Cultura do carro

"Carros 3" resgata pilotos e modelos esquecidos pela história das corridas

Pixar/Divulgação
Acima, River Scott (Wendell Scott), Junior Moon (Junior Johnson), Smokey (uma picape inspirada em mecânicos de corrida), Louise Nash (Louise Smith) e Relâmpago McQueen Imagem: Pixar/Divulgação

James Cimino

Colaboração para o UOL, em San Francisco (EUA)

14/06/2017 04h00

Relâmpago McQueen ("Lightning" no original, em inglês), o personagem principal da franquia "Carros", da Pixar, está ficando velho. E como todo mundo que começa a envelhecer, ele só percebe isso quando vê a nova geração vencendo-o, literalmente, em seu próprio jogo: na pista de corrida.

Deprimido e desolado, vai buscar ajuda em seu passado. Mais precisamente entre aqueles que o inspiraram a ser quem ele é. Nesta jornada às origens, a nova aventura de McQueen vai agradar a quem gosta de carros e de corridas: "Carros 3", que chega aos cinemas em 13 de julho, fala de pessoas e máquinas reais que fizeram a história da "stock car" nos EUA.

O começo de tudo

Nesta viagem, ele encontra seu mentor, Doc Hudson e também outras estrelas das corridas em Daytona Beach, o primeiro circuito oficial da competição.

Curiosamente, a história da prova começou por meio da contravenção. Na época da lei seca, os chamados "moonshiners" eram os responsáveis por transportar as bebidas ilegalmente, de preferência durante a noite, às escuras, em estradas de terra esburacadas e obscuras, tendo apenas o brilho da lua para os guiar -- daí o nome. Para que seu serviço fosse bem feito, eles levavam seus carros aos "bootleggers", que, na linguagem de hoje, tunavam seus Chevrolet, Ford, Oldsmobile, AMC para que resistissem ao peso da valiosa carga que levavam e, especialmente, para que pudessem ser mais rápidos que os carros da polícia.

"Os carros também tinham que ser adaptados às estradas clandestinas, não asfaltadas. Esses carros, no entanto, pareciam normais do lado de fora", conta Ray Evernham, ex-chefe de equipe da Hendrick Motorsports, que serviu de consultor para a Pixar durante a elaboração do novo roteiro.

Como só trabalho sem diversão não deixa ninguém satisfeito, cedo os motoristas que transportavam aquele "produto" começaram a perceber que eram muito habilidosos na direção. A partir daí, passaram a fazer daquilo uma competição de egos, que daria origem à competição esportiva.

"A competição começa quando se coloca homem e máquina juntos. Eles começaram a se desafiar sobre quem pilotava melhor, quem era o melhor mecânico. E começou que um grupo de moonshiners da Geórgia começou a desafiar outro grupo da Carolina do Norte. Como não havia pistas, eles se reuniam em um campo aberto e ficavam correndo em círculos. De repente muita gente começou a se juntar para assistir, aí colocaram cercas, começaram a cobrar entradas", conta Evernham.

A coisa ficou mais profissional em 1948. "Um cara, Bill France, resolveu organizar a competição e juntar todos esses caras. Este foi o nascimento da Nascar [National Association for Stock Car Auto Racing]”, relata Jay Ward, diretor criativo da Pixar.

O hoje famoso circuito de Daytona Beach, na Flórida, também nasceu no meio dessa história, já que os primeiros pilotos corriam em uma pista circular, com uma milha de largura, medida ao amanhecer quando a maré baixava, nas areias de Daytona. Imagens originais da época foram inseridas na animação e mostram a pista que era metade areia metade asfalto.

Mas quem foram as estrelas da stock car que deram origens aos personagens de "Carros 3"? Seguindo a ordem da foto acima, UOL Carros mostra alguns desses heróis.

Heróis sobre rodas viram personagens

  • Imagem: ISC Archives/Getty Images
    ISC Archives/Getty Images
    Imagem: ISC Archives/Getty Images

    River Scott: Wendell Scott

    Nem todas histórias da Nascar são alegres. É o caso de Scott. Nas palavras de Ray Evernham, "grande piloto, grande mecânico e fez mais que qualquer um na história da Nascar". Mas ele era negro e precisou correr contra o racismo: sem ajuda, fazia seu próprio pit stop, trocando pneus e reabastecendo carros como o Chevrolet Monte Carlo sozinho. Além disso, carregava um pote de frango frito pra comer dentro do carro, durante as corridas, porque não tinha tempo de fazer isso como os outros pilotos, que tinham equipes os acompanhando. "Ele era afro-americano e lutou obviamente contra o racismo no sul dos EUA nos anos 1950 e 1960. Venceu uma das corridas mais difíceis e não pode nem sequer levantar seu próprio troféu porque os organizadores não queriam um negro segurando o troféu de um branco", conta Evernham. Apenas em 2015, 25 anos após sua morte, Scott foi eleito para o "Hall da Fama".

  • Imagem: ISC Archives/Getty Images
    ISC Archives/Getty Images
    Imagem: ISC Archives/Getty Images

    Junior Johnson: Junior "Midnight" Moon

    Outro a fazer história nas corridas da Nascar. Seu pai era um "moonshiner", ele era um "bootlegger", que acabou sendo preso e, após sair da cadeia, se tornou cinco vezes campeão com seu Oldsmobile. Ainda vivo, aparece no filme aos 85 anos fazendo a voz original de seu personagem.

  • Imagem: ISC Archives/Reprodução
    ISC Archives/Reprodução
    Imagem: ISC Archives/Reprodução

    Louise Smith: Louise "Barnstormer" Nash

    Assim como o primeiro negro, a primeira mulher a competir e vencer na Nascar também virou personagem. E sua história renderia uma boa DR. Após dirigir da Carolina do Sul até Daytona para ver as corridas, Louise não gostou de ter que ficar atrás da cerca que separava a multidão da pista. Sem avisar, pegou um Ford Coupé do marido e correu tanto que acabou estraçalhando o carro. Voltou para casa de ônibus e inventou uma mentira para justificar o desaparecimento do veículo. No dia seguinte, a mentira foi revelada quando ela e o marido viram a foto de seu carro em pedaços nas páginas do jornal. Era apenas o começo ruim de uma trajetória campeã: competiu de 1945 a 1956, vencendo 38 vezes em quatro divisões diferentes.

  • Imagem: Chrysler 300 Club International/Reprodução
    Chrysler 300 Club International/Reprodução
    Imagem: Chrysler 300 Club International/Reprodução

    Jacko Flocko

    Por incrível que pareça, uma das estrelas homenageadas é um macaco. Na animação, Mack, o caminhão que carrega McQueen e outros carros de corrida, presta homenagem a Jacko Flocko. Mas quem é ele? O nome vem do "co-piloto" de Tim Flock (da direita, o segundo na foto). Reza a lenda que ele carregava Jacko Flocko em seu Chrysler 300 (ou em qualquer outro carro que usasse) como uma tática para vencer a corrida, já que muitos pilotos desavisados se assustavam com o macaco e, desorientados, acabavam dando passagem.

  • Imagem: Divulgação
    Divulgação
    Imagem: Divulgação

    Doc Hudson: Hudson Hornet

    Doc Hudson retorna em "Carros 3" para orientar Relâmpago McQueen. Dublado no primeiro filme (de 2006) pelo ator Paul Newman, foi criado em homenagem ao lendário Hudson Hornet, carro fabricado de 1950 a 1957 e que foi grande estrela das corridas nas areias de Daytona Beach, o primeiro circuito oficial da competição.

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