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O Motociclista

Scooters disparam em vendas e viram opção a quem nunca quis ter uma moto

Divulgação
O MotociclistaRoberto Agresti

Roberto Agresti, editor da Revista da Moto! desde 1994, volta a escrever para UOL Carros. Sua estreia na imprensa automotiva foi em 1984, com passagens pelas revistas Motoshow (atual Motor Show) e Motor 3. Atualmente, é comentarista da rádio CBN/CBN MOTO e colaborador do site AutoEntusiastas desde 2011.

Colaboração para o UOL

17/07/2017 12h17

Brasil aumentou em 46% emplacamentos de modelos dessa categoria em 2017, mas por qual motivo? Colunista analisa

Scooters estão definitivamente em ascensão: quem diz isso é a Abraciclo, a associação dos produtores de motociclos do Brasil.

No primeiro semestre de 2017 tal segmento cresceu nada menos do que 46% se comparado ao mesmo período do ano passado, resultado este que ganha relevância ao considerar que, no mesmo período, o mercado de motos no Brasil engatou uma marcha à ré de enormes 11%.

Qual o motivo para esse crescimento robusto -- participação de mercado cresceu de 3,6% para 6,4% -- em tão pouco tempo?

Um veículo amigável

Razões são múltiplas. Especialmente nas cidades grandes e médias, scooters vêm atraindo um novo tipo de consumidor, que muito provavelmente jamais cogitaria usar uma moto para deslocamentos urbanos, mas considera o scooter um veículo mais amigável, seguro, prático e fácil de conduzir.

Estes novos usuários, muitos deles mulheres, têm toda a razão, pois os scooters levam clara vantagem sobre motocicletas em pelo menos um aspecto técnico: a transmissão automática tipo CVT, que torna a pilotagem bem mais simples. Além de não exigirem trocas de marchas, esses veículos quase sempre saem de fábrica dotados de freios com assistência ABS (antitravamento) ou CBS (frenagem combinada), o que em síntese significa maior segurança.

Também há a questão da praticidade: scooters contam com espaço sob o banco, porta-trecos espalhados e uma inigualável proteção oferecida pelo escudo frontal, que ajuda a limitar efeitos de chuva, sujeira e frio nos pés e pernas do condutor. Tal peça proporciona ainda segurança extra em caso de colisão.

Completa esta cena positiva a própria imagem do veículo, que ao contrário das motocicletas não traz nenhuma aura de agressividade. Ao invés de espantar usuários, scooters cativam por parecerem "brinquedinhos modernos" que não expõem partes mecânicas, mas sim formas fluidas e harmoniosas.

No lugar de metal estão superfícies lisas e coloridas. Fora isso, os modelos mais equipados têm charme como chave presencial (aquela que não exige ser inserida no segredo, bastando a detecção por sensor para permitir a partida do motor), portas USB, start-stop (dispositivo que desliga e religa o motor automaticamente em paradas de semáforo), iluminação por LED etc.

Crise forçou "reeducação"

Scooters são um meio de transporte que nada têm de novo. Lambretta e Vespa, clássicas nascidas nos anos 50, são consideradas as mães destes veículos, que reencontraram uma nova vitalidade há cerca de três décadas. Deixaram a instabilidade congênita para trás e ganharam porte, facilidades, segurança e tecnologia.

Na Europa não há nenhuma grande cidade onde eles não sejam as ferramentas prioritárias do "vai-e-vem" de gente pouco ou nada interessada na emoção das motocicletas, no estereótipo do “vento na cara” e na adrenalina da velocidade, mas que vê na economia (de tempo e combustível) e -- insisto -- na praticidade seu atrativo principal.

Esta realidade vem se consolidando também por aqui e não apenas entre mencionados novos clientes, os que jamais cogitariam uma moto, mas também entre motociclistas que preferem deixar suas grandes e potentes máquinas para uso rodoviário e adotar os scooters como meio de transporte preferencial na cidade.

País que em 2011 chegou a ocupar a sexta posição no ranking da produção mundial de motos, desovando anualmente mais de 2 milhões de unidades, o Brasil caiu para a oitava colocação no ano passado, e não chegou sequer à marca do milhão, estacionando em pouco mais de 800 mil unidades produzidas.

Obviamente os especialistas do setor apontam a recessão na economia nacional como culpada por esta enorme queda, e há quem imagine que mesmo com uma progressiva recuperação da Economia não voltaremos a ver números-recorde em menos de cinco anos -- quem sabe até mais.

Talvez esse involuntário tombo funcione como um “freio de arrumação” para o mercado de motos, estabelecendo um novo padrão de consumo entre os brasileiros.

Roubará o lugar das street?

Nossas pequenas utilitárias de 125 a 160 cc, as “CG” da vida, tendem a ser redimensionadas e em parte substituídas no gosto popular (e quem sabe no topo das vendas) por modelos mais qualificados, tecnológicos, modernos e amigáveis como, por exemplos, os scooters.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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