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Viagem nas férias: veja como revisar o carro sem gastar muito dinheiro

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Fernando Miragaya

Colaboração para o UOL, no Rio (RJ)

14/12/2018 14h30

Chega dezembro e junto vem a ansiedade de pegar a estrada e curtir as férias. Mas tão certo quanto o especial do Roberto Carlos na televisão é o fato de que você precisa revisar seu carro antes de encarar a viagem de final de ano.

A boa notícia é que UOL Carros começa agora uma série de quatro reportagens apontando o que você pode fazer para deixar seu carro em ordem para pegar a estrada. Com isso, dá para criar o hábito de estar com o veículo sempre em ordem, seja nos momentos de viagens longas, seja no uso diário. Melhor: economizando um bom dinheiro.

Ouvimos especialistas e, de cara, trazemos uma lista com componentes do veículo que podem ser checados em casa mesmo, por você, casos nos quais inspeção visual e a percepção do motorista ajudam em diagnósticos simples.

"Tem coisas que dá para fazer em casa e economizar. Troca de lanternas, calibragem de pneus, substituir velas, palhetas e filtro de ar, verificar correias e mangueiras", aponta o doutor em engenharia de transporte, Paulo Pêgas, professor da cadeira de "Engenharia de Produção" do Ibmec-RJ, e Fabio Magliano, gerente de produtos Car e Motorsport da Pirelli para a América Latina.. 

Segundo o engenheiro, o motorista vai gastar cerca de 40 minutos nessas inspeções de rotina e mais de uma a duas horas para fazer as trocas necessárias. "Dá para economizar uma quantia razoável, principalmente em mão de obra, e fazer cotação de peças. Além de tudo, é um jeito de curtir um pouco seu carro. Só não recomendo fazer coisas que necessitem de técnica mais apurada ou de formação mecânica, a não ser que a pessoa tenha essa formação", afirma o engenheiro.

Para não deixar ninguém na mão, ou a pé, também apontamos quais são os itens que devem ser verificados e, sendo o caso, reparados em oficinas especializadas.

Com tudo isso, dá para economizar grana para por mais uva passa no arroz natalino.

O que dá para verificar em casa

  • Leia sempre o "manual do proprietário"

    Isso é praxe para o primeiro passo, ainda que muitos ignorem. Siga as instruções e especificações do fabricante contidas no manual. E lembre-se de fazer todas essas verificações e operações com o caro frio, parado por mais de 20 minutos e em local plano e bem iluminado.

  • Calibre os pneus

    Checar a pressão dos pneus e do estepe é algo importante a ser feito pelo menos uma vez por semana -- use sem custo as bombas existentes em postos de combustível ou mesmo em borracharias. Faça a calibragem em local plano e com o carro frio. Se o carro for todo carregado para a viagem, lembre-se de seguir a pressão para carga máxima recomendada no manual do proprietário -- também fixada em adesivos ou placas na tampa do porta-luvas ou no batente das portas. Também vale observar se as bandas dos pneus estão gastas desproporcionalmente. Se a parte interna está mais comida, é sinal de que roda com pressão acima do ideal; se fora a área externa, a calibragem está baixa. "Ao contrário do que se pregava antigamente, a recomendação é que os pneus em melhor estado estejam nas rodas traseiras. O controle sobre a roda traseira é muito mais crítico que o controle só sobre a roda dianteira", avisa Paulo Pêgas. Mas, atenção: o desgaste pode estar indicando algum problema estrutural mais sério no pneu, que precisa avaliado em oficina especializada. Como saber? Segundo Fabio Magliano, da Pirelli, faça a verificação profissional a cada 10 mil quilômetros, se você usar mais o carro em regime rodoviário. Se o uso for mair urbano, porém, a revisão precisa ser feita a cada 5 mil quilômetros. É exatamente o momento de verificar alinhamento e balanceamento das rodas, então mesmo neste caso dá para economizar fazendo os procedimentos de uma só vez.

  • Óleo

    Completar o óleo antes da data marcada para troca é previsto até pelos próprios fabricantes. Dependendo do seu carro, não é um gasto tão alto, mas é importante usar o lubrificante com as mesmas especificações fornecidas pela montadora no manual. Basta comprá-lo em uma loja de autopeças, no posto de combustível ou até no supermercado.  "O motor foi projetado para trabalhar com aquele tipo específico de óleo. Por isso é fundamental usar sempre o produto com as especificações do fabricante e sempre da mesma marca, pois cada fornecedor tem sua aditivação específica e diferente. Essas aditivações podem não ser compatíveis quimicamente", explica Henrique Pereira, membro da Comissão Técnica de Motores Ciclo Otto da Sociedade dos Engenheiros da Mobilidade (SAE Brasil). Agora, se for necessário substituir o filtro de óleo será preciso recorrer a uma mecânica de confiança. Apesar de ser relativamente simples a troca, o componente geralmente está preso diretamente ao bloco do motor, o que exige ferramenta específica -- um tipo de alicate capaz de dar a pressão correta. Colocar de forma inadequada ou apertar demais a peça pode até danificar a base do bloco.

  • Verifique o filtro de ar

    O filtro de ar pode ser visto e trocado pelo próprio motorista. Se ele estiver sujo, compre uma peça nova original ou de marca de boa procedência. Nada de tentar limpá-lo com batidinhas ou jatos de ar comprimido. Isso altera a capacidade de fixação e deforma a estrutura do filtro, que vai permitir a passagem do ar contaminado para o motor.  "É importante seguir o plano de manutenção da montadora. Principalmente se o motorista trafega em estrada empoeirada. Aí ele vai ter de trocar esse filtro em intervalos menores", diz Pêgas.

  • Filtro do ar-condicionado

    Outro filtro fácil e importante de ser substituído. O acesso geralmente é tranquilo, ou abaixo do porta-luvas ou na parte do cofre do motor, também na área do porta-luvas. O cuidado que deve-se ter é em relação ao manuseio, pois o componente estará contaminado com muito material particulado, que pode cair no motor. 

  • Palhetas

    Parece um item usual, mas se estiver gasto compromete a visibilidade na estrada em dias de chuva. Verifique se as palhetas do limpador não estão ressecadas, gastas ou mesmo rachadas, o que vai atrapalhar na hora de dispersar a água no vidro e tornar-se um grande problema para o motorista, especialmente à noite com a luz dos carros na direção contrária.  Dê preferência às palhetas originais ou de marcas conhecidas. Não esqueça do limpador do vidro traseiro no caso de hatches, SUVs, minivans e stations. E veja, ainda, se o reservatório dos esguichos está completo. Pode-se usar substâncias específicas para os vidros, vendidas em lojas especializadas e mercados. Sabão neutro é permitido, desde que na composição não haja silicone, pois este adere à superfície do para-brisa e vira uma resina.

  • Mangueiras

    Essas podem enganar. Visualmente até aparentam bom estado, mas também camuflam pequenos pontos de vazamento -- especialmente as que conduzem água para o motor. Por isso é importante checá-las, principalmente em cidades com temperaturas mais altas. Com o carro frio, aperte suavemente as mangueiras para notar se há alguma rachadura. Outro sinal pode ser o nível do sistema de arrefecimento. É normal ocorrer pequenas variações e ter de completar a água ou trocar todo o líquido -- nesse caso, deve-se fazer a composição com etilenoglicol. "Mas se perceber variações maiores de nível é preciso verificar o sistema, pois pode estar ocorrendo um vazamento de água", lembra Pereira, apontando que este caso mais sério precisa ser feito em oficina especializada.

  • Velas

    Outra tarefa que dá para economizar e fazer em casa. Só fique ligado em usar as velas originais recomendadas pelo fabricante. E lembre-se que modelos com "kit GNV" (abastecidos com gás natural veicular) usam velas diferentes e adaptadas.

  • Luzes

    Verificar se faróis, lanternas, setas, alerta, luzes de freio e ré estão funcionando é mandatório. Se alguma não estiver funcionando, o risco de ser multado na estrada é grande -- isso sem nas chances de ser envolver em acidentes. Em caso de luzes falhando, dê uma olhada se algum fusível está queimado. A troca das lâmpadas, se necessária, geralmente é simples, só que vai depender do carro. Tome precauções extras com os faróis halógenos. Eles são sensíveis: um simples toque com a mão no bulbo da lâmpada pode danificá-la.  O uso de luvas facilita nestes casos, mas elas têm que ser finas e estar firmes. Além disso o material não pode ser de látex, porque deixa um pó que pode ficar na lâmpada, ou ainda deixar marcas na peça. Se for muito complexo fazer a substituição, procure uma oficina. Lembre-se que muitas companhias de seguro oferecem o serviço de troca de lâmpadas gratuitamente.

Esses precisam ser feitos na oficina

  • Cuide das rodas

    Se o carro estiver puxando para um lado, ou trepidar demais, faça o balanceamento e alinhamento dos pneus e rodas, e aproveite para verificar se tem algum problema com os aros, principalmente na parte interna. Amassados, empenos ou trincas nas rodas interferem no comportamento dos pneus, freios e até da suspensão.  Soldar ou desamassar a roda não é garantia de serviço bem feito, pois requer equipamentos especiais e muita precisão. Melhor não arriscar e trocar a peça. Nada de apertar demais as porcas, passar óleo (seja de aço ou de alumínio) ou usar aros maiores ou menores do que o determinado pelo fabricante.

  • Amortecedores

    Aquele hábito de balançar o carro já não ajuda muito a detectar problemas nos amortecedores nos projetos de carros mais modernos. O ideal é seguir as trocas sugeridas no manual, mas antes de viajar leve o carro na concessionária ou em uma oficina especializada. Elas têm equipamentos próprios que dão o diagnóstico da situação do amortecedor -- aqui, o jeito é desembolsar um pouco mais e aproveitar para fazer também o balanceamento das rodas.  Se o carro estiver quicando em demasia a cada passagem de quebra-mola ou valeta, rangendo ao passar com o veículo em oscilações da pista ou dando final de curso, é sinal de que o amortecedor está nas últimas e sem qualquer poder de absorção. "Qualquer ruído proveniente da suspensão deve ser verificado. O amortecedor tem uma vida útil e quando esse prazo expira já não consegue segurar a suspensão da forma que deve, fazendo com o que o pneu saia do chão constantemente, gerando risco para a segurança", alerta Henrique Pereira. 

  • Freios

    Não dá para fazer reparo desse item em casa, mas a vistoria do motorista pode antecipar problemas. Com o carro frio e desligado, olhe os discos e tateie-os -- os modelos com rodas de liga-leve deixam esse componente bem exposto. Rugosidade ou riscos são indícios de que há algum problema ou desgaste, e que é preciso fazer a troca. Só não faça o chamado "passe" no disco de freio, que muitas oficinas ainda insistem em oferecer como quebra-galho. "Ao dar o passe está se desgastando a superfície abrasiva para deixar tudo lisinho, o que compromete o poder de frenagem e a vida útil da própria peça", alerta Pêgas. Ao colocar e instalar novos discos, efetue a substituição também das pastilhas de freio. Essas dão sinais de que estão com problemas por meio de ruídos estranhos ou trepidações no pedal durante freadas leves.

  • Fluido do freio

    Ao contrário do óleo do motor, esse fluido não se completa. Se estiver abaixo do nível é sinal de que há vazamento nos mangotes e deve-se procurar o mecânico -- só complete em caso de extrema emergência. Além disso, ao fazer sua inspeção visual, feche bem a tampa do reservatório. A solução é altamente contaminável e absorve umidade com rapidez, o que reduz sua eficiência e compromete suas características. "A contaminação é instantânea e nesse caso é preciso fazer a sangria e trocar o fluido. No Fusquinha, o motorista mesmo conseguia fazer isso, mas hoje em dia os circuitos são cruzados, tem válvula reguladora e é necessário um equipamento especializado", compara Paulo Pêgas.

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