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Honda VFR 1200F chega para ditar tendência

Doni Castilho/Infomoto
Nova sport-touring japonesa inova com câmbio automático e sistema de dupla embreagem, custa menos que sua principal concorrente e deixa outras marcas para trás Imagem: Doni Castilho/Infomoto

Da Infomoto

13/05/2011 18h55

Inovadora, única, futurista, enfim, diferente! Foi com essa perspectiva que recebemos a Honda VFR 1200 F para, depois de apresentá-la, finalmente realizar seu teste. Foram exatos 457 quilômetros percorridos por estradas e cidades para testar a nova sport-touring da marca japonesa que, por R$ 69.900,00, chega com ousadia em busca de um espaço no segmento.

O grande trunfo da VFR 1200F é o câmbio automático e o inédito (em motocicletas) sistema de duas embreagens, chamado de Dual Clutch Transmission (DCT). O câmbio é auxiliado por duas embreagens que trabalham em conjunto. Enquanto uma opera as marchas ímpares (1, 3, 5) a outra se encarrega de engrenar o conjunto par (2, 4, 6). Com o auxílio desta “engenhoca”, o piloto pode se preocupar somente em selecionar o câmbio -- automático ou manual -- e acelerar.

E para rugir com exclusividade, a Honda fugiu do comum até mesmo no motor: adotou um quatro cilindros em "V". Mantendo a proposta de ineditismo no modelo, a fabricante japonesa ainda inovou na carenagem da VFR 1200F, chamada de Double Layer, dupla camada em português. Desta forma, a marca conseguiu esconder parafusos e dar um ar futurista ao seu novo modelo, condizente com toda a tecnologia.

EXPERIÊNCIA NOVA
Piloto moto há 15 anos e diversos modelos já passaram em minhas mãos. Saio de um scooter, sento em uma superesportiva e assim sucessivamente. A VFR 1200F quebrou os paradigmas que tinha durante todos estes anos. Em uma só palavra, poderia dizer que a nova sport-touring japonesa é surpreendente. Primeiro porque a ausência de manete de embreagem e pedal de câmbio por si só já causam estranheza.

A sensação é muita parecida com a primeira vez que se senta em um carro automático. Aliás, as analogias são muitas. Antes de partir com a VFR 1200F, solte o freio de mão. Isso mesmo, como o DCT é controlado eletronicamente, toda vez que a moto é desligada, o neutro é acionado automaticamente. Portanto é imprescindível lembrar-se de puxar o freio de mão para estacionar esta motocicleta.

Depois, no punho direito, acione o botão "D", logo após levantar o descanso lateral. No modo Drive, basta acelerar. São 264 kg a seco que podem ser levados apenas pelo acelerador, com pé e mão esquerda totalmente sem função. Claro que as duas mãos devem estar posicionadas no guidão por uma questão de segurança, mas experimente sair do farol com seu lado esquerdo relaxado... não há uma pessoa que conheça motocicletas que não olhe espantada.


Entretanto, nem tudo é uma maravilha. No modo "D" a VFR 1200F sobe as marchas muito "cedo", em médias rotações, a fim de proporcionar conforto. Todavia, de um farol para o outro, por exemplo, o câmbio automático já engata a quinta, sexta marcha, o que dificulta a frenagem. Você sentirá a ausência do freio motor, já que precisará parar apenas utilizando os freios; uma sensação estranha.

FICHA TÉCNICA: Honda VFR 1200F

Motor:Quatro cilindros em "V", 1236,7 cm³, OHC, 4 tempos, refrigeração líquida .
Potência máxima:172,7 cv a 10.000 rpm
Torque máximo:13,2 kgfm a 8.750 rpm.
Câmbio:Automatizado, seis velocidades, com transmissão final por eixo cardã.
Suspensão:Dianteira com garfo telescópico invertido. Traseira monoamortecida.
Freios:Dianteiro com disco duplo com 320 mm de diâmetro e pinças de seis pistões. Traseiro a disco simples com 276 mm de diâmetro e pinça de pistão duplo.
Pneus:120/70 ZR17 (dianteiro)/ 190/55 ZR17 (traseiro).
Dimensões:2.244 mm (comprimento); 1.222 mm (altura); 740 mm (largura); 1.545 mm (entre-eixos); 815 mm (altura do assento).
Capacidade do tanque:18,5 litros.
Peso:264 kg (a seco).

MODO SPORT
Se no modo "D" você abusará dos freios dianteiro e traseiro, na pilotagem esportiva, selecionando o modo "S" (Sport) no mesmo punho direito, a tocada será outra. O câmbio agora "estica" as marchas e realiza trocas em giros mais altos. De um farol a outro, por exemplo, o câmbio e o sistema DCT vão engatar, no máximo, uma terceira marcha. Não se preocupe com isso, o painel informa a marcha engatada, seja no automático ou no modo manual.

Além de colocar a transmissão por eixo cardã para trabalhar e facilitar a pilotagem, o modo "S" ainda faz o motor girar mais, com disposição. Basta abrir completamente o acelerador que os giros do motor, assim como a velocidade da VFR, vão crescer rapidamente.

Velocidade essa, que será reduzida com o auxilio de um eficiente conjunto de freios combinados dotados também do sistema ABS. O disco duplo de 320 mm e pinça radial de seis pistões na dianteira são muito requisitados e passam confiança ao piloto. Por não possuir embreagem, o acionamento do freio traseiro no trânsito urbano, por exemplo, é constante. Mas essa Honda apresenta freios condizentes com sua proposta. Um disco simples de 276 mm com pinça de pistão duplo trabalha bem e, em parceria com o dianteiro, são suficientes para parar a VFR 1200F com segurança.

CÂMBIO TIPTRONIC
No melhor estilo veloz e furioso, a VFR 1200F oferece ainda a opção de câmbio manual. Lembrem-se, o sistema DCT nada tem a ver com o câmbio -- ele auxilia o câmbio, como toda embreagem, mas aqui eletronicamente. O DCT está sempre ativo. Cabe a você optar pelo câmbio automático, com dois modos (Drive e Sport), ou pelo câmbio de acionamento manual. E é aí que a VFR 1200F começa a ficar divertida.

Imagine que você ainda está no modo "S" e começa a deixar a cidade. Entrando na estrada em quinta marcha um carro abre para a direita e lhe dá passagem. Com as rotações baixas, você leva o polegar esquerdo a frente e reduz duas marchas. Pronto, o modo manual foi acionado e os giros crescem rapidamente, garantindo o torque que você precisava para realizar a ultrapassagem. Se um leigo resolver engatar primeira marcha a 100 km/h, o sistema não permitirá, por isso é chamado de "inteligente".

Na verdade, você também pode mudar para o acionamento manual de marchas no punho direito, no botão AT/MT. Mas como é permitido fazer essas mudanças em movimento, é melhor ir direto aos botões de subida de marcha -- indicador esquerdo -- e de reduzida "" polegar esquerdo.

Mas cadê a diversão? Experimente sair do pedágio e, no modo manual, ir subindo marchas no limites das rotações do motor. Encaixes precisos, rápidos e um V4 despejando 172,7 cavalos de potência a 10.000 rpm são bem divertidos, posso garantir.

INÉDITO V4
Outra característica interessante na inovadora VFR 1200F é a adoção de um propulsor de quatro cilindros em "V". Essa escolha permite que muito torque seja entregue ao piloto em médias rotações. Com 13,2 kgfm de torque máximo a 8.750 rpm, este motor começa sonolento, mas a partir dos 4.000 giros surpreende até os mais experientes. Com 6.000 rpm registrados de forma analógica no centro do painel, os quatro cilindros empurram a VFR 1200F com muita força na direção desejada. O ronco, diferente, soa como música para o motociclista.

Os quatro cilindros com 1.236 cm³ de capacidade têm comando simples no cabeçote (OHC), quatro válvulas por cilindro e refrigeração líquida. Tudo, claro, alimentado por injeção eletrônica de combustível. Esse "motorzão" cobra por todo o seu desempenho. Registramos um consumo médio de 14,2 km/l, sendo que o tanque tem 18,5 litros. Em uma tocada mais suave, a VFR 1200F chegou a rodar 16,5 km/l.

ERGONOMIA
A posição de pilotagem preza o conforto. Mas a VFR 1200F se mostrou muito mais uma esportiva com proposta touring, do que o contrário. Pois o guidão é baixo demais e as pedaleiras, recuadas. Para atender aos anseios do futuro comprador deste modelo, a meu ver, a Honda poderia ter elevado um pouco o guidão, aliviando o braço do piloto. Já as pedaleiras, mesmo para mim que tenho 1,90 m, não cansaram as pernas ao fim dos 457 quilômetros rodados.

As soluções para o conjunto de suspensão foram acertadas. Na traseira, monobraço com um amortecedor e eixo-cardã integrado, já vista em outras motos BMW. Na dianteira, sem muita novidade. A Honda optou pelo garfo telescópico invertido com ajuste na pré carga da mola. O quadro, em alumínio, transmite rigidez ao piloto. No entanto, não se pode chamar a VFR 1200F de uma moto ágil.

Por outro lado, o moderno modelo da Honda me preservou de todo o vento, mesmo em velocidades mais altas. Seu design e o pára-brisa permitem ao piloto estar a mais de 150 km/h, como se tivesse a 100 km/h. É incrível como a barreira dos 200 km/h é quebrada sem que o trem dianteiro balance e o vento não incomode o piloto.

MERCADO
Recém lançada no Brasil, a VFR 1200F (R$ 69.900) tem pela frente concorrentes que, perante ela, se tornam obsoletas. São os casos de Suzuki GSX 1300R Hayabusa (R$ 56.000) e Kawasaki ZX-14R (R$ 58.990). A única que faz frente à tecnologia do novo modelo Honda é a BMW K 1300 S Premium (R$ 80.600).

Com o inédito sistema DCT, opções de câmbio manual e automático, sistema de freios C-ABS, design futurista e funcional e custando R$ 10.000 reais a menos que sua principal concorrente, a VFR 1200F é um bom investimento para quem deseja rodar com segurança e exclusividade. A conclusão está feita, mas a pergunta fica no ar: toda essa tecnologia será uma tendência no segmento sport-touring? Veremos... (por André Jordão)

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