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O Motociclista

Chassi é o real protagonista da sua moto. O que você sabe sobre ele?

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Uma motocicleta com bom chassi é mais segura, eficiente e mais prazerosa de se pilotar Imagem: Divulgação
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O MotociclistaRoberto Agresti

Roberto Agresti, editor da Revista da Moto! desde 1994, volta a escrever para UOL Carros. Sua estreia na imprensa automotiva foi em 1984, com passagens pelas revistas Motoshow (atual Motor Show) e Motor 3. Atualmente, é comentarista da rádio CBN/CBN MOTO e colaborador do site AutoEntusiastas desde 2011.

Colaboração para o UOL

22/05/2017 17h07

Espinha dorsal que une suspensões e sustenta o motor, chassi é um dos elementos de maior complexidade da moto

A motocicleta sempre foi um veículo muito complexo do ponto de vista dinâmico. Sua pilotagem requer habilidade e quanto melhor a fórmula construtiva (leia-se: seu o projeto) melhor será a experiência de condução.

A qualidade de motor, freios e suspensões são os itens que mais ocupam a mente dos motociclistas. Fatores como conforto, aspecto estético e qualidade do pós-venda, também. Mas do chassi, coitadinho, quase ninguém fala...

Só que o chassi é, nada mais, nada menos, a estrutura da moto -- a espinha dorsal que une suspensões e sustenta o motor -- e um dos elementos de maior complexidade em termos de projeto. Uma motocicleta com bom chassi é mais segura, eficiente e, claro, mais prazerosa.

Diferentes demandas determinam o caminho que os projetistas seguem para definir como será o chassi: em uma pequena e pouco potente utilitária, como a Honda Pop, a busca é por simplicidade com eficiência; em uma off-road especialista, como a KTM 350 EXC-F, a resistência associada à leveza estará acima de tudo; já em uma superesportiva como a Yamaha R1 o chassi deverá conciliar tudo isso e ter capacidade de suportar a potência brutal e as forças derivadas do uso extremo em alta velocidade.

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Materiais variados (partes em aço, outras em liga-leve) em um mesmo chassi são adequados desde que o preceito principal, o da flexibilidade controlada e aplicada a locais precisos, seja respeitado Imagem: Divulgação

Rigidez

No passado, acreditava-se que o principal aspecto para a construção de um bom chassi era conseguir a maior rigidez possível. Obter uma estrutura forte e capaz de resistir com flexões irrisórias às exigências dinâmicas do uso de uma moto, seja em frenagem, aceleração ou curvas, era o objetivo máximo.

A ideia de um chassi totalmente rígido foi um sonho utópico que, se um dia alcançado, tornaria as motocicletas muito melhores: limitar a absorção das forças totalmente nas suspensões e pneus, os elementos elásticos por excelência, seria o ideal. Porém, como sempre no que diz respeito à evolução do conhecimento em veículos, experimentação nas pistas de competição derrubou este mito do "quanto mais rígido, melhor".

Pilotos de competições variadas perceberam que nem sempre as novas versões de chassis, cada vez mais rígidas, resultavam em melhor performance. Como em pontes ou arranha-céus, a rigidez em excesso levava a efeitos ruins -- no caso da construção civil, ocorre colapso estrutural quando elementos como ventos fortes, chuva, tremores ou variação da carga entram em cena. Nas motocicletas, chassis excessivamente rígidos resultaram em dirigibilidade pior ou até mesmo crítica em condições extremas.

Em linhas gerais, as descobertas revelaram que quanto maior for a rigidez longitudinal, maior será o beneficio em frenagens, já que a região onde se apoia a suspensão dianteira (a coluna de direção), deve manter a sua geometria com mínima alteração.

Porém, no que diz respeito à rigidez lateral, flexão limitada é benéfica, tornando as motocicletas mais fáceis de serem controladas em curvas, mais estáveis. Este tipo de chassi que "trabalha" otimiza o funcionamento das suspensões e pneus. Além disso, tem a excelente característica de avisar ao piloto quando o limite está se aproximando.

Pilotos ao levarem ao limite motos que tenham este conceito de flexibilidade do chassi, aliás, se beneficiarão por não mais serem vítimas daquele tombo clássico no qual a moto "saiu de baixo" repentinamente. Usuários normais, absolutamente refratários à pilotagem esportiva, levam vantagem dessa saudável característica já que as motocicletas mais modernas "avisam" quando o limite se aproxima.

A evolução desta tecnologia aplicada à parte estrutural não está circunscrita ao uso de um ou outro material na fabricação de chassis. As estruturas realizadas em aço, antes tidas como inferiores face aos chassis feitos em liga de alumínio, foram reabilitadas. Tubos de aço de alta resistência de diâmetros variáveis -- e espessura das paredes idem -- são hoje tidos como material tão adequado quanto a liga de alumínio para a construção desse equipamento.

Enfim, materiais variados e inclusive a mistura deles -- partes em aço, outras em liga-leve em um mesmo chassi -- são adequados desde que o preceito principal, o da flexibilidade controlada e aplicada a locais precisos, seja respeitado. Assim o chassi, erroneamente tido como mero coadjuvante das melhores motocicletas, se revela um grande protagonista da técnica motociclista.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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