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Next 250, a R$ 10.190, é arma da Dafra para abocanhar mercado brasileiro

Zhung/Divulgação
Dafra Next 250 vai disputar mercado com Honda CB 300R e Yamaha Fazer 250 Imagem: Zhung/Divulgação


Arthur Caldeira

Da Infomoto, em Taiwan*

11/04/2012 14h25

Com o sugestivo nome de Next ("próxima" em inglês) a nova 250cc é a arma da Dafra para disputar o segmento de motos street de 250/300 cc. Nicho visto pelos fabricantes como a evolução natural dos milhões de proprietários de motos de 125 e 150cc, as vendas nessa faixa de cilindrada voltada para o uso urbano gira em torno de 120.000 unidades anuais. Apesar das previsões modestas no primeiro ano – em torno de 10.000 unidades -, a Dafra Next 250 irá enfrentar dois modelos consagrados e que já caíram no gosto do motociclista que busca sua próxima moto: a líder Honda CB 300R e a vice, Yamaha YS 250 Fazer.

A Next 250 é mais um produto da parceria entre a Dafra e a taiwanesa SYM -- o outro é o scooter Citycom 300i. Lançada em Taiwan no final de 2011, o modelo recebeu mudanças para o mercado brasileiro. Além dos necessários ajustes no conjunto de suspensões e na injeção eletrônica, a Dafra reforçou a proposta urbana e alterou a posição de pilotagem. O guidão foi reposicionado e as pedaleiras modificadas, tudo para garantir maior conforto para o motociclista rodar diariamente por ruas e trânsito caóticos. O modelo produzido pela SYM para a Ásia e também para a Europa tem pedaleiras mais recuadas e guidão mais baixo, portanto uma vocação mais “esportiva”, entre aspas mesmo.

Apesar da clara proposta urbana, o lançamento da Next 250 para a imprensa brasileira aconteceu na pista do novo circuito de Pen Bay, no sul da ilha de Taiwan. Pode parecer contraditório, mas há um forte motivo. Com um mercado formado praticamente por scooters de baixa cilindrada, o país asiático não permite a circulação de veículos de duas rodas nas estradas e vias de trânsito rápido (saiba mais sobre o trânsito de Taiwan aqui ou no quadro ao longo desta reportagem). Assim, a única saída foi avaliar a Next na pista.

DESENHO E ACABAMENTO
Ao colocar os olhos na Next já se pode identificar um produto novo que segue as tendências atuais: farol poligonal, uma pequena carenagem sobre o painel, linhas angulosas, escapamento curto, setas transparentes e lanterna traseira com LEDs. Completam o desenho uma bela roda de liga-leve e spoiler sob o motor.

Olhando com mais atenção, vale ressaltar o bom nível de acabamento. Peças plásticas bem encaixadas e sem rebarbas, escapamento em aço inox, motor pintado de preto e sem fios aparentes. O banco bipartido ainda conta com tecido antiderrapante. O modelo traz até ajuste do freio dianteiro no manete -- item muitas vezes presente apenas em motos maiores. As mangueiras de freio ainda são revestidas em malha de aço ("aeroquip") completando o trabalho cuidadoso da fábrica taiwanesa.

Taiwan e o domínio dos scooters

  • Arthur Caldeira/Infomoto

    Taiwan não é a China: enquanto muitas cidades chinesas proíbem a circulação de motos, em Taiwan eles rodam livremente.

    Mas também não é o Brasil: assim como ocorre na China, não se pode rodar de moto nas rodovias e estradas de Taiwan. Daí o domínio de scooters.

    Há também muita tolerância no trânsito: nas saídas de semáforos há um espaço reservado para scooters fazerem conversões em grandes avenidas. Há 1.206.179 veículos de duas rodas circulando, além dos carros, mas o trânsito funciona.

MOTOR
As duas aletas laterais de plástico fixadas ao tanque escondem a principal novidade da Next perante suas concorrentes: o radiador. O motor monocilíndrico de 249,4 cm³, comando simples no cabeçote (SOHC) e quatro válvulas conta com sistema de refrigeração líquida que, na teoria, permite giros mais altos e um melhor desempenho. Além disso, conta com cilindro revestido em cerâmica, como a Yamaha Fazer.

Alimentado por injeção eletrônica Keihin, o propulsor produz 25 cavalos de potência máxima a 7.500 rpm -- mais do que a Fazer (21 cv) e próximo da CB 300R (26,5 cv). O torque máximo de 2,75 kgfm chega aos 6.500 giros -- também superior ao modelo Yamaha e próximo do oferecido pela Honda.

Equipado com partida elétrica, o motor acorda facilmente e demonstra um funcionamento bastante suave. A aceleração é condizente com uma moto da categoria. A Dafra declara que a nova Next 250 faz de 0 a 100 km/h em 11,92 segundos.

Já a velocidade máxima real (declarada) é de 128 km/h. O número é bastante plausível e, inclusive, na principal reta do circuito de Pen Bay, com pouco mais de 500 metros, foi possível alcançar os 132 km/h no velocímetro. O desempenho do motor em geral é semelhante ao de suas concorrentes.

Exceto pelo câmbio, já que outro diferencial da Next 250 fica por conta da presença de seis marchas, uma a mais que as concorrentes. A sexta marcha funciona como uma espécie de overdrive, mantendo a velocidade com rotações mais baixas. Na teoria, isso funciona e torna a moto mais econômica. Mas na prática, em uso urbano, a relação de todas as marchas fica alterada fazendo com que o motociclista precise cambiar demais.

Na pista, o que se nota é que a Next 250 consegue manter a velocidade na última marcha. Mas em um trecho levemente inclinado é preciso reduzir para a quinta, para evitar perda de giro.

FICHA TÉCNICA: Dafra/SYM Next 250

Motor:Monocilíndrico, 249,4 cm³, SOHC, 4 válvulas, com refrigeração líquida.
Potência:25 cv a 7.500 rpm.
Torque:2,75 kgfm a 6.500 rpm.
Câmbio:Seis marchas.
Alimentação:Injeção eletrônica.
Tanque:14 litros.
Suspensão:Garfo telescópico com 110 mm de curso (dianteira). Monoamortecedor com 129 mm de curso (traseira).
Freios:Disco simples de 260 mm com pinça de dois pistões (dianteiro). Disco simples de 220 mm com pinça de um pistão (traseiro).
Chassis:Tipo diamante.
Dimensões:2.005 mm x 790 mm x 1.050 mm (C x L x A). 790 mm (altura do assento), 170 mm (altura mínima do solo), 1.320 mm (entre-eixos).
Peso:170,6 kg (em ordem de marcha).

PILOTAGEM
Se o motor inova por ter refrigeração líquida, na ciclística a Dafra Next 250 apela para receitas tradicionais do segmento. O quadro tipo diamante abraça o motor e traz garfo telescópico convencional, na dianteira, e balança traseira monoamortecida. Claramente ajustado para garantir conforto o conjunto apresentou maciez na medida e, mesmo em uma pilotagem esportiva na pista, não demonstrou oscilações demais.

Difícil fazer alguma análise mais profunda do funcionamento das suspensões no uso cotidiano, afinal o novíssimo asfalto do recém-inaugurado circuito de Pen Bay é bastante diferente das ruas brasileiras. Aparentemente, o conjunto funciona de acordo com sua proposta. Pilotando no trecho sinuoso do circuito, a Next 250 apresentou um comportamento bastante arrojado para seu porte. Nas curvas, o limite é ditado pelas pedaleiras que começam a raspar no asfalto em pilotagens mais ousadas. Em curvas de alta ou baixa velocidade, a pequena Next 250 não se intimida: deitando até o limite, seu chassi não demonstra torções.

Vale notar, entretanto, que o ângulo de esterço do modelo é bastante limitado. Parada nos boxes, a Next demandou uma grande curva para ser manobrada, característica que pode prejudicar o uso urbano. Mas para afirmar com certeza é preciso rodar com o modelo no trânsito brasileiro.

Na pista de Taiwan, ajudaram bastante na aderência em curvas os bons pneus Pirelli Sport Demon, nas medidas 110/70-17 (à frente) e 130/70-17 (atrás), ambos montados em aros de 3 polegadas de largura. Vale ressaltar que o equipamento é o mesmo utilizado nos modelos Honda e Yamaha.

O único ponto a ser criticado fica por conta do funcionamento dos freios. Equipada com disco nas duas rodas (260 mm de diâmetro à frente e 220 mm atrás), a Next 250 tem freios razoáveis,que proporcionam frenagens seguras e controladas de acordo com a categoria. Porém, em frenagens mais exigentes, é preciso fazer força extra no manete. Novamente, deve-se fazer considerações: as unidades avaliadas eram zero-quilômetro e as pastilhas precisam de tempo para "assentar".

Na posição de pilotagem, vale destacar o bom espaço para o piloto e a baixa altura do assento, a 790 mm do solo. O banco também conta com uma espuma de alta densidade e mesmo após três baterias de 20 minutos pilotando na pista não cansou o piloto.

De toda forma, só é possível dar o veredicto para a Next em seu habitat natural, ou seja, na cidade, trafegando entre os carros, desviando do trânsito e freando para evitar as armadilhas do cotidiano.

RIVALIDADE
Neste primeiro contato, a Next 250 nos leva à conclusão de que a Dafra buscou um produto novo e com qualidade para concorrer no segmento street de 250/300 cc. A moto conta com motor de bom desempenho, conjunto ciclístico equilibrado, design atual e itens diferenciados -- painel digital completo, sensor de cavalete lateral, banco bipartido, mangueiras de freio em malha de aço e regulagem do freio no manete. A princípio, são três opções de cores: vermelha, preta e pérola (branca).

A Dafra Next 250 chega às concessionárias da marca em 15 de abril, com outra grande qualidade para abocanhar uma fatia de mercado, um preço competitivo. Cotada a R$ 10.190, custa menos do que Yamaha YS 250 Fazer (R$ 11.279) e Honda CB 300R (R$ 11.690).

* Viagem a convite da Dafra Motos

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