Freios ABS são fundamentais para a segurança do motociclista

Roberto Agresti

Roberto Agresti

Colunista do UOL
  • Doni Castilho/Infomoto

Não há como contestar que frear uma motocicleta é uma “arte” difícil de ser dominada. Mesmo entre gente experiente ao guidão, hábil na condução de motos dos mais diversos tipos e tamanhos, não é comum encontrar quem conheça as técnicas mais corretas para o delicado momento da frenagem.

Uma coisa é frear uma moto em pista seca, no plano, e com pavimentação boa. Bem diferente é fazê-lo em chão escorregadio, na descida e com garupa. Estas situações extremas exigem atitudes diferentes nos comandos de freio, coisa que não se aprende na moto-escola e nem mesmo no uso contínuo e diário.

Exemplifica isso citação na primeira Coluna Moto! de junho e que agora repetimos: segundo fontes da Honda, para cada conjunto de pastilhas ou sapatas de freio dianteiras são vendidos dez conjuntos traseiros. O certo seria o exato oposto, um maior consumo do freio dianteiro, e tal dado explicita a ignorância da massa dos motociclistas, que desconhece ser o freio dianteiro o prioritário, cabendo ao traseiro o papel de “equilibrador” da frenagem.

A proporção de força preconizada para ser aplicada nos comandos é de 70% no dianteiro e 30% no traseiro. Porém, como descrito no início, as condições de piso, carga e até mesmo o tipo de moto podem alterar esta proporção.

MOTONOTAS!

Bosch, a marca pioneira no desenvolvimento dos freios ABS, conduziu pesquisa entre motociclistas brasileiros e argentinos, que resultou em evidente ponto a favor do equipamento em motos: 40% deles disseram que não freiam com a intensidade que gostariam por medo de travar as rodas.
BMW foi a marca pioneira a introduzir os freios ABS em uma moto como equipamento de série, no modelo K 100 de 1988. A moto seguinte a ganhá-los, uma Honda, só veio em 1992 -- era o modelo
ST 1100 Pan European.
Peso extra sempre foi um dos grandes problemas para uma maior disseminação do ABS em motos. A versão inicial pesava mais de quatro quilos. Agora, a nona geração do sistema apresentada recentemente tem apenas
700 gramas.

E A SOLUÇÃO?
Como solucionar esse intrincado problema? Educação, informando ao motociclista o certo e o errado, assim como as variantes envolvidas no processo seria o óbvio, mas complicado demais e com resultados variados pois, como sempre, haverá quem seja mais hábil e quem seja menos.

Um modo simples e direto de resolver o problema vem da tecnologia, e nem tão recente assim: equipar as motos com o sistema de freio ABS, sigla derivada do inglês "Anti-lock Braking System", cuja tradução é sistema de frenagem antitravamento. Seja em frenagem tipo “pânico”, seja naquela aplicada de modo natural, sistemas ABS proporcionam uma segurança muito maior ao evitar o bloqueio das rodas e consquente perda de aderência, além de também impedir que o efeito giroscópico responsável pelo equilíbrio da moto cesse 100%.

Há quem sustente que o sistema acabe por aumentar os espaços de frenagem, o que é verdade apenas em se tratando de superpilotos capazes de executar frenagens de modo fora das possibilidades do motociclísta mediano -- daí o ABS não equipar motos de competição, como, por exemplo, a MotoGP.

Todavia, a evolução do aparato, utilizado em motocicletas há mais de duas décadas, progrediu não só na precisão de sua atuação como em outro aspecto importante para motos: o peso e o espaço que ocupa.

Inicialmente usado em motos grandes por conta da necessidade de espaço e menor influência aos quilos acrescentados ao veículo, o sistema ABS foi contínuamente reduzido e hoje está presente inclusive motos de porte reduzido. As menores delas, no Brasil, são as Honda CBR 250R, CB 300R e XRE 300, o que faz da empresa a pioneira quanto a oferecer ABS para motos de porte e preço mais acessível.

É CARO...
O impedimento a uma maior disseminação dos freios ABS é, além do desconhecimento ou menosprezo aos seus benefícios, o exagerado preço cobrado por ele: no modelo mais popular dotado do sistema em nosso mercado, a CB 300R, o opcional faz o preço saltar de R$ 11.690 para R$ 13.390. Isso explica em boa parte a baixa vendagem do modelo ditado com o opcional, que no "share" fica abaixo de 10% segundo informação de uma concessionária da marca.

Já nos modelos maiores e mais caros como a CB 600F Hornet e CB 1000R, a mesma fonte informou que a procura pelo ABS é de 30%, cifra ainda baixa, mas que demonstra a proporção mais favorável no custo do opcional face à das motos menores, com a CB 1000R dotada de ABS sendo vendida por R$ 40.800, R$ 3 mil a mais do que a versão sem o equipamento.

Incontestável equipamento de segurança para motos, já disseminado nos carros (quando será equipamento obrigatório de todos os modelos fabricados no Brasil à partir de 2014), na Europa o ABS para motos está sendo cogitado para se tornar obrigatório à partir de 2016, o que certamente é uma iniciativa a ser copiada pelos nossos legisladores.  

Roberto Agresti

Roberto Agresti é editor da Revista da Moto! desde 1994. Sua estreia na imprensa automotiva foi em 1984, com passagens pelas revistas Motoshow (atual Motor Show) e Motor 3. Colabora com avaliações de carros no site Best Cars desde 2007, mas sua especialidade e paixão são as motocicletas. A coluna Moto! é publicada às sextas-feiras só em UOL Carros. agresti@revistadamoto.com.br

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