de amortecimento da Brutale 675, já que as estradas italianas são "tapete". Porém, sem ondulações ou buracos pela frente, a moto desliza com propriedade e transmite segurança.

Falando nisso, o sistema de freios da B3 é simplesmente "brutal", com reações pra lá de instantâneas. Derivado da esportiva F3, o conjunto traz dois discos dianteiros de 320 milímetros de diâmetro, com pinça de fixação radial de quatro pistões. E, na traseira, discos simples de 220 mm de diâmetro e pinça de dois pistões. Ambos da grife Brembo.

Para frenagens eficientes, o piloto deve acionar o manete/pedal de forma muito suave, já que o freio funcionará de forma progressiva. Se apertar o manete com muito ímpeto, o motociclista corre o risco de executar um "RL", manobra radical na qual a roda traseira sai do chão. Involuntariamente. Apesar de o modelo não adotar freios ABS, o sistema é eficiente, como o das suas irmãs mais velhas.

OU SEJA...
O resumo de tudo isso é que a B3 é estável, tranquila de se pilotar e oferece extrema facilidade para mudança de direções. Na Europa, a moto está disponível em três cores: vermelho/prata, branco/dourado e cinza/preto. A partir de 8.990 euros.

No Brasil, o modelo chega em 2013. Até lá, o produto passará por várias etapas para sua homologação final e liberação para ser comercializada em território nacional. Por enquanto, só nos resta esperar. E, principalmente, torcer para que seu preço não exceda a casa dos R$ 40 mil, levando-se em consideração o que é cobrado por ela no exterior e o valor de suas concorrentes no Brasil.

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