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Motos naked fazem sucesso com músculos e potência; conheça

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Yamaha MT-07 é um dos principais representantes atuais do segmento Imagem: Divulgação
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O MotociclistaRoberto Agresti

Roberto Agresti, editor da Revista da Moto! desde 1994, volta a escrever para UOL Carros. Sua estreia na imprensa automotiva foi em 1984, com passagens pelas revistas Motoshow (atual Motor Show) e Motor 3. Atualmente, é comentarista da rádio CBN/CBN MOTO e colaborador do site AutoEntusiastas desde 2011.

Colunista do UOL

08/08/2016 12h56

Motocicletas formadas apenas por rodas, guidão, banco, tanque e, claro, um motorzão, estão em alta. Chamadas de "naked" -- do em inglês "nuas", porque não possuem carenagem --  elas carregam uma fórmula simples mas com conteúdo técnico caprichado.

A origem é curiosa: nos anos 1980 proliferaram pelo mundo as cultuadas superesportivas carenadas, mísseis sobre rodas que instigavam a pilotagem radical. O resultado prático da febre, porém, foi um aumento substancial de gastos para reparar carenagens estragadas, com custos altíssimos de conserto ou substituição.

Isso levou muitos motociclistas a uma escolha forçada: rodar com suas motos despidas dos aparatos aerodinâmicos.

Antes paliativa, a solução ganhou ares de moda. Especialmente na França oficinas se especializaram em despir as superesportivas, dando um "tapa" no aspecto improvisado de qualquer moto que nasceu para ter carenagem, mas teve sua "pele" retirada.

A gambiarra dava aspecto inovador às mais caras e cobiçadas esportivas daquela época, caso de Suzuki GSX-R 750, Kawasaki ZXR 750 e Yamaha FZR 1000.

Pequenos ajustes, como esconder os feios reservatórios de líquido para arrefecimento, solucionar a fixação de farol e lanterna traseira e dar um trato na região do painel, resultaram em moda que imediatamente brilhou no radar dos fabricantes.

Potencial do novo segmento era forte e a Kawasaki, pioneira, lançou no começo dos anos 90 a linha Zephyr, com versões de 750 e 1000 cc. Eram modelos que exploravam exatamente a aparência musculosa. O motor, antes escondido, virava protagonista visual. 

A líder Honda não dormiu no ponto e logo sacou a Honda CB Big-One, uma "mil" cujas superfícies se limitavam a rabeta, tancão e laterais.

Daí para frente as febre se espalhou até chegar na Ducati Monster. Ícone deste modo de fazer motos, a Monster transmite força e fascínio através de entranhas mecânicas não apenas pela complexidade do motor, mas também devido ao emaranhado de tubos do chassi.

Representantes no Brasil

A moda naked segue firme e parece não ter data de validade. Representantes de sucesso no Brasil? Suzuki Bandit; Kawasaki Z750 e Z800; Yamaha XJ-6, MT-07 e MT-09; e, sem dúvidas, Honda CB 600F Hornet e CB 1300 Super Four.

Praticamente todas as marcas têm hoje em seu catálogo uma naked pura e dura, mas a necessidade do motorzão não é mais essencial. A "pegada" de esportividade conseguiu habilmente ser transmitida para motos menores, entre as quais merecem destaque KTM 390 e 200 Duke e a recente Yamaha MT-03.

Outra europeia de grande destaque na arte de produzir motos naked é a britânica Triumph, cujo modelo de ponta no segmento é a Speed Triple, uma 1.050cc que é um poço de tecnologia.

A BMW S 1000 R, talvez seja a mais impressionante das motos da marca alemã, dotada de toda tecnologia de ponta da superesportiva S 1000 RR mas... sem carenagem.

Em um momento onde a sociedade cultua o corpo sarado, muitos músculos e tatuagens à mostra, as motocicletas naked nada mais são do que a manifestação mecânica deste exibicionismo. Em termos dinâmicos todas as naked se caracterizam pela agilidade, ideal para o uso urbano, e capacidade de emocionar através de acelerações brutais.

Já para o uso rodoviário, a ausência de proteção aerodinâmica e o caráter agressivo e brutal de seus motores faz delas uma escolha difícil. Porém, viagens curtas e sem acompanhante podem ser bem divertidas, especialmente em caminhos tortuosos.

Afinal, as naked continuam herdeiras da técnica aplicada às superesportivas: a maioria traz o que há de melhor em termos de ciclística e, claro, motorização.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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