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Volkswagen Fusca nacional faz 60 anos; veja 10 curiosidades do modelo

Murilo Goes/UOL
Queridinho de gerações: fãs de Fusca participam ativamente de encontros de antigos Imagem: Murilo Goes/UOL

Vitor Matsubara

Do UOL, em São Paulo (SP)

2019-01-20T08:00:00

20/01/2019 08h00

A data passou batida por muitos fãs de antigomobilismo, mas no dia 3 de janeiro completaram-se 60 anos do início da produção do Fusca no Brasil. As primeiras unidades desembarcaram no país em 1950 vindos da Alemanha e foram montadas com peças importadas em um galpão até 1959, quando a produção em larga escala foi iniciada em São Bernardo do Campo (SP). 

O que aconteceu a partir daí virou história, literalmente. O Fusca fez parte da vida de milhares de brasileiros que contabilizam inúmeras lembranças a bordo do "besouro", que permaneceu em linha até 1986, quando foi descontinuado pela primeira vez. Alguns anos depois, em 1993, o então Presidente da República, Itamar Franco, sugeriu à VW a retomada da produção do Fusca. A reencarnação do modelo, porém, durou apenas dois anos.

Para celebrar o Dia Nacional do Fusca, que acontece neste domingo (20), UOL Carros separou 10 curiosidades deste simpático carro que tem muita história para contar.

10 curiosidades da história do Fusca

  • Reprodução

    Carro de Hitler?

    Algumas linhas históricas creditam ao austríaco Ferdinand Porsche a criação do Volkswagen, a pedido do ditador Adolf Hitler. Outros defendem que o papel de Porsche tenha sido apenas formal, um mero assinador de contratos. O fato é que o modelo foi um compilado de invenções de diversos engenheiros e surgiu com a função de ser um carro de apelo popular na Alemanha. Daí o nome oficial do carro e, depois, da marca: Volkswagen, literalmente "carro do povo", em alemão.

  • Divulgação

    O primeiro cliente

    Já falamos que as primeiras unidades do Volkswagen Sedan (sim, este é seu nome original) foram montadas em 1953 em um galpão alugado em São Paulo (SP). A produção nacional, porém, só começou em 1959 com a inauguração da fábrica na região metropolitana da capital, marcada pela visita do então Presidente da República, Juscelino Kubitschek. O primeiro Fusca produzido no ABC Paulista foi vendido por Cr$ 471,2 mil no dia 7 de janeiro daquele ano por uma concessionária na avenida Santo Amaro, na zona sul de São Paulo. O cliente ilustre era o empresário Eduardo Andrea Matarazzo, herdeiro do conde Francisco Matarazzo Júnior, fã confesso de automóveis e aviões.

  • Divulgação

    R$ 250 mil?!

    Não é de hoje que carro no Brasil é um item que pesa no orçamento e provoca discussões acaloradas. E não foi diferente com o Fusca, que desembarcou como Volkswagen Sedan e com preço nada "popular" em 11 de setembro de 1950. O valor sugerido pela Volkswagen era de Cr$ 20 mil (a moeda era o cruzeiro). Era uma quantia módica? Nada! Em conversão aproximada para os dias atuais, temos o equivalente a R$ 100 mil. Achou muito? Calma, tem mais.

    A procura pelo modelo não foi pequena, embora o estoque inicial de importados fosse. Com isso, o preço inflacionou e muitos interessados acabaram pagando até Cr$ 50 mil -- praticamente R$ 250 mil!

  • Divulgação

    Apelido que pegou

    O nome do modelo era Volkswagen Sedan, mas a dificuldade em pronunciar a palavra alemã Volkswagen ("folquisváguem") ou sua sigla alemã VW ("fauvê") levaram a erros que geraram as palavras "fulque", "fulca" e, logo, "fusca". Popularizado, o nome acabou oficializado em 1983.

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    Vocho, Coccinelle, Käfer...

    O Brasil não foi o único país a adotar um apelido para o Sedan. Isso também acontecia em outros mercados: no México, o carro é chamado até os dias atuais de Vocho; nos países de língua inglesa, é "besouro" ou Beetle; Carocha em Portugal; Käfer na Alemanha; Coccinelle na França; Maggiolino na Itália. Não por acaso, o novo Beetle ganhou os mesmos nomes nos respectivos países, inclusive aqui, onde virou Volkswagen Fusca.

  • Murilo Góes/UOL

    Fácil de consertar

    O Fusca tinha fama de ser carro de fácil reparo. Além da mecânica competente e simples, um dos motivos era o fato de que os componentes de sua carroceria eram parafusados, em vez de soldados.

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    Cadê o brucutu?

    O item mais furtado em carros nos anos 1960 era o esguicho do limpador de para-brisa do Fusca! A pecinha, chamada de "brucutu", enfeitava os anéis popularizados por Roberto Carlos e a turma da Jovem Guarda. Quem tinha um Fusca à época vivia tantas emoções...

  • Murilo Góes/UOL

    20 de janeiro

    No mundo todo, o "Dia Internacional do Volkswagen Beetle" é comemorado em 22 de junho, marco da assinatura do contrato de produção inicial do modelo, em 1934. No Brasil, reza a lenda, o "Sedan Clube" (atual "Fusca Clube do Brasil") decidiu instituir uma comemoração em 1988, escolhendo a data de 20 de novembro. Acontece que a logística falhou e apenas o material comemorativo ficou pronto a tempo: com adesivos e faixas com o logo "20" preparados, a solução foi adiar o evento para outro dia 20, após as festas de fim de ano. Ficou para 20 de janeiro de 1989.

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    Astro de cinema

    O Fusca já foi ator coadjuvante e até protagonista de vários filmes de Hollywood. Quem não se lembra de "Se Meu Fusca Falasse", obra-prima dos estúdios Disney de 1968 que mostrava as aventuras de um simpático Fusca com personalidade própria? Houve três continuações e um remake, este último em 2005 com a atriz Lindsay Lohan. Recentemente, o "besouro" voltou às telonas com "Bumblebee", resgatando a essência do robô que originalmente se transformava em um Fusca nos quadrinhos.

  • Murilo Góes/UOL

    Reencarnações

    O Fusca teve duas "reencarnações" (ou reinterpretações, se assim preferir) modernas baseadas em plataformas do Golf. A primeira foi o New Beetle, lançado em 1999 e fabricado até 2010 -- feito sobre a base do Golf 4. A segunda surgiu em 2011 com o nome de Beetle. Mais moderna e com um visual mais esportivo, ele aproveita vários componentes (inclusive plataforma) do Golf 6. Deixou de ser importado para o Brasil em 2018 e já tem data para ser descontinuado: julho de 2019.

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