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O Motociclista

Esqueça a crise: lembre de quatro motos que marcaram época no Brasil

Divulgação
O MotociclistaRoberto Agresti

Roberto Agresti, editor da Revista da Moto! desde 1994, volta a escrever para UOL Carros. Sua estreia na imprensa automotiva foi em 1984, com passagens pelas revistas Motoshow (atual Motor Show) e Motor 3. Atualmente, é comentarista da rádio CBN/CBN MOTO e colaborador do site AutoEntusiastas desde 2011.

Colaboração para o UOL, em São Paulo (SP)

06/03/2017 04h00

O mercado brasileiro de motocicletas já foi bem mais musculoso. Há apenas cinco anos, mais de 2 milhões de motos novas chegaram às ruas. Ano passado, mal passamos das 850 mil unidades vendidas.

Tal "buraco" nas vendas não significa que o brasileiro deixou de gostar ou de precisar de motos, mas sim que os bolsos jamais estiveram tão rasos como atualmente. Neste cenário de crise econômica -- que um dia há de passar -- vale a pena dar uma espairecida e lembrar alguns modelos que marcaram outras épocas e certamente serviram de isca para compradores, atraindo boa parcela da enorme legião de motociclistas que atualmente roda Brasil afora.

Sete e galo

Reprodução
Imagem: Reprodução

Para começar, escolho um número: 750! O apelidinho que todos conhecem em dado momento designava o que havia de maior, mais veloz e atraente em termos de motocicleta. Simplesmente a máquina que todos queriam mas poucos podiam ter.

A mais relevante 750 aterrissaria no Brasil no início dos anos 1970: a lendária -- e tida como a mãe de todas as superbikes -- Honda CB 750 Four.

Seus 69 cv de potência máxima podem fazer rir atualmente -- em termos de status, as superesportivas de 1000 cc ocupam o mesmo patamar e esbanjam o dobro ou mais desta potência. Porém, a Honda CB 750 Four foi durante anos a referência máxima em termos tecnológicos, com receita de bolo muito bem sucedida para uma motocicleta de alta performance: quatro cilindros em linha, transversal.

Ténéré

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Do número que arrebatou corações e mentes há quase meio século passo a um sonoro nome que ainda hoje é sinônimo de emoção e aventura em doses cavalares. Habilmente, a Yamaha se apropriou do nome de um deserto africano, onde suas pioneiras bigtrails de codinome XT venceram os primeiros rali-raids, para lançar uma motocicleta que fez o mundo sonhar, a XT 600 Ténéré.

O modelo surgiu na Europa em 1984, época onde os ralis africanos estavam no auge, para ser fabricado no Brasil quatro anos depois. Com seu tanque enorme, mecânica indestrutível e habilidade para encarar tanto o dia a dia, quanto aventuras "onde Judas perdeu as botas", a Ténéré pode ser considerada a mãe das motos aventureiras que tanto fazem sucesso em todo o planeta.

Do mesmo modo que a potência da Honda Four hoje faz rir, nos faz pensar como qualquer motociclista do final dos anos 1980 considerava que o motor monocilindro de 600 cc da Ténéré era plenamente suficiente para viajar até os confins do planeta...

Ninja

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Do nome do deserto passo para um nome guerreiro. Tom Cruise fez sucesso em "Top Gun -- Ases Indomáveis", de 1986. O galã acelerava uma furiosa Kawasaki GPZ 900R Ninja enquanto no Brasil a maior motocicleta à venda era a Honda CBX 750F.

Então, as importações de veículos estavam proibidas no país e assim o sonho de ter uma Ninja foi adiado até 1990, quando o então presidente Fernando Collor fez um grande favor aos motociclistas ao derrubar o veto.

Na versão de 1990, codinome ZX-11, seus 140 cv de potência máxima a levavam à insana velocidade de mais de 280 km/h, um assombro que seduziu brasileiros que podiam pagar cerca de US$ 30 mil pela novidade -- equivalente a mais de R$ 160 mil nos dias atuais. Há anos acorrentados aos 200 km/h do qual a 750 nacional era capaz, moto que custava o equivalente a US$ 25 mil à época, a exclusiva Ninja pareceu uma pechincha.

Hornet

Renato Durães e Caio Mattos/Infomoto
Imagem: Renato Durães e Caio Mattos/Infomoto

Deste sonho possível para poucos, a evolução do mercado de motocicletas na década de 1990 estimulou concorrência cada vez maior entre marcas. O terreno fértil para lançamento de novidades fez nascer em 2004 um modelo "made in Manaus", mas com alta dose de componentes importados: a inesquecível Honda CB 600F Hornet.

Apesar de ter deixado de ser produzida em 2014, ainda é um objeto do desejo de uma legião enorme de motociclistas. Não há dúvida de que a Hornet tinha uma receita especial que justificou seu sucesso. Potente (100 cv), ágil, fácil de pilotar, agressiva e... com uma sonoridade sedutora.

O urro do motor quatro cilindros em linha acelerado até a faixa vermelha do conta-giros foi com certeza sua melhor ferramenta de marketing. Até hoje a morte da Hornet é lamentada e sua sucessora, a CB 650F, não conseguiu tapar a lacuna como bem observou Arthur Caldeira, da Infomoto, em texto publicado aqui em UOL Carros.

Certamente outros modelos vendidos no Brasil mereceriam figurar nessa história. A não-citação é desculpa boa para, em breve, voltar ao tema e lembrar de modelos que fizeram os brasileiros se apaixonar por motocicletas. Tem algum palpite? Cite nos comentários!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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