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Misto de moto e carro, triciclo Can-Am Spyder é divertido de pilotar

Doni Castilho/Infomoto
Inusitado, tricilo da BRP exige prática para que possa ser aproveitado ao máximo Imagem: Doni Castilho/Infomoto

Da Infomoto

12/08/2011 17h03

Ampliando a gama de modelos do seu inovador triciclo Can-Am Spyder, a BRP, divisão de produtos recreativos da Bombardier, trouxe para o Brasil agora em 2011 a versão RS-S. Com pintura fosca em todo o veículo, spoilers dianteiros, rodas de liga-leve de seis pontas e um assento diferenciado, o Spyder RS-S aposta nesse visual novo para parecer mais esportivo. Porém, na prática e mecanicamente não traz novidades. A mesma arquitetura em "Y" -- com duas rodas na dianteira e uma roda motriz na traseira -- equipada com muita tecnologia embarcada para segurar a fúria do propulsor de dois cilindros em V.

Feito para quem quer experimentar uma nova forma de pilotar ou simplesmente para quem quer convencer a esposa (ou namorada) a subir na garupa e viajar, o Spyder RS-S traz diversos auxílios eletrônicos para evitar acidentes: controle de estabilidade, para evitar capotagens ou trajetórias erradas em curvas; controle de tração para evitar derrapagens na roda traseira; e eficientes freios a disco com sistema ABS acionados por um pedal, mas que atuam nas três rodas.

APRENDIZADO
Toda a eletrônica e a preocupação com a segurança fizeram com que a BRP exigisse entregar o veículo em uma rua calma para que seu representante me desse uma aula sobre como pilotar o veículo. Apesar do excesso de cautela, são necessárias algumas dicas mesmo para ligar o Spyder. Ao girar a chave, uma mensagem de segurança na tela de LCD exige que você pressione a tecla "Mode", localizada no painel ou no punho esquerdo. Só então é possível dar a partida no motor. Mas ainda não é possível sair: antes é preciso soltar com o pé o freio de estacionamento, localizado atrás da pedaleira esquerda.

A partir daí, basta engatar a marcha no câmbio seqüencial de cinco velocidades e acelerar. Não com muito ímpeto, pois o motor Rotax de dois cilindros em V e 998 cc tem torque de sobra! E nem todo o aparato eletrônico evita uma cantada de pneu, caso o piloto exagere na dose ao girar o acelerador. O pneu traseiro canta e deixa uma marca de borracha no asfalto em arrancadas mais ousadas. Algo um pouco perigoso, mas vale dizer, bem divertido.

 

FICHA TÉCNICA:Can-Am Spyder RS-S

Motor:Dois cilindros em V, 998 cm³, 8 válvulas, DOHC, arrefecimento líquido.
Potência máxima:106 cv a 8.500 rpm.
Torque máximo:10,6 kgfm a 6.250 rpm.
Câmbio:Cinco marchas, automático sequencial com ré. Transmissão final por correia.
Alimentação:Injeção eletrônica de combustível.
Chassi:SST Spyder.
Suspensão:Dianteira em duplo A com barra anti-torção e 145 mm de curso; Traseira por balança monoamortecida com 145 mm de curso ajustável na pré-carga.
Freios:Dianteiros por disco flutuante de 260 mm e pinça de quatro pistões; Traseiro com disco de 260 mm com pinça de pistão simples.
Pneus:Dianteiros: 165/65-R14; Traseiro: 225/50-R15.
Dimensões:2.667 mm x 1.506 mm x 1.145 mm (C X L X A); 1.727 mm (entre-eixos); 737 mm (altura do assento); 115 mm (distância do solo)
Peso:317 kg a seco.
Tanque:27 litros.

As trocas de marchas no câmbio seqüencial são feitas por botões no punho esquerdo: não há embreagem, mas o câmbio não é automático, o piloto precisa subir as marchas. Na hora de reduzir, pode relaxar. Conforme a velocidade diminui ou os freios são acionados, o sistema reduz para uma marcha adequada -- até chegar a primeira em caso de parada. As trocas são suaves desde que feitas nas rotações adequadas.

Caso tente esticar demais as marchas ou reduzir bruscamente, o câmbio dá trancos. Há ainda marcha ré para se manobrar os 317 kg a seco e os mais de 2,6 metros de comprimento.

ESTABILIDADE
Embora aparente ser muito estável, o Spyder é arisco demais nas mudanças de direção. Aqui vale ressaltar minha inexperiência com triciclos: já pilotei motos e quadris, mas em veículos de três rodas foi minha estreia. Nos primeiros quilômetros, mexia demais o guidão e as respostas no trem dianteiro são instantâneas e chegam a assustar no início, mesmo em retas.

Com o passar do tempo, percebi que tinha de ser um pouco mais suave ao guidão do Spyder. A partir daí pude brincar um pouco mais para testar o desempenho do motor Rotax com injeção eletrônica. Com 107 cavalos de potência máxima declarada (a 8500 rpm), o V2 demonstra bastante vigor e mantém com facilidade 130 km/h. A aceleração, quando se reduz uma marcha, também chama atenção. O torque de 10,6 kgf.m a 6.250 rpm leva em poucos segundos o veículo a 150, 160 km/h. A velocidade máxima ficou em 190 km/h. Mais que suficiente para se viajar com segurança. Já o consumo se assemelhou a de um automóvel: em torno de 12,5 km/l -- o tanque tem capacidade para 27 litros.

Nas curvas é que se sente mesmo a eletrônica entrando em ação. Caso você exagere na velocidade ou acelere cedo demais na curva, é possível perceber o VSS (Vehicle Stability System, sistema de estabilidade do veículo) entrar em ação para corrigir sua trajetória. O sistema corta a ignição do motor, a velocidade diminui e é possível retomar o controle do triciclo. De série em todas as versões, a tecnologia embarcada me pareceu fundamental para que qualquer um possa pilotar o Spyder. Na minha opinião, caso não houvesse tal sistema, a pilotagem, principalmente em curvas exigiria certa destreza do piloto.

IDENTIDADE
Nem carro e nem moto, o triciclo Can-Am Spyder parece sofrer com certa crise de identidade. Para pilotá-lo, no Brasil, é necessário carteira de habilitação categoria “A”, ou seja, para motocicletas. A lei -- e o bom senso também -- exige então o uso de capacete. Porém, na hora de passar o pedágio em rodovias, o veículo é tributado como automóvel de passeio. Com seu design inusitado em forma de “Y”, a própria BRP (a divisão de produtos recreativos da Bombardier) evita chamá-lo de triciclo, prefere a nomenclatura roadster.


O Spyder sofre ainda com certo preconceito. Rodei cerca de 300 km e encontrei alguns motociclistas em paradas e postos de combustível. A maioria diz que o Spyder é feito para quem tem medo de moto. Não concordo plenamente com a ideia, porém, já que a pilotagem não é assim das mais simples: exige certa familiaridade com guidões.

A proposta do Spyder é ser um veículo diferente para viajar: conta até com um pequeno porta-malas na dianteira. Com isso em mente, ponto negativo para o pequeno para brisa da versão RS-S. Na estrada o vento incomoda demais e faz muito barulho. Se você optar por essa versão, reserve algum dinheiro para investir em uma para brisa maior na vasta lista de opcionais do modelo.

Imponente e chamativo, o Can-Am Spyder RS-S, versão mais esportiva e top de linha da família RS, custa praticamente o mesmo que uma moto esportiva: R$ 63.900 (sem frete). A escolha fica por sua conta: três, é demais?
(por Arthur Caldeira)

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