Cultura do carro

Do Opala ao Uno, veja 10 modelos brasileiros que viraram carro de corrida

Leonardo Felix

Do UOL, em São Paulo (SP)

21/12/2016 08h00

Dizem que o automobilismo é referência para saber o que será visto nos carros de rua num futuro próximo. Nem sempre é assim: às vezes a lógica acaba invertida e são as novidades das ruas que vão parar nas pistas.

UOL Carros lembra 10 exemplos de categorias formadas por modelos de produção. A prioridade foi mencionar veículos reais, apenas adaptados para as competições. Há alguns casos, porém, em que o veículo nada mais é do que um chassi tubular envolto por uma carenagem com a cara do modelo. Muitas tiveram vida curta e são pouco lembradas, mas algumas fizeram sucesso e duraram bons anos. 

Lembre-se: a lista não é definitiva e foi escolhida após conversa entre os jornalistas de UOL Carros. Você também pode apontar de outras categorias e deixar suas lembranças no campo de comentários. Bora lá: 

Das ruas para as pistas

  • Imagem: Antonio Carlos Mafalda/Folhapress
    Antonio Carlos Mafalda/Folhapress
    Imagem: Antonio Carlos Mafalda/Folhapress

    Chevrolet Opala e Ômega

    Criada no fim dos anos 70 para substituir a extinta Divisão 1, a Stock Car nasceu usando clássicos Opala 6-cilindros de 4,1 litros, cerca de 270 cv e tração traseira. Ao longo dos anos os carros começaram a ser carenados pelos próprios competidores. Em 87 veio o apoio oficial da GM, com utilização de carenagem padrão feita pela Caio. Após separação de três anos no início da década de 90, a fabricante voltou a patrocinar o campeonato, agora fornecendo chassis do recém-lançado Ômega empurrados pelo mesmo 6-canecos do velho Opala. Na virada do milênio a categoria passou a utilizar chassis tubulares, que desde então receberam a cara de Chevrolet Vectra, Sonic e Cruze, além de Peugeot 307 e Volkswagen Bora.

  • Imagem: Arquivo Folha de S. Paulo
    Arquivo Folha de S. Paulo
    Imagem: Arquivo Folha de S. Paulo

    Fiat Uno e Palio

    Organizada em 1992 por Luiz Antonio Greco (nome forte do autobilismo brasileiro à época) com chancela da Fiat, a Fórmula Uno -- trocadilho genial com o nome da Fórmula 1, embora os carros de "fórmula" não tivessem absolutamente nada -- colocava nas pistas a versão 1.6 R, de 84 cv e tração dianteira. Pilotos do calibre de Ingo Hoffmann, Chico Serra e Paulo Gomes competiram nesse certame, que chegou a dividir os competidores em classes devido ao alto número de inscritos. Em 94 a principal divisão passou a usar a configuração 1.4 turbo de 118cv, e até uma classe exclusiva para mulheres surgiu. Em 96 a Fiat decidiu usar a série para promover o Palio, o que ajudou a acelerar a perda de apelo.

  • Imagem: Divulgação
    Divulgação
    Imagem: Divulgação

    Mitsubishi Pajero, L200 e ASX

    Um dos eventos automobilísticos mais longos ainda em disputa no Brasil, desde 1994, o Mitsubishi MotorSports é um evento puramente voltado a demonstrar a capacidade off-road dos utilitários japoneses. Antigamente as participações ocorriam com gerações antigas da família Pajero. Atualmente são usadas unidades de produção de ASX, L200 Triton e Pajero TR4.

  • Imagem: Fernando Ramos/Blog do Jovino
    Fernando Ramos/Blog do Jovino
    Imagem: Fernando Ramos/Blog do Jovino

    Chevrolet Corsa

    Formada em 1995 como complemento à Ômega Stock Car e à Fórmula Chevrolet, a Copa Corsa promovia o recém-lançado compacto usando para isso a versão GL 1.4 2-portas, de 90 cv. Os campeonatos eram disputados de maneira regional, com divisões em São Paulo, Porto Alegre, Fortaleza e Brasília-Goiânia. No fim do ano, os 10 mais bem colocados de cada regional se reuniam numa prova final. Problemas de organização, como regulamentos diferentes adotados de uma região para a outra e falta de critérios na inspeção dos carros, enfraqueceram a competição até que ela deixasse de ser realizada, no final de 97.

  • Imagem: Xando Pereira/A Tarde/Folha Imagem
    Xando Pereira/A Tarde/Folha Imagem
    Imagem: Xando Pereira/A Tarde/Folha Imagem

    Troller T4

    O valente jipinho brasileiro foi transformado em competição de rali em 2003, com a criação da Copa Troller. Desde então a categoria vem sendo realizada ininterruptamente, sempre utilizando configurações originais do T4. Propulsor é o já conhecido Duratorq turbodiesel de 3,2 litros e 200 cv, o mesmo que equipa as versões de topo da Ford Ranger.

  • Imagem: Katie Muller/Gazeta do Povo/Folha Imagem
    Katie Muller/Gazeta do Povo/Folha Imagem
    Imagem: Katie Muller/Gazeta do Povo/Folha Imagem

    Renault Clio

    Aproveitando a chegada da Fórmula Renault (categoria-base de monopostos trazida pelo ex-Fórmula 1 Pedro Paulo Diniz), a marca francesa decidiu bancar também a Copa Clio, evento auxiliar cujos bólidos se baseavam no Clio II -- aquele mesmo, oferecido de 1996 até há pouco tempo em nosso mercado, e que será substituído em 2017 pelo Kwid). Motorização era a mesma da configuração 1.6 de produção: K4M HiFlex de 115 cv. Em 2006, o "Renault Speed Show" acabou e o campeonato seguiu organizado de forma independente, incluindo a troca do motor 1.6 por outro, de 2 litros, preparado para competições. A inescapável morte aconteceu em 2009.

  • Imagem: Marco Aurélio Martins/Ag. A Tarde/Folhapress
    Marco Aurélio Martins/Ag. A Tarde/Folhapress
    Imagem: Marco Aurélio Martins/Ag. A Tarde/Folhapress

    Mini Cooper

    Assim como a Copa Montana, outra novidade da Vicar para o evento da Stock Car em 2010 era o Mini Challenge, campeonato voltado a iniciantes (substituía a Stock Jr.) que utilizava modelos de produção da penúltima geração do Mini (versão John Cooper Works, com motores 1.6 turbo de 224 cv). Começou até bem, com quase 30 carros no grid, mas aos poucos foi esvaziada e morreu em 2012. Uma de suas maiores polêmicas foi que os carros, importados da Inglaterra, acabaram destruídos em ferro-velho por conta dos custos de expatriação.

  • Imagem: Dorivan Marinho/Fotoarena/Folhapress
    Dorivan Marinho/Fotoarena/Folhapress
    Imagem: Dorivan Marinho/Fotoarena/Folhapress

    Fiat Linea

    O Fiat Linea nunca pegou no Brasil, nem o carro nem a categoria criada para ajudar a formar sua imagem. O Trofeo Linea (posteriormente rebatizado para Copa Fiat) surgiu em 2010 como evento pertecente ao Racing Festival, organizado por Felipe Massa e que contava também com a Fórmula Futuro, espécie de ponte entre kart e Fórmula 3. O modelo era o Linea original (o que significa que a tração era dianteira), porém com carroceria e suspensões modificadas, além do motor 1.4 T-Jet turbo recalibrado para alcançar 260cv. Durou apenas três anos e, hoje, poucas unidades restam preservadas na sede da fabricante em Betim (MG).

  • Imagem: Luis Ushirobira/Valor
    Luis Ushirobira/Valor
    Imagem: Luis Ushirobira/Valor

    Mitsubishi Lancer

    Um dos sedãs mais divertidos (e esquecidos) do mercado brasileiro, o Lancer foi usado como base para criação da Lancer Cup em 2013, com organização dos representantes oficiais da Mitsubishi no Brasil. Usa o mesmo motor 2.0 Mivec do três-volumes convencional, porém sobrealimentado por turbocompressor e com transmissão automatizada de seis marchas (mesmo trem-de-força do extinto Lancer Evolution). Continua disputada regularmente até este ano.

  • Imagem: Aloisio Mauricio /Fotoarena/Folhapress
    Aloisio Mauricio /Fotoarena/Folhapress
    Imagem: Aloisio Mauricio /Fotoarena/Folhapress

    Mercedes-Benz Classe C e GLA

    Desde 2011 a Mercedes-Benz Challenge é um dos eventos auxiliares da Stock Car, junto com o Brasileiro de Marcas. Nos primeiros anos a série utilizou como carro padrão uma configuração preparada do Classe C de penúltima geração (versão C250), dotado de propulsor 2.0 turbo de 220 cv e transmissão automática de sete velocidades. Em 2014 houve troca para o CLA 45 AMG, cuja mesma unidade 4-cilindros de 2 litros está preparada para atingir 360 cv e é agora gerenciada por câmbio automatizado de dupla embreagem, também com sete marchas.

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