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Naked Kawasaki ER-6n conquista pela razão

Com motor 600 cm³ de apenas dois cilindros, naked japonesa tem preço acessível e seduz quem busca uma moto para o uso diário

Da Infomoto

15/01/2011 10h00

A Kawasaki ER-6n é o tipo de moto racional. Sem despejar mais de uma centena de cavalos na roda traseira e com um visual moderno, porém seguindo a tendência da maioria das concorrentes, essa naked japonesa não chega a despertar paixões à primeira vista. Mas no uso diário demonstra algumas qualidades, como facilidade de pilotagem e motor elástico, que fazem dela uma boa alternativa para quem quer uma motocicleta para a cidade e que tenha fôlego também para viagens.

Montada em Manaus (AM) e cotada a R$ 25.550 na versão standard, é a naked de 600 cm³ mais em conta do mercado nacional. Mas em vez de um propulsor de quatro cilindros em linha, como as concorrentes, a Kawasaki ER-6n tem motor de dois cilindros paralelos com 649 cm³ de capacidade. Alimentado por injeção eletrônica, com refrigeração líquida e duplo comando de válvulas no cabeçote (DOHC), oferece 72,1 cavalos de potência máxima a 8.500 rpm e 6,7 kgf.m de torque a 7.000 rpm. Semelhante ao utilizado na polivalente Versys 650, o bicilíndrico é mais potente nesta naked e garante mais força em altas rotações. Por outro lado, exige mais trocas no câmbio de seis marchas ao se rodar na cidade.
 

Nesta versão, lançada no exterior em 2009, a Kawasaki ainda caprichou para reduzir as vibrações transmitidas ao piloto. Instalou coxins de borracha na fixação do motor, no suporte do guidão e também uma cobertura nas pedaleiras. Com isso, a vibração característica dos bicilíndricos ficou praticamente imperceptível.

FICHA TÉCNICA: Kawasaki ER-6n

Motor:Dois cilindros paralelos, 649 cm³, quatro válvulas por cilindro, duplo comando de válvulas no cabeçote e refrigeração a água.
Potência máxima:72,1 cv a 8.500 rpm.
Torque máximo:6,7 kgf.m a 7.000 rpm.
Câmbio:Seis velocidades, com transmissão final por corrente.
Suspensão:Dianteira por garfo telescópico de 41 mm de diâmetro com 120 mm de curso. Traseira por balança monoamortecida regulável na pré-carga com 125 mm de curso.
Freios:Dianteiro com disco duplo de 300 mm de diâmetro em forma de pétala com pinça de dois pistões. Traseiro com disco simples de 220 mm de diâmetro com pinça de um pistão.
Pneus:120/70-ZR17 (dianteiro)/ 160/60-ZR17 (traseiro).
Dimensões:2.100 mm (comprimento), 760 mm (largura), 1.100 mm (altura); 1.405 mm (entre-eixos); 785 mm (altura do assento); 140 mm (altura mínima do solo).
Peso:200 kg em ordem de marcha.
Tanque:15,5 litros.

POLIVALENTE: CIDADE E ESTRADA
Seu baixo peso a seco -- apenas 174 kg -- e o assento a somente 78,5 cm do solo a tornam uma ótima companheira para rodar no trânsito urbano. Bastante ágil, em função de seu grande ângulo de esterço, e fácil de pilotar, a ER-6n é uma boa pedida para os iniciantes em motos maiores.

O quadro de aço em treliça e o motor formam um conjunto estreito, permitindo ao piloto manter os joelhos e pés bem próximos. O que garante confiança e também uma confortável posição de pilotagem. A sua frente, o motociclista enxerga um belo e completo painel com desenho triangular que combina muito bem com o conjunto óptico. Entretanto, a Kawasaki optou por usar um velocímetro de leitura analógica e um conta-giros digital, que é difícil de ler, principalmente em alta velocidade em rodovias.

Aliás, o design do farol é o que mais chama atenção na ER-6n, apesar de seguir a tendência atual. Posicionado quase que de forma vertical, o conjunto - farol e painel - ajuda também a desviar o vento em viagens. Pelo menos até 120 km/h, já que acima disso, como em toda naked, o motociclista segura o ar “no peito”. Outro destaque do design são as luzes de direção dianteiras posicionadas nas aletas do radiador, conferindo um visual bastante limpo ao conjunto dianteiro.

No quesito autonomia, a ER-6n também não faz feio. Em estrada, rodou 20 km/litro, o que significa uma autonomia de mais de 300 km com o tanque de 15,5 litros. Na cidade, o consumo médio não foi muito melhor: 21 km/litro.

CICLÍSTICA E ERGONOMIA
Seu estreito quadro em treliça traz um conjunto de suspensões voltado para o conforto. Na dianteira, garfo telescópico convencional; já na traseira, um diferenciado monoamortecedor fixado lateralmente. Absorve, na medida do possível, as imperfeições do asfalto urbano e mantém a ER-6n estável em viagens.

Os freios são outra boa surpresa. Na dianteira, os dois discos de 300 mm em forma de margarida, além de belos, são eficientes. E na traseira, um disco simples de 220 mm de diâmetro dá conta do recado. Resumindo, com uma ciclística equilibrada e seu baixo peso, o sistema para com eficácia a ER-6n. O consumidor ainda pode optar por uma versão com freios ABS (por R$ 27.770).

Como já citada, a posição de pilotagem e os comandos da ER-6n são um dos pontos fortes dessa Kawa. Com as pernas ligeiramente flexionadas e as costas eretas, a grande maioria dos motociclistas sente-se confortável e tem fácil acesso ao guidão e aos comandos nos punhos. O banco é ideal para a cidade e garante o conforto na estrada pelo menos na primeira hora, já que apesar de ergonômico, tem uma espuma de baixa densidade.

RAZÃO
Projetada para ser um modelo de entrada no segmento de 600 cm³, a Kawasaki ER-6n agrada até mesmo motociclistas mais experientes e racionais. Principalmente aqueles que têm na moto seu principal meio de transporte. Afinal, no dia-a-dia, nem sempre semiguidões e suspensões rígidas demais são confortáveis. E para quem roda todos os dias com a moto, um motor de quatro cilindros em linha e cavalaria máxima na casa dos três dígitos pode significar alto consumo de gasolina e custo de manutenção. Dessa forma, quem usa a razão e busca uma moto para rodar diariamente tem nessa naked de dois cilindros uma boa opção.

Outro ponto a favor da Kawasaki ER-6n é seu preço inferior às concorrentes japonesas tetracilíndricas: Yamaha XJ6 sai por R$ 28.600; a reformulada Suzuki Bandit 650, R$ 29.900; e a líder da categoria Honda CB 600F Hornet custa R$ 33.360 na versão standard.

Porém, desista do modelo se o que você procura é uma motocicleta com desempenho mais esportivo. Se for este o caso, pense na Kawasaki Z 750 ou na própria Honda CB 600 F Hornet. A ER-6n deixa um pouco de lado a paixão e apela para a razão na hora de conquistar o motociclista. (por Arthur Caldeira)

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