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Honda CB 1000R nacionalizada une potência a preço competitivo

Infomoto
Design concebido na Europa da CB 1000R inspirou atual linha brasileira da Honda Imagem: Infomoto

Da Infomoto

17/11/2011 16h39

Cada vez mais as motos superesportivas são projetadas, desenvolvidas e fabricadas para uma coisa: andar rápido nas pistas. Com assentos cada vez menos confortáveis e posições de pilotagem mais agressivas, as superesportivas não animam a pegar a estrada e rodar centenas de quilômetros. Mas ter a potência na casa dos três dígitos e uma ciclística ágil nas curvas agrada a muitos motociclistas. E se as esportivas fizessem apenas algumas concessões? Que tal um guidão mais largo e um motor com mais torque em baixas rotações? Pois é justamente essa a proposta da Honda CB 1000R, apresentada no último Salão Duas Rodas, em São Paulo.

Com motor baseado na CBR 1000RR, a nova naked da marca japonesa tem como objetivo agradar aos consumidores que buscam toda a emoção e as centenas de cavalos de potência de uma superesportiva, mas em um pacote mais amigável e confortável. E, no caso da CB 1000R, embalado em um desenho bastante moderno que atualmente norteia todos os modelos naked da Honda.

BONITA AO OLHAR
Apresentada no Salão de Milão de 2007, a CB 1000R é um projeto da Honda Itália. Desenhada no centro de desenvolvimento na cidade de Atessa, a streetfighter -- como são chamadas as nakeds de rua derivadas diretamente dos modelos de pista -- tem seu design agressivo um de seus pontos fortes. Aos brasileiros, um aviso: é a nova Honda Hornet 2012 que segue as linhas da CB 1000R e não o contrário.

O desenho é marcado pelo conjunto óptico trapezoidal, que traz o painel embutido e um grande canhão de luz na extremidade inferior, até terminar em uma rabeta bastante minimalista e curta. Hoje até mesmo a pequena CB 300R tenta "imitar" suas linhas.

A exclusividade do modelo de 1.000cc fica por conta da suspensão traseira monobraço, que deixa exposta a bela roda de liga leve com desenho de quatro pontas. O enorme motor de quatro cilindros em linha com o escapamento centralizado dá o toque final. Mostrando que a CB 1000R não é simplesmente uma Hornet anabolizada.

FICHA TÉCNICA: Honda CB 1000R C-ABS

Motor:Quatro cilindros em linha, 998,3 cm³, 16 válvulas, DOHC, arrefecimento líquido.
Potência máxima:125,1 cv a 10.000 rpm.
Diâmetro e curso:75,0 x 56,5 mm.
Taxa de compressão11,2:1.
Alimentação:Injeção eletrônica. Partida elétrica.
Tanque:17 litros.
Câmbio:Seis velocidades, transmissão final por corrente.
Quadro:Tipo diamante em alumínio.
Suspensão:Garfo telescópico invertido, com 120 mm de curso e 109 mm de diâmetro e regulagens (dianteira); monoamortecida, 128 mm de curso e 10 regulagens na pré-carga da mola (traseira).
Freios:Discos duplos flutuantes com 310 mm de diâmetro e pinça com três pistões (dianteira); disco simples com 256 mm de diâmetro e pinça de duplo pistão (traseira).
Dimensões:2.105 x 8 mm (CxLxA); 130 mm (altura mínima do solo); 825 mm (altura do assento); 1.445 mm (entre-eixos)
Pneus:120/70 – ZR17 M/C 58W (dianteiro); 180/55 – ZR17 M/C 73W (traseiro).
Peso a seco:204 kg (Standard), 208 kg (C-ABS).

MOTOR AMIGÁVEL
As diferenças começam, é claro, no propulsor tetracilíndrico de 998,3 cm³ de capacidade, derivado do motor da CBR 1000RR 2007. Os engenheiros da Honda apostaram em um diâmetro menor e um curso maior dos cilindros (75 mm x 56.5mm comparado aos 76mm x 55,1mm da esportiva), o que reduziu a capacidade do motor em um centímetro cúbico e diminuiu a taxa de compressão de 12,3:1 para 11,2:1.

Adotou também novos corpos de aceleração com 36 mm e dotou a CB 1000R com um sistema de exaustão 4 em 1 com uma válvula que regula a saída de gases em baixas rotações. Mantendo o duplo comando de válvulas no cabeçote, refrigeração líquida e a alimentação por injeção eletrônica, o propulsor foi recalibrado para oferecer mais torque e potência em baixas e médias rotações.

Vale dizer que, mesmo na versão esportiva, esse propulsor já tinha essas qualidades, agora imagine nessa naked. Torque suficiente para levantar a roda dianteira até mesmo em terceira marcha e potência à vontade para manter velocidades elevadas.

Os números confirmam a impressão de pilotagem na pista: são 125 cavalos a 10.000 rpm e 10,1 kgfm a 7.750 rpm. Aquele tipo de motor que serve para todos os motociclistas, sejam eles mais comportados que curtem rodar em uma marcha alta com baixas rotações, ou aqueles que gostem de pilotar com os giros do motor lá em cima em marchas menores. Para isso contribui a relação bem curta do câmbio de seis marchas da CB 1000R.

BOA DE PILOTAR
No melhor exemplo de design funcional, a rabeta minimalista e o escapamento centralizado da nova Honda CB 1000R não a deixam apenas bonita, mas também contribuem para uma de suas principais qualidades: a facilidade de pilotagem. Em função da boa concentração de massas no centro da moto, a CB 1000R é mais fácil de pilotar do que aparenta.

Quando o motor coloca essa naked em movimento, você até se esquece que está em uma moto de 1.000cc, tamanha é sua agilidade para mudar de direção, mesmo com a geometria do quadro em alumino ter sido alterada em relação à superesportiva -- o trail e ângulo de cáster são maiores e com isso também é maior a distância entre-eixos. Na prática isso resulta em uma moto ainda ágil, porém menos arisca que a 1000RR.

Entretanto, o que realmente muda toda essa equação ciclística é o guidão mais largo e alto, bem ao estilo conforto que o motociclista busca em uma naked. Basta um pequeno contra-esterço para a CB 1000R mude de direção. O incrível é que mesmo em altas velocidades, a naked mantém sua estabilidade. Os engenheiros da marca realmente acharam o ponto de equilíbrio entre um guidão largo, maiores ângulo de cáster e entre-eixos e uma tocada mais esportiva.

Nesse quesito estabilidade, vale destacar o conjunto de suspensões. Na dianteira, o garfo telescópico invertido com diversas regulagens é digno de motos esportivas, assim como é o amortecedor ancorado por links no belo monobraço traseiro. Mantém a trajetória da CB 1000R quando utilizada na pista e absorve as imperfeições do piso na estrada.

NATURALIDADE
Primeiro, pudemos testar a novidade da Honda em uma pista, confirmando sua vocação mais esportiva, e depois na estrada, verificando como a moto se sai no uso que a maioria de seus futuros proprietários dará a ela.

O banco mais largo e macio e o guidão alto fazem o motociclista se sentir em casa logo após alguns quilômetros sobre a CB 1000R. A posição de pilotagem ereta e as pedaleiras fixadas mais abaixo do que na CBR 1000RR proporcionam uma posição bastante natural e confortável.

Na cidade, e em velocidades até 80 km/h, a proteção aerodinâmica proveniente do conjunto óptico que abriga o belo painel digital é suficiente para desviar o vento. Mas em uma estrada a mais de 100 km/h sua eficácia é praticamente nula. Aí você acaba se lembrando que existem radares e limites legais, afinal é bastante fácil atingir velocidades absurdas com esse motor de 125cv.

Dotada dos bons freios Combined ABS da Honda, a CB 1000R também transmite segurança caso você precise reduzir a velocidade. Na dianteira, há discos duplos de 310 mm e pinça de três pistões (na versão sem ABS são apenas dois), e na traseira há um disco simples de 256 mm e pinça dupla. Bastante eficazes, saíram-se bem tanto no uso mais extremo (na pista) e no uso comum (na estrada).

MERCADO
Bastante elogiada no exterior, a Honda CB 1000R chega ao Brasil com uma das melhores armas para enfrentar a concorrência: preço competitivo em função de ser nacionalizada e montada em Manaus (AM). A versão standard (sem C-ABS) tem preço público sugerido de R$ 37.800 e a versão com ABS, R$ 40.800 -- ambos sem frete, óleo e seguro. Valores altos, mas ainda interessantes se compararmos com sua única concorrente direta, a Kawasaki Z1000 cotada a R$ 45.035 e R$ 50.090 (com ABS).

Vale dizer que a Kawa tem motor de 138 cv e um desenho bastante agressivo. Como é característico da marca, seu comportamento também é mais arisco, o que pode agradar alguns e desagradar outros.

De qualquer forma, a bela CB 1000R é quase uma esportiva, porém nua e mais amigável. Ideal para quem gosta de esportividade, mas não abre mão de conforto e usabilidade. (por Arthur Caldeira)

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