Carros

Atualizada em 23.08.2016 18h06

Cinco evoluções que ajudariam Fiat Mobi a deslanchar em vendas

Leonardo Felix

Do UOL, em São Paulo (SP)

O conceito do Fiat Mobi é interessante: subcompacto urbano, que preza pela agilidade e funcionalidade para lidar com o forte trânsito das metrópoles brasileiras.

Estamos falando de uma filosofia importante num país com estrutura rodoviária precária e pouco preparado para receber SUVs grandes ou veículos maiores.

Nesse aspecto, o Mobi cairia como uma luva em nosso mercado, mas ainda há barreiras a serem quebradas -- obstáculos que seu principal rival, o Volkswagen up!, também não conseguiu romper. A primeira delas é o preconceito em relação a carros pequenos: ainda vivemos uma cultura que enxerga automóvel como sinônimo de status e prestígio.

Mas o Mobi tem vacilos de projeto (ou estratégia). Por conta deles, o modelo ainda está bem distante de alcançar o objetivo de vender 65 mil unidades até o fim deste ano -- no fechamento de julho foram computados 9.989 emplacamentos.

Na prática, a Fiat teria que emplacar 11 mil carros por mês, daqui por diante, para cumprir a meta. O Chevrolet Onix, líder com folga do mercado nacional, vende em média 11,5 mil carros por mês. Ou seja, o Mobi precisaria liderar o mercado, já a partir deste mês, para atingir sua missão...

UOL Carros acredita que o carrinho da Fiat possa melhorar estes números, mas para isso ele precisa melhorar em alguns pontos. Confira cinco deles abaixo.

Pontos onde o Mobi pode melhorar

  • Imagem: Murilo Góes/UOL
    Murilo Góes/UOL
    Imagem: Murilo Góes/UOL

    Preço

    Uma das grande decepções durante o lançamento foi a tabela de preços: entre R$ 31.900 e R$ 43.800. É muita grana para um modelo que se propunha a ter na relação custo-benefício seu maior ponto forte, principalmente quando lembramos que muito de sua mecânica (plataforma, motor e suspensões) se origina do "irmão" Uno. UOL Carros apurou que já existem promoções esporádicas oferecendo a versão de entrada Easy a R$ 29.900, mas isso ainda não é suficiente -- o Mobi mais básico não possui sequer direção assistida ou ar-condicionado. As etiquetas precisam ser mais agressivas por essência.

  • Imagem: Murilo Góes/UOL
    Murilo Góes/UOL
    Imagem: Murilo Góes/UOL

    Visual

    A Fiat foi esperta ao querer fugir do minimalismo do up! -- um conceito estético ao qual o brasileiro tende a torcer o nariz --, mas acabou exagerando ao seguir o caminho oposto: o Mobi saiu musculoso demais para seu porte. A proposta visual não chega a ser ruim -- a frente com para-choque bicudo e o formato da grade agradam. A impressão, porém, é de que algumas partes do carrinho são muito grandes para seu tamanho, vide faróis e lanternas. É possível encontrar um meio-termo que não fique nem tão simplista nem tão desproporcional, mas este é um ponto que deve demorar a acontecer.

  • Imagem: Murilo Góes/UOL
    Murilo Góes/UOL
    Imagem: Murilo Góes/UOL

    Motorização

    Usar o velho motor 1.0 Fire flex, de quatro cilindros, foi uma forma de a Fiat dar sobrevida a um propulsor fadado ao fim. Afinal, Palio Fire está para sair de linha, Uno estreará em breve a família GSE, de três cilindros, e, até 2017, o Palio também deve deixar de ser equipado com este motor -- este último, aliás, tem futuro incerto com a iminente chegada do sucessor "esticado", chamado internamente de "X6H". Mesmo assim, como o Mobi é levinho, o casamento com o trem-de-força desatualizado não chega a ser ruim: ele é até espertinho em arrancadas e retomadas, além de econômico. O ideal seria seguir a receita do up! -- motor 3-cilindros aspirado em configurações básicas e turbinado nas mais caras --, mas o futuro GSE terá somente duas válvulas por cilindro, o que limita a adaptação.

  • Imagem: Murilo Góes/UOL
    Murilo Góes/UOL
    Imagem: Murilo Góes/UOL

    Conectividade

    O Live On, sistema de entretenimento que integra comandos de voz e do volante do automóvel a um aplicativo no celular do proprietário, transformando o próprio smartphone na tela central -- o aparelho é pinçado ao painel por meio de um mecanismo retrátil --, ainda não saiu da promessa. Estimado para junho, depois para agosto e agora para setembro, ele é uma solução inteligente e de baixíssimo custo, mas que precisa ser lançada logo -- e oferecido a um preço justo.

  • Imagem: Murilo Góes/UOL
    Murilo Góes/UOL
    Imagem: Murilo Góes/UOL

    Interior

    O acabamento do Mobi é simples e predominado por plástico duro, mas quem aprecia texturizações criativas vai gostar do interior. A ergonomia fica comprometida pelo curtíssimo entre-eixos de 2,30 metros, que obrigou a Fiat a adotar bancos dianteiros extremamente finos. Para quem entende a proposta do carro isso não chega a ser problema: nossa reportagem chegou a conhecer pessoas de mais de 1,90 metro que compraram o carrinho e se adaptaram bem a seu espaço interno. Mas para quem é maior e roda mais de uma dezena de quilômetros por dia, o Mobi incomoda. Porta-malas de 225 litros é pequeno até em comparação com o up! (225 vs. 280 litros), e nem a opão de mudar a angulação dos assentos traseiros, de 23 para 18 graus, resolve o problema. Ele falha também por não oferecer encosto de cabeça e cinto de três pontos para a posição central da fileira traseira, nem ganchos para cadeirinhas infantis. Só para lembrar: o Mobi exportado para a Argentina, que também sai de Betim (MG), possui este último item...

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