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Solução para veículos elétricos: que tal trocar bateria usada por uma nova?

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"Battery pack" da Honda é um conjunto de células embaladas em forma de tanque; basta trocar um usado por outro carregado Imagem: Divulgação
O Motociclista Roberto Agresti

Roberto Agresti, editor da Revista da Moto! desde 1994, volta a escrever para UOL Carros. Sua estreia na imprensa automotiva foi em 1984, com passagens pelas revistas Motoshow (atual Motor Show) e Motor 3. Atualmente, é comentarista da rádio CBN/CBN MOTO e colaborador do site AutoEntusiastas desde 2011.

Roberto Agresti

Colaboração para o UOL

18/01/2018 04h00

Honda confirma uso de baterias intercambiáveis na CES e pode mudar história de modelos eletrificados

Parece que temos um caminho bastante lógico e prático para driblar o problema da durabilidade das baterias, calcanhar-de-aquiles dos veículos elétricos. A solução surge na CES 2018, feira internacional realizada em Las Vegas (EUA) famosa por, todo ano, exibir os notáveis avanços da tecnologia. A Honda aproveitou o evento para confirmar a padronização e a intercambiabilidade das baterias de seus modelos eletrificados.

Não foi uma apresentação de tecnologias inéditas: já havíamos apontado essa possibilidade na antecipação do Salão de Tóquio, em 10 de outubro, bem como no encerramento do evento. Na prática, ambas representam algo que já acontece com nossos equipamentos eletrônicos alimentados por pilhas padrão AA ou AAA: acabou a energia? Troca-se por outra bateria carregada!

Todas as novidades mostradas pela Honda em Las Vegas -- quadriciclos, robôzinhos, dispositivos alternativos para mobilidade e serviço -- se valem de um "battery pack", que também equipa o PCX (o scooter de maior sucesso no Brasil) em sua versão elétrica, apresentada no Salão de Tóquio.

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PCX usa dois packs, que ficam instalados sob o banco Imagem: Divulgação

Acabou, trocou

Prometido para chegar às revendas Honda ainda este ano, primeiramente no sudeste asiático, o PCX elétrico conta com duas unidades do "Honda Mobile Power Pack" que podem ser sacadas do compartimento sob o banco e trocadas por um par de baterias carregadas. Aliás, isso mantém o uso do PCX quase idêntico ao de sempre com nossas motos na hora que o tanque se esvazia: é só reabastecer.

Onde isso aconteceria? Eis o pulo do gato da empresa, que apresentou um equipamento do tamanho de uma pequena geladeira destinado a receber baterias descarregadas e oferecer as carregadas, para ser instalado em locais públicos de fácil acesso.

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Olha os "battery packs" (em azul, ao centro) neste conceito off-road da Honda; ideia é padronizar uso Imagem: Divulgação

Padrão é preciso

Certamente esse sistema só conseguirá ter a necessária utilidade se disseminado de modo como hoje são os postos de combustível.

Mais importante, é preciso haver diálogo entre fabricantes para que não se estabeleça uma burra guerra de formatos, filme (ruim) que já assistimos no passado em relação a diversas outras tecnologias, por exemplo, com às hoje extintas fitas de vídeo (VHS, Super VHS, Betamax..., lembram?), com vários fabricantes desperdiçando energia para criar seu próprio sistema quando o ideal seria a padronização. 

Considerando que tecnologia que move a absoluta maioria dos veículos circulando sob a face da terra há mais de um século, o motor à combustão interna, está com os dias contados (o tempo restante estimado pode ser inferior a duas décadas) é fundamental definir qual será a propulsão substituta.

Fonte de energia mais "limpa" e amigável ao meio ambiente, a propulsão elétrica atualmente parece ser a opção mais viável e não são poucos os veículos que já se valem de eletricidade para propulsão.

Assim, a solução proposta pela Honda não aumenta a durabilidade das baterias e nem a velocidade de recarga, mas resolve a principal questão que é dar a possibilidade de, através de uma fácil operação, seguir utilizando o veículo. 

Importante é, daqui por diante, saber o que outros fabricantes como BMW, Yamaha, Kawasaki e etc... acham da ideia da definição de um padrão para o intercâmbio de baterias e, assim, termos a necessária paz de espírito, ou seja, a certeza de que seguiremos rodando.