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Opinião: Salão Duas Rodas 2017 marca retomada do setor de motos no Brasil

Facebook/Salão Duas Rodas
Salão Duas Rodas 2017 acontece de 14 a 19 de novembro em São Paulo, no centro de exposições São Paulo Expo Imagem: Facebook/Salão Duas Rodas
Divulgação
O MotociclistaRoberto Agresti

Roberto Agresti, editor da Revista da Moto! desde 1994, volta a escrever para UOL Carros. Sua estreia na imprensa automotiva foi em 1984, com passagens pelas revistas Motoshow (atual Motor Show) e Motor 3. Atualmente, é comentarista da rádio CBN/CBN MOTO e colaborador do site AutoEntusiastas desde 2011.

Colaboração para o UOL, em Milão (Itália)

15/11/2017 04h00

O Salão Duas Rodas, evento bienal do segmento da motocicleta que intercala anualmente com o Salão do Automóvel, abriu suas portas nesta terça-feira (14) em São Paulo. Confrontá-lo com edições anteriores resultaria em óbvia constatação de decadência se os critérios forem os de área expositiva ou número de estandes.

Mas o que se percebe circulando pelos corredores do centro de exposições SP Expo, mesmo local onde do salão de autos, não é retrocesso ou desânimo, mas sim uma concreta esperança de retomada -- e até mesmo, aliás, de uma discreta euforia. A quantidade e qualidade dos lançamentos é relevante assim como a convicção dos executivos deste setor de que 2018 será um ano melhor.

Há cinco anos as vendas de motos no Brasil só caem: das mais de 2 milhões de unidades vendidas em 2011, a previsão é encerrar 2017 sem nem sequer repetir o péssimo ano de 2016, quando os emplacamentos estacionaram em pouco mais de 858 mil unidades.

O que explica esse otimismo?

Não apenas a morna retomada da economia brasileira, mas talvez uma "lição de casa" concluída à duras penas, e que talvez venha a dar outra cara ao mercado -- talvez não tão esfuziante como foi no passado, mas ainda assim positiva, o que tornaria o país um lugar onde ainda valeria a pena fazer negócios no ambiente das duas rodas.

Premissa básica, quase que unanimidade entre os comandantes das principais empresas do setor, é que ainda vai demorar bastante tempo para o Brasil recuperar aquele número de 2 milhões de unidades/ano. A ideia até chegar lá é substituir quantidade por qualidade percebida, com boa lucratividade.

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E as atrações?

Gigante do mercado mundial e nacional, dona de mais de 80% das vendas e com mais de mil pontos de venda espalhados pelo Brasil, a Honda recheou seu estande como nunca havia feito. Não só apresentou versões consistentemente renovadas de suas best-seller como Biz, Bros e CG, mas como forrou o espaço de novidades importadas, cuja comercialização de algumas será praticamente imediata.

Ao lado destas novidades, também exibiu modelos para analisar a aceitação do público visitante, que podem ou não integrar o catálogo da marca em breve.

Os anos de vacas magras não resultaram apenas em ações duras inevitáveis -- como cortar turnos, demitir e readequar sua produção --, mas possivelmente um novo modo de fazer negócios: através de seu estande, é possível entrever que a empresa quer definitivamente assumir outra cara, a de líder não apenas na produção de utilitárias, mas também a de marca de modelos icônicos, inovadores e atraentes.

O material para esta virada está ali exposto e agora vem a outra parte do trabalho: convencer seus concessionários -- há anos habituados com utilitárias que praticamente se vendiam sozinhas -- a capacitarem-se para estes novos tempos, nos quais qualificar o processo de venda para "pescar" consumidores mais exigentes é crucial.

Rival

Do lado da Yamaha -- que comemora no salão ter alcançado sua maior fatia de mercado desde sempre, acima de 15% --, a maior novidade também está em clima de qualificação. A Fazer 250, modelo de sucesso desde seu lançamento em 2005, recebeu excelente modernização técnica e de design. Com preço praticamente igual, está mais bela, encorpada e desejável do que sua predecessora.

Com uma linha de motos atualizada -- destacam-se a família das MT e os scooters N-Max e Neo --, a Yamaha faz jus ao crescimento pela modernidade de seus modelos e acertos feitos em suas lojas, mais enxuta, é verdade, porém com pós-venda afinado.

Donas de mais de 95% do mercado, as japonesas Honda e Yamaha mostram que o caminho a seguir é mesmo o da qualificação, pluralidade de ofertas e excelência na prestação de serviços, confiando que a resposta do consumidor será coerente com o ajuste de rota imposto por tantos anos de vendas magras...

Mercado de nicho

Neste evento sinais positivos vêm também de nichos mais exclusivos, no qual atuam BMW, Ducati, Harley-Davidson, Indian, KTM, Triumph e a recém-chegada Royal Enfield. Seus estandes confirmaram a disposição de atender aos motociclistas "do andar de cima", menos afetados pela crise, mas nem por isso dispostos a comprar porcaria.

Em todos os espaços, modelos recém-exibidos no recente Salão de Milão foram mostrados com a promessa de comercialização para breve, situação oposta à do passado, no qual o "gap" entre o lançamento de uma novidade no exterior e sua aparição no Brasil era extenso, acabando por desmotivar muitos clientes.

Passear nos corredores do evento é uma experiência recomendável para fãs de motocicletas. Há modelos para todos os gostos e o ar que se respira é definitivamente o de uma retomada, que demorou, mas parece em vias de efetivamente acontecer.

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