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O Motociclista

Marcas de moto já fizeram piano, trem e até armas; conheça origens

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O MotociclistaRoberto Agresti

Roberto Agresti, editor da Revista da Moto! desde 1994, volta a escrever para UOL Carros. Sua estreia na imprensa automotiva foi em 1984, com passagens pelas revistas Motoshow (atual Motor Show) e Motor 3. Atualmente, é comentarista da rádio CBN/CBN MOTO e colaborador do site AutoEntusiastas desde 2011.

Colaboração para o UOL

11/09/2017 16h48

Não é segredo para um verdadeiro admirador de motocicletas que a maior empresa do setor, a Honda, nasceu do obstinado sonho de seu fundador de produzir veículos de duas rodas que fossem perfeitos.

Como de costume, a tarefa foi difícil. No Japão do final dos anos 1940, no imediato pós-guerra, a solução encontrada pelo Sr. Soichiro Honda foi adaptar um motorzinho a um chassis de bicicleta.

Deu certo e ele, um autodidata cuja genialidade técnica dispensou formação acadêmica, pôde ousar e partir para um projeto de moto 100% original cujo nome de batismo, “Dream” (sonho em inglês), revelou escancaradamente que uma grande dose de paixão foi decisiva para encaminhar a Honda para o lugar onde está hoje.

Maior fabricante de motos do planeta há décadas, a Honda é também um colosso da indústria automobilística e seu comprometimento com a alta tecnologia fica evidente através do robozinho humanoide Asimo ou de sua mais recente incursão na indústria aeronáutica, com o inovador Honda Jet.

Porém, nem sempre as marcas de motos nasceram tendo como objetivo prioritário de fabricar motocicletas. Entre as chamadas “quatro grandes”, as japonesas Honda, Kawasaki, Suzuki e Yamaha, apenas a Honda iniciou sua trajetória industrial com as duas rodas. 

Reprodução
Honda surgiu para fazer motos, mesmo. Mas, até chegar lá, teve de começar com bicicletas motorizadas Imagem: Reprodução

Japonesas: música, trens e teares

A Yamaha, segunda maior fabricante de motocicletas do planeta, teve nos instrumentos musicais sua primeiríssima atividade, inaugurada no já distante ano de 1887. Daí seu logotipo ter três diapasões entrelaçados.

As motocicletas só vieram após o fim da Segunda Guerra Mundial, no final dos anos 1940, visando aproveitar a expertise metalúrgica desenvolvida durante o conflito. Daí para frente a Yamaha virou o que é: fabricante mundial de motocicletas, motores aeronáuticos, teclados, pianos e muito mais.

Também centenária, a Kawasaki já era um gigante industrial antes de fabricar motocicletas, com atividades múltiplas: fabricava de trens, navios, maquinário para indústria pesada, geradores etc.

Fabricar motocicletas foi uma espécia de manobra de marketing para fazer o nome da empresa ser conhecido não apenas no âmbito das grandes corporações, mas também na casa dos consumidores comuns. Deu certo: apesar das amplas atividades no segmento aeroespacial, a Kawasaki só é conhecida hoje por qualquer pessoa comum por causa de suas motos.

Quanto à Suzuki, o início foi fabricando teares para a indústria têxtil, o que garantiu à empresa a saúde financeira necessária para investir em pesquisa sobre novos ramos de atividade. A escolha recaiu sobre a indústria automobilística, mas mais uma vez a Segunda Guerra Mundial determinou que planos fossem alterados.

Em vez de carros, a produção acabou focada nas motocicletas, mais necessárias à época. Após ganhar relevância, a Suzuki enfim teve base para se voltar às quatro rodas em 1955. 

Reuters
Kawasaki é famosa pelas motos, mas boa parte de suas operações é voltada à indústria pesada Imagem: Reuters

Marcas europeias: armas motores e vagões

As mais proeminentes indústrias de motocicletas do Velho Continente nasceram, em boa parte, de atividades ligadas à indústria aeronáutica. A alemã BMW escancara isso em seu logotipo, uma hélice estilizada, já que sua principal atividade era a fabricação de motores aeronáuticos.

Tal produção foi proibida em 1918, com a derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial, e a empresa teve de buscar uma destinação menos bélica para suas capacidades industriais. A escolha recaiu sobre as motocicletas. Delas aos automóveis foi um pulo e hoje a BMW é o gigante que é.

Inventora da "mãe" de todos os scooters, a icônica Vespa, a Piaggio iniciou suas atividades no final do século XIX, como fabricante de locomotivas e vagões. Com a chegada da Primeira Guerra Mundial, dedicou-se à indústria aeronáutica e, ao final da Segunda Guerra, com as instalações gravemente danificadas pelos bombardeios aliados, teve que se reinventar.

Assim, a econômica e prática Vespa caiu como uma luva em um mercado dizimado, dando à Piaggio a saúde para ser, até os dias atuais, a maior fabricante europeia de veículos motorizados de duas rodas motorizados.

Uma marca subsistente da outrora gloriosa indústria britânica de motocicletas, a Royal Enfield, começou também no final do século XIX, dedicando-se à produção de componentes para armas. Dali passou às bicicletas e, em seguida, às motos, percurso semelhante ao feito por outra marca britânica de relevo, a defunta BSA. 

Reprodução
Avião usado pela Alemanha na Primeira Guerra Mundial equipado com motor da BMW Imagem: Reprodução

Americanas: bicicletas

Duas marcas protagonizaram um duelo épico pelo consumidor de motos na terra do Tio Sam: Harley-Davidson e Indian. Ambas nasceram com poucos anos de diferença, a Indian em 1897 (como fabricante de bicicletas) e a H-D já no século XX (produzindo veículos que eram chamados de motocicletas, mas estavam mais para bicicletas motorizadas).

A briga entre elas foi grandiosa até que, diz a lenda, um fato determinou a sobrevivência de uma e a falência de outra: a H-D ganhou a preferência para o fornecimento de motos para o exército americano na Segunda Guerra Mundial.

A Harley-Davidson permaneceu ativa ininterruptamente desde sua fundação, enquanto a Indian fechou as portas em 1953 e passou por diversas tentativas de ressurreição, sendo a última delas -- aparentemente bem-sucedida -- por parte da forte grupo Polaris, em 2011.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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