Kawasaki Ninja 250R é sonho de consumo no Brasil

Roberto Agresti

Roberto Agresti

Colunista do UOL
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    Nova Ninja 250, fabricada com aperfeiçoamentos na Tailândia, pode chegar até o final do ano

    Nova Ninja 250, fabricada com aperfeiçoamentos na Tailândia, pode chegar até o final do ano

No final de 2009 a Kawasaki ingressou em 1ª pessoa no mercado de motos do Brasil, dando fim a anos de titubeante presença via problemático importador. Subsidiária da poderosa Kawasaki Heavy Industries, grupo industrial japonês nascido no final do século 19 como estaleiro, a empresa no decorrer do século passado se transformou em um colosso multinacional com atividades diversificadas. Dos navios passou, entre outras coisas, à fabricação de trens, maquinário de precisão e componentes aeroespaciais.

Todavia, o nome Kawasaki não é famoso no mundo por conta de suas plataformas de petróleo, cargueiros ou submarinos, e nem por ter fornecido os "tatuzões" que cavaram o túnel sob o Canal da Mancha, ou pelos componentes fornecidos à Boeing para os 777 e 787 ou à Embraer para os jatos comerciais 170 e 190. São as motocicletas a dita "ponta de diamante", a parte mais visível da renomada alta tecnologia do grupo.

A marca nunca teve a intenção de guerrear contra suas conterrâneas, as gigantes Honda, Yamaha e Suzuki, pelo 1º lugar nas vendas em motocicletas. Motos para as massas nunca foi a "praia" da Kawasaki, mas sim modelos exclusivos, ultrapotentes, como as lendárias H1 do final dos anos 1960.

Tais esportivas, com furiosos motores 2 tempos tricilíndricos de 500 cc, são cultuadas até hoje como inigualáveis ícones da velocidade daquela época. Às fumacentas e velozes H1 seguiu-se outro fenômeno sobre rodas, a Z1, uma 900 cc lançada em 1972 que ofuscou a superbike de então, a Honda CB 750 Four.

A Kawasaki foi a indústria japonesa pioneira a se instalar com uma fábrica nos EUA para produção de veículos, em 1975. E foi naquele mercado que a palavra Ninja foi aplicada pela primeira vez a uma superesportiva da marca, a GPZ 900R de 1984. Desde então, Ninja é sinônimo de moto com indissociável verve esportiva.

MOTONOTAS!

+ Motocicletas e "jet-skis", nome registrado pela empresa para suas motos aquáticas, compõem a divisão de "Consumer Products" da Kawasaki Heavy Industries, Ltd., que obteve 18% do faturamento nas vendas do grupo no ano fiscal de 2012, encerrado em 31 de março passado.
+ Satoshi Hasegawa, presidente da KHI, revelou em recente entrevista que o bom resultado do business da motocicleta depende fundamentalmente das vendas nos países do sudeste asiático -- Indonésia, Tailândia, Vietnã e outros -- assim como da China, Índia e Brasil: "A demanda em mercados desenvolvidos como a Europa e os EUA demorará a se normalizar, mas o constante crescimento da classe média nos países citados e a busca por motocicletas para lazer acima dos 250 cc alimentará vendas crescentes".
+ Rivais não faltam para competir com a Kawasaki Ninja 250R em nosso mercado. A mais antiga oponente é a Kasinski Comet GT 250, também bicilíndrica, que se vale da tecnologia da coreana Hyosung. A Honda recentemente introduziu em nosso mercado um modelo importado da Tailândia, a CBR 250R, que porém é dotada de motor monocilindro, além de ser mais cara que a Kawasaki. Outra player do segmento, montada em Manaus, é a Dafra Roadwin 250, que se vale de tecnologia da sul-coreana Daelim.

NINJINHA
No Brasil, desde que se instalou com fábrica em Manaus (AM), a mais vendida moto da marca é uma Ninja, a menor delas, o modelo 250R. A bicilíndrica, apesar de pequena no tamanho, é cultuada como a mais esportiva motocicleta de sua categoria, referência em performance e design. Assim como no mercado mundial, a Kawasaki no Brasil não parece estar interessada em enfrentamentos no segmento das utilitárias e, salvo mudança radical na política da empresa, difícil imaginar uma Kawasaki competindo no mesmo segmento que uma Honda CG ou Yamaha YBR.

Certamente esse elitismo e a aura de excelência técnica superior contribui muito para o sucesso da pequena Ninja 250R. Porém, evidentes qualidades dinâmicas revestidas por um espetacular design conferem a essa moto o status de fenômeno mundial, que foi capaz de literalmente ressuscitar o segmento de 250 esportivas que, em mercados maduros como o europeu e norte-americano, estava há anos em absoluto declínio. Com a "Ninjinha", jovens e nem tanto se animaram a largar pacatos scooters ou anônimas motos utilitárias em troca do indiscutível carisma do nome Ninja e decorrentes emoções -- e status -- a preço abordável.

No Brasil, onde custa cerca de R$ 14 mil, a Kawasaki Ninja 250R se transformou no objeto do desejo da massa de motociclistas que cavalga as utilitárias de 125 ou 150 cc, ou mesmo os que já subiram o degrau para as 250 cc e 300 cc, mas desprovidas do charme que o nome Ninja oferece. Por aqui a exclusividade de ter uma genuína Kawasaki Ninja, antes da introdução desta pequena 250R, era privilégio de bem poucos abonados.

No início deste mês de agosto, uma nova Ninja 250R foi apresentada no sudeste asiático. Fabricada na Tailândia, a novidade conta com importantes aperfeiçoamentos, tais como um novíssimo painel digital, carenagem redesenhada e versão dotada de freios ABS. Um real passo à frente em termos técnicos e de design, que certamente deixará os consumidores brasileiros em grande expectativa. Especula-se que este novo modelo deverá chegar ao nosso mercado até o final do ano.

Roberto Agresti

Roberto Agresti é editor da Revista da Moto! desde 1994. Sua estreia na imprensa automotiva foi em 1984, com passagens pelas revistas Motoshow (atual Motor Show) e Motor 3. Colabora com avaliações de carros no site Best Cars desde 2007, mas sua especialidade e paixão são as motocicletas. A coluna Moto! é publicada às sextas-feiras só em UOL Carros. agresti@revistadamoto.com.br

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