Coluna

O Motociclista

Itália calcula custo de proteger motociclista; como fica no Brasil?

Divulgação
Teste simula acidente de moto: Itália testou eficiência de protetores de coluna Imagem: Divulgação
Divulgação
O MotociclistaRoberto Agresti

Roberto Agresti, editor da Revista da Moto! desde 1994, volta a escrever para UOL Carros. Sua estreia na imprensa automotiva foi em 1984, com passagens pelas revistas Motoshow (atual Motor Show) e Motor 3. Atualmente, é comentarista da rádio CBN/CBN MOTO e colaborador do site AutoEntusiastas desde 2011.

Colunista do UOL

31/10/2016 08h00

Nesta semana que antecede a abertura do 74º Eicma, o Salão de Motos de Milão, mais do que uma novidade sobre duas rodas o que vem chamando a atenção na maior cidade da Itália é uma iniciativa em prol da segurança dos motociclistas daquele país -- o maior mercado europeu para veículos de duas rodas.

Trata-se de proposta que pleiteia a redução de 50% nos impostos que incidem sobre dois equipamentos de segurança: o protetor de coluna e o colete dotado de airbag.

A conta

  • 2,5 milhões de euros (cerca de R$ 8,6 milhões)

    é previsão de queda na arrecadação de impostos sobre equipamentos de segurança", calcula Confindustria-Ancma
  • 21 milhões de euros (cerca de R$ 72,4 milhões)

    seria a economia com custos sociais pelo uso massivo dos equipamentos", calcula Confindustria-Ancma

Apresentada recentemente pela Confindustria-Ancma, a associação dos fabricantes de motociclos (motos, scooters e ciclomotores), aos representantes do Ministério das Finanças e Economia e da Comissão dos Transportes, equivalentes dos nossos Ministérios da Fazenda e Contran, a proposta veio acompanhada de um estudo específico sobre a eficácia dos protetores de coluna.

Realizado entre 2011 e 2013, tal estudo contou com a colaboração da polícia rodoviária italiana e das unidades médicas dedicadas a assistência dos acidentados. Mais de três mil acidentes foram analisados e o resultado indicou que 63% dos traumas graves na coluna vertebral podem ser atribuídos à ausência do protetor de coluna. Se o equipamento estivesse sendo usado por todos os motociclistas a 60% dessas lesões graves poderia ser evitada.

É um número é brutal, assim como o cálculo realizado para comprovar o bom negócio que o governo italiano faria ao deixar de arrecadar metade dos impostos sobre o equipamento: segundo a Ancma, a arrecadação em um ano cairia cerca de 2,5 milhões de euros (R$ 8,6 milhões). Em compensação, a economia em custos sociais decorrentes da assistência hospitalar, tratamento fisioterápico e perda de produtividade seria de 21 milhões de euros (R$ 72,4 milhões).

Divulgação
Na imagem, piloto Valentino Rossi exibe um protetor de coluna Imagem: Divulgação

Proteção não é "popular" no Brasil

Ilustres desconhecidos da maioria dos motociclistas brasileiros, protetores de coluna e os bem mais caros coletes equipados com airbag são equipamentos de segurança aos quais apenas uma ínfima parcela dos usuários de motos tem acesso.

Protetores de coluna no Brasil custam de R$ 500 a até R$ 1.000 enquanto os coletes airbag de marcas mais sofisticadas podem custar até R$ 2.000. Macacões com tal dispositivo ultrapassam a cifra de R$ 10 mil. Talvez nem mesmo a isenção absoluta de impostos e taxas tornaria estes equipamentos populares entre nós e para embasar esta afirmação basta ver o que ocorre no âmbito dos equipamentos de segurança mais comuns. 

Capacete, botas e luvas são a santíssima trindade da segurança do motociclista e não é preciso ser um observador muito atento para perceber que apenas o capacete é um dispositivo razoavelmente disseminado no Brasil, e mesmo assim porque não usá-lo implica em multa. A conscientização da importância de seu uso, portanto, é relativa.

Situação pior é a de botas e luvas de qualidade, efetivamente projetadas para proteção das mãos e pés dos motociclistas, mas que acabam invariavelmente desprezados pelos motociclistas. Muitos acidentes "bobos" têm dolorosas consequências nem sempre reversíveis nestas extremidades do corpo humano.

A impopularidade de proteções mais sérias para os pés e mãos frequentemente encontra em nosso clima tropical a justificativa para o não uso, ou para as escolhas inapropriadas, que não oferecem a devida resistência à abrasão e impactos.

Divulgação
Em teste na pista, colete equipado com airbag, que também serviria nas ruas Imagem: Divulgação

Por mais que nas últimas duas décadas a frota de motocicletas nacional tenha crescido e se qualificado -- é inegável a evolução na segurança dos veículos que atualmente tem freios, suspensões e pneus cada vez melhores -- há um longo trabalho de conscientização a fazer no sentido de incutir a cultura da proteção, do uso de trajes de proteção adequados e de qualidade.

A proposta para reduzir ou eliminar impostos de equipamentos de proteção para motociclistas é de uma pertinência indiscutível, mas não basta. Se aditada no Brasil deve vir acompanhada de forte campanha de conscientização escorada em pesquisas como a realizada na Itália, mostrando o efetivo ganho que pode derivar da iniciativa, seja do ponto de vista financeiro ou no mais importante dos aspectos, o da saúde. 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Colunas - Coluna O Motociclista
Topo