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Moto retrô faz sucesso ao despertar nostalgia sem deixar de ser atual

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Triumph Bonneville 2016 é moderna e cheia de tecnologia, mas tem aquela pinta de "moto antiga bem cuidada" que chama a atenção por onde passa Imagem: Divulgação
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O MotociclistaRoberto Agresti

Roberto Agresti, editor da Revista da Moto! desde 1994, volta a escrever para UOL Carros. Sua estreia na imprensa automotiva foi em 1984, com passagens pelas revistas Motoshow (atual Motor Show) e Motor 3. Atualmente, é comentarista da rádio CBN/CBN MOTO e colaborador do site AutoEntusiastas desde 2011.

Colunista do UOL

12/09/2016 11h35

Quem não acompanha as novidades do mundo das duas rodas pode se enganar ao bater o olho em uma Ducati Scrambler ou em uma Triumph Bonneville, motos que usam nome e estilo de modelos homônimos do passado, mas... são atuais. 

Um episódio recente confirma a primeira linha deste texto: enquanto eu abastecia uma novíssima Bonneville, um senhor saiu do carro na bomba ao lado e puxou papo, elogiou a moto e perguntou: "que ano é?" Ao ouvir 2016, arregalou os olhos, incrédulo, e exclamou: "Imagina, meu cunhado tinha uma dessa, igualzinha, cinquenta anos atrás...".

De fato, a Bonneville atual disfarça mais do que bem sua modernidade preservando dimensões, formas e detalhes para trazer aos consumidores de hoje uma motocicleta plenamente moderna, funcional e confiável, porém preservando o jeitão das "Bonnies" pioneiras, nascidas no final dos anos 1950 e produzidas até meados da década de 70.

Como a grande maioria das outrora poderosas marcas da indústria de motos britânicas, a Triumph morreu em 1975. Mais de uma década depois, ressurgida das cinzas sob nova administração, teve a feliz ideia de reeditar um modelo clássico -- a Bonneville --, pilhando uma tendência retrô que atrai cada vez mais clientes.

Talvez o cliente que se encanta com o classicismo da Bonneville não saiba, e tampouco se interesse em saber, que o sonoro nome da moto inglesa remete à homônima planície situada no Estado americano de Utah, onde retas quase infinitas são prato cheio para quebrar recordes de velocidade. 

Tais fatos gloriosos de um passado remoto não se refletem na pacata Bonneville de hoje, uma moto feita e pensada para motociclistas nada motivados por desempenho, mas sim por estilo, charme e pelo sabor dos velhos tempos.

Ducati Scrambler: outro caso de sucesso

Caminho parecido fez a italiana Ducati, que só não fechou as portas no começo dos anos 80 por intervenção do governo italiano. Embora, depois disso, tenha se notabilizado pelo sucesso entre superesportivas, o mais recente sucesso da marca é a Scrambler, inspirada em uma homônima fabricada entre sa décadas de 60 e 70.

Lançada em 2014 e atual moto mais vendida da Ducati, a Scrambler segue receita diferente da Bonneville -- que preserva formas e arquitetura do motor de dois cilindros paralalelos fiéis à pioneira: neste caso foi concedida uma espécie de "licença poética" ao projeto. 

O propulsor original, monocilíndrico de 450 cc, acabou trocado por um ainda mais forte V2 de 800 cc, dotado do sofisticado e conhecido sistema de acionamento de válvulas desmodrômico, popularmente conhecido por "Desmo".

Curioso é que a Scrambler original, lançada em 1962, focava em versatilidade para uso em asfalto e terra. Por "scrambler" os consumidores americanos conheciam todas as motos capazes de rodar em terrenos ruins, segmento este que posteriormente recebeu outros nomes como trail, enduro ou cross.

As poucas unidades sobreviventes da antiga Scrambler viraram uma espécie de "cult bike", sendo muito ambicionadas por colecionadores. Espertamente alguém da histórica fábrica de Bolonha percebeu isso, sugeriu resgatar o nome e... Bem, o resto da história você já sabe. 

Simpáticas e versáteis 

A boa receptividade destas motos e de outras tantas que seguem esta mesma vertente não pode apenas ser interpretada por um gosto pela tradição ou por formas clássicas. Mais do que isso, tanto Bonneville como Scrambler são motos fáceis de usar e divertidas.

São boas para uso urbano, até mesmo no dia a dia, mas também adequadas a viagens despretensiosas com garupa -- ambas oferecem bancos confortáveis para passageiros. Para melhorar, estão recheadas de tecnologias bastante modernas.

O mais importante é que, aos olhos do senhor que me abordou no posto de gasolina, a atualíssima Triumph Bonneville nada mais era do que uma bem conservada sobrevivente. A moto do cunhado de cinco décadas atrás. Provavelmente a Scrambler também tivesse provocado o mesmo fenômeno nostálgico.

Motivar olhares e comentários é o segredo que explica o sucesso desta onda retrô: a simpatia de modelos nada agressivos, que dão destaque a um jeito mais simples e essencial de curtir uma motocicleta, sem abrir mão do que as tecnologias mais recentes de segurança têm a oferecer.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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