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MotoGP pode deixar sua moto mais rápida, econômica e segura; saiba como

Jorge Guerrero/AFP
Organização da MotoGP já até proibiu asas nas carenagens a fim de evitar avanço desenfreado da aerodinâmica Imagem: Jorge Guerrero/AFP
Divulgação
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Roberto Agresti, editor da Revista da Moto! desde 1994, volta a escrever para UOL Carros. Sua estreia na imprensa automotiva foi em 1984, com passagens pelas revistas Motoshow (atual Motor Show) e Motor 3. Atualmente, é comentarista da rádio CBN/CBN MOTO e colaborador do site AutoEntusiastas desde 2011.

Roberto Agresti

Colunista do UOL

Ação do vento já virou ponto central nos estudos sobre motos de corrida, e isso pode influenciar diretamente sua vida

Uma das principais incógnitas que pairam sobre a temporada 2017 do Mundial de MotoGP, cujos primeiros treinamentos começaram nesta semana, diz respeito à proibição das polêmicas asas, também chamadas de "winglets", instaladas nas laterais das carenagens.

Se você não acompanha as peripécias do campeão Marc Márquez, de seu veterano rival Valentino Rossi ou do sempre combativo Jorge Lorenzo, principais protagonistas, pode até soar estranho mencionar a existência de asas em motocicletas. Todavia, tais aparatos há algumas temporadas vinham cumprindo um importante papel na desempenho.

A proibição tem como justificativa a segurança. Por ser um elemento protuberante, haveria o risco de causar um ferimento grave em caso de acidente.

De fato, nos últimos dois anos as asas se disseminaram na MotoGP, mas nenhum piloto esteve em real risco por causa delas. Há quem diga que a razão da proibição está, na verdade, na turbulência que se forma na esteira das motos dotadas de "winglets", tornando a recorrente prática de "pegar o vácuo" para perseguir o adversário em uma atitude de grande risco.

Como atua a aerodinâmica

Os apêndices aerodinâmicos aplicados às carenagens das motos surgiram por razão análoga à que as fez aparecer, há muitas décadas, em carros de corrida. Nos atuais monopostos da F1, a aerodinâmica aplicada às formas visa um conjunto de fatores: equilibrar a necessidade de "furar" da melhor maneira a massa de ar otimizando o uso da energia do motor e também aumentar a aderência em curva com a pressão aerodinâmica que força os pneus contra o solo.

Nas motos, a própria natureza do veículo -- menor e portanto com superfície exígua -- deu às tais asas a específica função de manter a roda dianteira em contato com o solo quando os quase 300 cv de potência são abruptamente despejados na roda traseira.

Com as asas, a natural tendência da roda dianteira levantar ou empinar, como se diz usualmente, ficou bastante reduzida, permitindo usar mais potência.

Apesar do fim das asas na MotoGP aparentar uma involução técnica, o que irá ocorrer pode ser o contrário: as fabricantes arregaçaram as mangas e, sem o fácil recurso da asinhas, estão estudando novas formas de obter a mesma eficiência sem ter que recorrer à eletrônica, que é capaz de conter a tendência de a roda dianteira apontar para o céu ao preço de limitar a capacidade de aceleração.

Benefícios na prática

A pesquisa decorrente da necessidade de desenhar carenagens mais eficazes em algum tempo beneficiará também as motos de série. Mais do que se imagina, aerodinâmica evoluída é fator de segurança mesmo em motocicletas que jamais irão superar a barreira dos 300 km/h e nem mesmo os 120 km/h regulamentados nas rodovias.

Muito mais do que um automóvel, motocicletas têm sua dirigibilidade afetada pelos efeitos da pressão do ar, seja derivada da velocidade ou aquela que provém de rajadas de vento ou do deslocamento da massa de ar causado pela movimentação de outro veículo.

Qualquer motociclista aprende logo a usar o corpo para compensar efeitos nocivos que coloquem a segurança em risco. Preceitos básicos como projetar o corpo à frente para diminuir a área frontal e "cortar o vento" mais facilmente, ou pressionar a pedaleira de um lado para compensar um forte vento de través, faz parte do "beabá" da vida ao guidão.

Os efeitos positivos de uma aerodinâmica bem estudada serão pouco sentidos em motocicletas utilitárias de baixa potência, todavia é um erro imaginar que apenas as superesportivas se beneficiarão de aperfeiçoamentos no design.

Uma simples carenagem que envolva o farol com um diminuto para-brisa em uma moto de 250 cc, se for adequadamente desenhada, é capaz de influenciar positivamente não só na dirigibilidade como no desempenho e na redução de consumo de combustível.

Isso para não mencionar a sempre importante questão do conforto, que preserva o motociclista do cansaço e consequentemente contribui para a segurança.

Como se vê, gostando ou não das competições, é nelas que boa parte da tecnologia aplicada aos veículos nasce. A busca da performance pura ou de como conseguir elevar o grau de eficiência tornando motocicletas mais seguras para o nosso dia a dia.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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