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Por que Honda CB 650F não repete sucesso da Hornet? Descubra

Doni Castilho/Infomoto
CB 650F: com dois anos no mercado, perdeu liderança histórica do segmento Imagem: Doni Castilho/Infomoto

Arthur Caldeira

Da Infomoto, em São Paulo (SP)

11/02/2017 08h00

Com dois anos de vida, a Honda CB 650F apostou em atributos que fizeram as motos japonesas tomarem conta do mercado mundial desde a década de 1970. Posição de pilotagem natural, comportamento bastante dócil... 

Embora a Honda tenha negado que o modelo chegava para substituir a 600F Hornet, até para evitar comparar os modelos, esse posto foi naturalmente herdado. Só que  todas as comparações feitas desfavoreceram a comportada CB 650. Nada na sua mistura parece ter conquistado os fãs brasileiros.

Assim, o modelo perdeu a liderança do segmento. Com preço sugerido de R$ 37.000, a CB 650F perdeu a liderança do segmento naked em 2016 para modelos de menor capacidade como a CB 500F (R$ 26.000 de tabela e R$ 20.990, com preço promocional), porém mais em conta. Vendeu menos ainda do que outras motos com visual mais marcante e com mais caráter, caso da Yamaha MT-07 ABS 2017 (R$ 31.690) e da própria Honda CB 1000R (cerca de R$ 46.000), naked empolgante, que agora saiu de linha.

Por quê? É o que essa lista da agência Infomoto explica agora.

Motivos da queda

  • Imagem: Doni Castilho/Infomoto
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    Esportiva x racional

    Sucesso de vendas ao longo de uma década (2004 a 2014), a Hornet tinha proposta esportiva. Seu quadro era feito em alumínio, a suspensão dianteira usava garfo invertido e seu motor de 599,3 cm³, derivado da esportiva CBR 600RR, oferecia 102 cv a 12.000 rpm, com aquela "esticada" mais forte em altos giros. Já o tetracilíndrico da CB 650F produz apenas 87 cv a 11.000 rpm. Os engenheiros da Honda privilegiaram o torque em baixos e médios giros: o motor de 649 cm³ atinge o máximo de 6,4 kgfm já a 8.000 giros. O consumo varia entre 15,6 e 17,4 km/litro.

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    Imagem: Doni Castilho/Infomoto

    Cadê tecnologia?

    Não há aparatos modernos, como acelerador eletrônico, modos de pilotagem ou controle de tração, apenas uma resposta imediata ao acelerador já a partir de 4.000 giros e um câmbio com engates precisos e uma relação longa nas marchas mais altas. Em contrapartida, pode-se engatar a sexta e última marcha e rodar tranquilamente até na cidade.

  • Imagem: Doni Castilho/Infomoto
    Doni Castilho/Infomoto
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    Haja coração?

    Apesar do agradável ronco da ponteira curta do escapamento, essa naked Honda não é das motos mais emocionantes. Em altas rotações, acima dos 8.000 rpm, os giros crescem mais lentamente e a CB 650F não tem a mesma "pegada" da Hornet. A velocidade máxima fica pouco acima dos 200 km/h e, portanto, há desempenho suficiente para viajar dentro do limite legal. Nela, a sensação de velocidade é ampliada pela falta de proteção aerodinâmica.

  • Imagem: Doni Castilho/Infomoto
    Doni Castilho/Infomoto
    Imagem: Doni Castilho/Infomoto

    Falta aquela graça

    O desempenho do conjunto ciclístico é bastante equilibrado, mas também sem muita inspiração. De toda forma, a CB 650F é bastante maneável em baixas velocidades, graças a sua posição de pilotagem ereta e um assento baixo (810 mm) que permite que a maioria dos motociclistas alcancem os pés no chão.

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    Imagem: Doni Castilho/Infomoto

    Controle é tudo

    A estabilidade em alta velocidade é excelente; as suspensões, embora espartanas, oferecem uma combinação de conforto e controle em curvas. Mas a naked de 650cc não consegue se igualar em leveza, agilidade e não transmite a mesma confiança do que a Hornet ou outras nakeds médias em uma serra sinuosa.

  • Imagem: Doni Castilho/Infomoto
    Doni Castilho/Infomoto
    Imagem: Doni Castilho/Infomoto

    Podia morder mais

    Os freios são outro bom exemplo da disparidade entre Hornet e CB 650F: os dois discos de 320 mm e o eficiente sistema ABS são adequados para situações normais, mas em uma frenagem mais forte é preciso apertar o manete com vontade.

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    Doni Castilho/Infomoto
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    Informação é poder

    O painel digital é atrativo e de fácil visualização, e inclui consumo médio e instantâneo. Mas não seja possível alternar entre as informações sem tirar uma das mãos do guidão. Além disso, um indicador de marcha na CB 650F com seu elástico motor também seria bem-vindo.

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    Lacuna

    No fim da contas, a Honda talvez tenha razão e a CB 650F não veio mesmo para substituir a Hornet. Falta um pouco da emoção e do carisma da outra naked média. Mas fica a lacuna na linha da fábrica japonesa para um modelo sem carenagem, com motor de quatro cilindros, potência na casa dos três dígitos e mais personalidade. Cadê a Hornet 800 cc?

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