Mobilidade

Veja marcas prometem fazer o mercado de carros elétricos brilhar no Brasil

Hannah McKay/Reuters
Imagem: Hannah McKay/Reuters

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em Tóquio (Japão)

01/11/2017 04h00

Fato 1: o Brasil não tem infraestrutura pronta para sustentar um mercado (promissor) de carros elétricos.

Fato 2: o Governo Federal atual não dá qualquer pista de que pode (ou quer) implementar estratégia para modificar este quadro.

Fato 3: você já disse ou já ouviu dizer que o Brasil não verá qualquer avanço concreto nessa área nos próximos 20 ou 30 anos.

Mas se Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido e Japão já avisaram que vão abandonar carros com motores comuns em um prazo que vai de poucos anos (no caso dos escandinavos) a no máximo uma década, há quem acredite que não haverá solução viável, empresarialmente falando, a não ser abraçarmos a eletrificação também por aqui.

Neste panorama, ainda que muitos só enxerguem nossa estagnação e atraso, algumas empresas já visualizam a oportunidade de dar um grande salto: para elas, o pioneirismo pode render uma liderança sem precedentes. UOL Carros teve a oportunidade de ouvir alguns executivos ao longo de 2017, e lista agora ideias que pregam a mudança de hábito para... já.

Melhor se for com regras do governo -- com definições, poderiam haver mais investimentos, produção local e produtos mais baratos e acessíveis. Se isso não ocorrer, a solução virá como produto de "ostentação", caro e para poucos (como é atualmente). De um jeito ou de outro, o futuro promete chegar antes do que muitos imaginam.

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Empresas ligadas no 220V

  • Imagem: Eugênio Augusto Brito/UOL
    Eugênio Augusto Brito/UOL
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    Nissan

    Desde 2007 a marca japonesa traçou plano para ser líder global de carros elétricos, ao lado da parceira francesa Renault. A marca já tem o carro elétrico de maior sucesso no mundo, o Leaf, e acaba de colocar uma tecnologia híbrida (chamada e-Power), que está sendo bem aceita no Japão e na Ásia, mercados com milhões de clientes.

    Não basta: a Nissan anunciou no Salão do Automóvel de Tóquio que quer desenvolver suas soluções no Brasil, Mercosul e América Latina e ser líder de eletrificação também nessas regiões. Para isso, vai começar a vender a segunda geração do Leaf por aqui a partir de 2019 (a primeira geração rodou dois anos em testes, somente) -- o preço ainda é incógnita, mas a marca quer emplacar por pouco mais de R$ 100 mil. Além disso, promete estudar a chegada mais ou menos ligeira de uma versão híbrida do SUV pequeno Kicks. Por fim, vai ampliar da forma que pode a rede de abastecimento, sobretudo com pontos de recarga em suas concessionárias -- por ora, são quase dez no Rio e dois em São Paulo. Leia mais

  • Imagem: Murilo Góes/UOL
    Murilo Góes/UOL
    Imagem: Murilo Góes/UOL

    Chevrolet

    Líder de vendas no Brasil, a gigante americana também já fala em liderar o mercado ainda vacilante de elétricos no país. Ou seja, com GM e Nissan já temos uma competição (ao menos na teoria), o que é sempre bom para o avanço das metas.

    Passo número um para a GM foi trazer seu elétrico Bolt para testes no Brasil. Trata-se de um dos projetos mais promissores da marca no mundo: custa US$ 30 mil, padrão considerado acessível para elétricos nos EUA, e promete ser atualizável como um celular -- atualmente, é apenas um carro elétrico, mas pode ficar mais e mais conectado conforme a tecnologia avança, chegando ao ponto de andar sem motorista no futuro.

    Entrave expresso pela marca no Brasil é a falta de incentivos para a produção de infraestrutura: a GM precisaria nacionalizar algum ponto da produção -- do carro, das baterias ou da estrutura de carregamento. Leia mais

  • Imagem: Charles Sholl/Raw Image
    Charles Sholl/Raw Image
    Imagem: Charles Sholl/Raw Image

    BYD

    A marca chinesa tem explorado toda chance de aparecer e falar de seus projetos. Aproveitou o interesse por holofotes nas redes sociais do prefeito de São Paulo, João Doria, para oferecer algumas unidades de carros elétricos à Prefeitura -- uma forma simples, rápida e de baixo custo para rodar os testes nos modelos.

    Além disso, afirma estar conversando com outros prefeitos das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste para viabilizar o uso de frotas de ônibus elétricos. A vantagem seria oferecer veículos que gastam em energia o mesmo que modelos a diesel, mas que quebram menos e precisam de menor manutenção (óbvio, o preço inicial também seria maior).

    Também há planos de construir fábrica de baterias na Zona Franca de Manaus, algo que nenhuma outra fabricante anunciou ainda, bem como de começar a vender carros ainda no final deste ano ou começo de 2018, por R$ 230 mil.

    Problema: a BYD parece grande e ambiciosa na América do Sul, mas é uma empresa pequena na China, o que pode explicar os projetos defasados de seus carros elétricos. Ainda assim, suas ações podem render a virada para si própria e para o Brasil. Leia mais

  • Imagem: Mario Villaescusa/Carplace
    Mario Villaescusa/Carplace
    Imagem: Mario Villaescusa/Carplace

    Toyota

    A marca tem investido pesado -- mais de R$ 4 bilhões nos últimos quatro anos -- em sua fábrica de motores de Porto Feliz (SP), que é a mais moderna de toda sua rede no mundo. Acredite: uma estrutura assim não serve apenas para entregar motores flex de carros pequenos e médios. A direção da Toyota tem anunciado planos globais envolvendo mais de 20 modelos híbridos e elétricos, enquanto executivos locais não escondem a vontade de vendê-los também no Brasil. Para isso, falta o empurrão do governo (mais incentivos).

    De toda forma, UOL Carros aposta: o primeiro modelo surgirá logo. Possivelmente, a próxima geração do Corolla deverá ter opção híbrida, tecnologia que pode ser adotada por outros veículos, principalmente em novos SUVs (o crossover C-HR só virá se for em configuração híbrida). Uma nova geração do Prius, também usando motor híbrido flex, tem tudo para ser feita no Brasil -- o modelo atual, com motor a gasolina aliado ao elétrico, custa pouco menos de R$ 120 mil. Leia mais

  • Imagem: Tobias Schawarz/AFP
    Tobias Schawarz/AFP
    Imagem: Tobias Schawarz/AFP

    BMW ou Volvo

    A marca alemã foi a única a vender um carro elétrico no Brasil, o i3 (ainda que em uma versão que usava ajuda de um motor a combustão como carregador da bateria, o que configura um híbrido para alguns críticos). Só que não vende mais o modelo que chegou a custar R$ 156 mil: a empresa segue esperando pela definição do governo para definir se traz o i3S, configuração com mais força e maior autonomia, revelada no Salão de Frankfurt.

    A indefinição pode dar espaço à sueca Volvo, que já tem o luxuoso XC90 híbrido à venda (R$ 457 mil), mas vai ampliar seu portfólio de qualquer jeito -- a fabricante já anunciou globalmente que trabalhará apenas com modelos híbridos e elétricos em até dois anos, incluindo o inédito XC40, e eles vão chegar ao Brasil de toda forma, podendo dar a viabilidade (e força de venda) nunca antes obtida. Quem se posicionar melhor pode ganhar espaço importante entre as marcas de luxo. Leia mais

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