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Fernando Calmon

"Placa Mercosul" sofre com burocracia e idas e vindas sem razão no Brasil

Marcelo Ferraz/UOL
Mudança foi proposta em 2014 e deveria ter entrado em vigor no Brasil dois anos depois Imagem: Marcelo Ferraz/UOL
Fernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colaboração para o UOL, de São Paulo (SP)

22/08/2018 12h16

Novo padrão existe na Argentina e Uruguai desde ano passado, mas ainda não tem data para chegar ao país

Uma das trapalhadas que o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) e o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) protagonizaram nos últimos anos vem da exigência de nova placa de identificação de veículos, a fim de seguir um novo padrão chamado Mercosul.

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A iniciativa apresenta razões técnicas, pois o atual sistema de três letras e quatro dígitos tem limitação de combinações.

O utilizado há décadas no Brasil já nasceu errado. Deveria, como proposto atualmente, estabelecer quatro letras (de 26, no alfabeto em português) e três dígitos. O número de combinações possíveis é muito maior do que o atual de três letras e quatro dígitos.

Atrasos sucessivos

O novo padrão foi proposto em 2014 e implantado na Argentina e Uruguai no ano passado.

Aqui sofreu sucessivos adiamentos entre outras razões porque o custo iria subir e o cronograma original obrigava todos os 43 milhões de automóveis e veículos comerciais (picapes, caminhões e ônibus) e 13 milhões de motos em circulação a uma substituição acelerada.

Agora, apenas veículos novos receberão obrigatoriamente o novo padrão e, para os demais, a iniciativa é voluntária.

A última data anunciada é 1º de setembro próximo, embora uma alteração na resolução 733 do Contran tenha adiado o prazo para o primeiro dia de dezembro.

Mais indefinições

Além do novo prazo, há um questionamento no Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a necessidade de um penduricalho ausente na proposta original. Trata-se de acrescentar um brasão do município (nada menos de 5.570 deles, hoje) onde o veículo foi registrado.

Assim haveria necessidade de comprar uma nova placa completa (agora, só uma plaqueta) em caso de transferência de cidade apenas por esse pormenor totalmente irrelevante. Além disso, fugiria do padrão Mercosul, sem motivo.

O Detran estima que o custo do brasão não é alto, mas ele existe. Tudo indica que o prazo não será cumprido, inclusive por outros questionamentos.

O Observatório Nacional de Segurança Viária oficiou ao TCU com três sugestões sobre especificações técnicas:

1. Garantia mínima de "brilho" (retrorrefletividade), igual ao atual, para melhor visibilidade noturna, possível diminuição de colisões traseiras e ainda dificultar clonagens.

2. Garantia mínima de "legibilidade" (luminância) para efeitos de fiscalização.

3. Garantia de 100% das placas com chip. Prepararia o país para uma malha viária bem monitorada em termos de segurança viária e/ou pública.

Outra ideia do Denatran, que parece pura demagogia, é a proposta recente de uma CNH (Carteira Nacional de Habilitação) emitida uma única vez. Exames médicos seriam feitos nos prazos regulamentares e registrados eletronicamente. Exatamente o oposto do anunciado antes, que previa uma série de exigências descabidas.

As renovações, caso bem estudadas, poderiam se transformar em algo educativo. Testes rápidos de múltipla escolha, sem efeitos de suspender a habilitação, poderiam ajudar as pessoas a reter melhor as regras de trânsito e induzir conceitos de direção defensiva.

Problema maior foi ter deixado de lado um processo de primeira habilitação, antes longamente estudado e bem mais exigente do que o atual, diminuindo o abismo de deficiências hoje observado. Sem motoristas bem preparados o trânsito é sempre menos seguro.

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Alta Roda

Alta Roda
Imagem: Alta Roda
+ Novo padrão de emissões e consumo de combustível WLTP (Procedimento Mundial Harmonizado de Teste de Veículos Leves, em inglês) provoca atrasos de lançamentos na Europa. Talvez atinja o T-Cross espanhol previsto para começar produção em dezembro. Versão brasileira começaria em 1º de janeiro (como a Coluna antecipou), mas em consequência pode atrasar.

+ Terceira geração do Porsche Cayenne deu um salto em dirigibilidade, que já era muito boa. Pode-se guiá-lo quase como um automóvel apesar de seus 2.020 kg de massa (155 kg menos). Diferenças no desenho concentram-se no teto e na traseira. Ficou 1 cm mais baixo, 6 cm mais longo e ganhou 100 litros para bagagem. Bateria convencional substituída por uma de íons de lítio.

+ Outro refino técnico do novo Cayenne: inédito defletor de teto ativo (função também de freio aerodinâmico), pela primeira vez em um SUV. Motores com oferta de potência racional: V6 turbo de 340 cv; V6 biturbo de 440 cv e V8 biturbo de 550 cv. Muito interessante: 4D Chassis (ativo) e novo tipo de disco de freio. Acabamento primoroso, como sempre. Preços: R$ 423.000 a 733.000.

+ Por falar em SUV, Peugeot 5008 (versão de sete lugares do 3008) consegue um raro equilíbrio em termos de estilo, apesar de dimensões avantajadas. Bom de guiar, surpreende pelo pequeno diâmetro e forma do volante que dispensa qualquer período de adaptação. Motor 1.6 turbo dá conta do recado muito bem, salvo se estiver com lotação e bagagem completas.

+ Toyota Hilux 2019 segue regra de mudar a cada três anos. Exibe nova frente nas versões SR, SRV e SRX. Luz de Rodagem Diurna (DRL, em inglês) em todas. Mais equipada, há novos materiais de acabamento interno. A SRX, de topo, tem edição comemorativa dos 50 anos de Hilux, hoje na oitava geração. Preços: R$ 111.990 a 196.990.