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Risco para motos, piso ruim é rotina no Brasil; saiba se prevenir

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O MotociclistaRoberto Agresti

Roberto Agresti, editor da Revista da Moto! desde 1994, volta a escrever para UOL Carros. Sua estreia na imprensa automotiva foi em 1984, com passagens pelas revistas Motoshow (atual Motor Show) e Motor 3. Atualmente, é comentarista da rádio CBN/CBN MOTO e colaborador do site AutoEntusiastas desde 2011.

Colunista do UOL

11/07/2016 13h49

 

Tenho rodado com motocicletas por mais de três décadas. De pequenas motonetas a gigantescas Harley-Davidson, já passou de tudo pelas minhas mãos. Percorri caminhos nas Américas, na África, Europa e até no Japão. Esta vasta experiência torna ainda maior minha indignação com o atual estado de degradação da pavimentação no Brasil.

Cidade grande ou pequena, rodovia nova ou nem tanto, pouco importa: o descaso com a qualidade do piso é cada vez maior no Brasil. Um exemplo cruel é o da cidade de São Paulo. O maior centro econômico-financeiro da América Latina tem atualmente uma pavimentação comparável à das mais miseráveis em que rodei no continente africano.

A diferença é que, aqui, há um fluxo muito maior de veículos, um ritmo frenético que torna o que seria um pequeno problema -- uma simples depressão no asfalto -- um fator que pode desencadear um acidente grave.

Confira no vídeo, com câmeras focadas em roda e suspensão dianteiras, a diferença entre pilotar numa rua da Itália e de São Paulo. E olha que o "país da bota" não é referência entre os melhores asfaltos da Europa. 

Desníveis: os vilões das motos

Rodar de motocicleta, qualquer uma, significa obrigatoriamente estar de olho no chão. A pequena área de contato dos pneus e a necessária destreza que o veículo exige torna imprescindível prestar muita atenção em onde “pisar”.

Detritos, óleo e pedriscos são inimigos da segurança, seja qual for o veículo que estivermos dirigindo. Na motocicleta, qualquer irregularidade que altere o equilíbrio ou a necessária aderência dos pneus com o solo é fator de risco grande e não apenas de desconforto, como acontece em veículos maiores.

Um preceito básico da pilotagem da motocicleta é olhar para onde se quer ir. Isso pode parecer uma obviedade, mas motociclistas pouco experientes, por conta da natural insegurança no trato com o veículo, tendem a pilotar tensos e olhando para o chão, imediatamente à frente da roda dianteira.

Com o tempo e as horas de guidão, a tensão inicial dá lugar a uma pilotagem mais relaxada e o olhar, naturalmente, mira mais ao longe. Como num passe de mágica o motociclista percebe como a pilotagem fica mais fluida e segura se, em vez de mirar imediatamente à frente da roda dianteira, voltar o olhar para onde queremos ir, dezenas de metros à frente.

No atual estado de degradação da maior parte das ruas e rodovias brasileiras isso é praticamente impossível, resultando em uma pilotagem tensa, trêmula, nada agradável, mas necessária para não cair nas muitas armadilhas.

O cardápio é variado: rachaduras; tampas de bueiro desniveladas; valetas; calombos ou depressões criados por empresas de água, luz e esgoto que realizam reparos mal feitos após escavar as vias; lombadas que não seguem nenhum padrão, tachões e olhos de gato mal projetados...

Tudo conspira para jogar o motociclista contra contatos nada agradáveis com o asfalto ou, pior, outros veículos.

Como antecipar problemas

Como se defender? Além de exigir melhores condições do Estado, alguns truques de pilotagem podem ajudar a encarar este verdadeiro rali urbano.

Primeira dica e mais óbvia: andar 100% concentrado. Caso não seja possível desviar do problema, seja ele buraco, lombada ou detrito, jamais entrar nele freando. A suspensão comprimida, somada à natural transferência de peso para a roda dianteira, pode aumentar a chance de perda de controle ou dano a rodas e pneus.

O ideal é reduzir a velocidade ao máximo antes e, na hora H, aliviar o peso na dianteira, deslocando levemente o corpo para trás.

Também dá para minimizar os riscos cuidando da moto: uma dica fundamental é verificar pelo menos uma vez por semana a pressão dos pneus, respeitando as recomendações do fabricante.

Outra: fuja de marcas de pneus que não tenham credibilidade e prefira aquelas indicadas no manual do proprietário.

No caso de sua moto ter rodas raiadas, verifique a tensão dos raios a cada 500 quilômetros rodados. Como? Basta apertar os raios com os dedos, dois a dois. Um não pode estar mais frouxo que outro, sob pena de prejudicar a capacidade de resistência da roda. 

Para rodas de liga leve, amassados ou trincas são perigosos indícios de que é preciso levá-la para inspeção, conselho que serve também para os raios frouxos e/ou quebrados.

Quanto às suspensões, observe constantemente se há vazamentos de óleo nos tubos do garfo dianteiro ou no sistema de amortecimento traseiro, seja ele duplo ou monochoque. Vazamento de fluidos aumenta as chances de perda de controle.

Atenção igual merece a caixa de direção. Verificá-la é simples: deixe a roda dianteira no ar, por meio de cavalete (central ou lateral), e gire o guidão de batente a batente. “Calos” no percurso indicam problemas nos rolamentos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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