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Afinal, em quanto tempo os carros elétricos e autônomos dominarão o mundo?

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BMW Vision Next 100 Concept: estudo da marca alemã prevê que os veículos serão totalmente autônomos e elétricos daqui a 100 anos. Chegaremos lá? Imagem: Divulgação
Alta Roda Fernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Fernando Calmon

Colaboração para o UOL

08/08/2018 14h09

Futuro da indústria automobilística depende dessa pergunta, mas qual a resposta? Ninguém sabe direito ainda

Discutir o futuro nunca foi tão fascinante como nos tempos atuais. E a indústria automobilística faz parte ao ter sob sua responsabilidade produzir os meios de mobilidade terrestre. Tudo passa por longas discussões e apostas cautelosas ou até radicais.

O 26º Simpósio Internacional organizado pela AEA (Associação Brasileira de Engenharia Automotiva), semana passada em São Paulo (SP), destacou muitas facetas e soluções.

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Elétricos: quem está à frente

Sobre carro elétrico, espera-se um grande fosso entre o que pode acontecer no Hemisfério Norte e no Hemisfério Sul. O Brasil e países de renda média e baixa terão enormes dificuldades para avançar. Aqui, a frota de elétricos a bateria é estimada em cerca de 300 unidades. Em 2016, a China emplacou 350 mil elétricos e híbridos ou 1,4% das vendas totais no mesmo ano (25 milhões de unidades).

Já na Noruega os 25 mil elétricos e híbridos comercializados representaram 25% do total. Em Alemanha, França e Japão veículos com propulsão alternativa ainda estão na casa de 1% das vendas. Portanto, não existe ainda cenário claro. Mesmo países ricos deverão eletrificar-se em ritmo heterogêneo.

No entanto, motores a combustão interna ainda receberão várias melhorias, em especial com ajuda de assistência elétrica. Também poderão atuar apenas como gerador para carregar baterias mais baratas e aumentar a autonomia.

O potencial dessas aplicações mistas é bem razoável, sem contar novos ciclos de combustão (Mazda) ou motores com taxa de compressão variável (Nissan).

Autônomos: muitos dilemas em jogo

Luciano Driemeier, da Ford, chamou atenção para o caminho dos veículos autônomos. Ao mesmo tempo em que as pessoas se estressarão menos e usarão melhor o seu tempo em deslocamentos, em países como o nosso as preocupações decorrentes da violência urbana devem ser levadas em conta.

Também fazem parte das incertezas as mudanças de legislação e os dilemas éticos em caso de acidentes (matar ou morrer?). Porém, a tecnologia avançará tanto que, tudo indica, nunca se chegaria a uma situação na qual a colisão é a única opção. Em teoria, possível.

O engenheiro admite que custos muito altos ainda precisam baixar, sem contar investimentos em infraestrutura e os de interação total veículo-veículo, além destes com as vias.

Deu exemplo do Lidar, que usa raios laser para detecção e distância com altíssima precisão. No início custava US$ 70 mil. Em 2016 já havia abaixado para US$ 250 e pode chegar a apenas US$ 90 em breve, além da rápida miniaturização.

E o Brasil?

Especificamente sobre carros autônomos no Brasil, ele traça um primeiro cenário otimista de cinco anos para as primeiras aplicações práticas. Mas não descarta que esse prazo se estenda por até 20 anos. “As pessoas estão abertas para a ideia de possuir um produto autônomo. Aqui até acima da média mundial, à frente de países que receberão a tecnologia primeiro”, acrescentou.

Na opinião desta Coluna, só após se saber o preço efetivo do “carro à prova de acidente”, algo ainda meio escondido pela indústria, poder-se-iam fazer previsões mais acuradas de aceitação no mercado.

Leimar Mafort, da Bosch, acredita na alta redundância de sistemas e assim se conseguiriam evitar falhas. Desastres envolvendo veículos que dispensam o motorista tenderiam a zero.

Alta Roda

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Imagem: Alta Roda
+Vendas no mercado interno voltaram no mês passado ao mesmo bom ritmo de antes da greve dos caminhoneiros: em torno de 10 mil unidades/dia. No acumulado do ano estão 15% superiores a 2017. Estoque total em julho diminuiu para 34 dias, contra 36 em junho. Forte queda de exportações para Argentina e México fez produção recuar 4% no mês, mas se mantém 13% acima no ano.

+Anfavea espera resultados bons este mês na comercialização interna. Mas como o segundo semestre do ano passado foi de recuperação muito forte, trará efeitos estatísticos nos números comparativos de 2018. A entidade mantém sua previsão do início do ano de crescer 11,7%, para 2,5 milhões de unidades. Recorde anual é de 2012: 3,8 milhões de veículos.

+Golf GTI é caro, mas deixa o motorista apreciador do prazer de dirigir realmente sem palavras. Muito difícil achar pontos fracos, apesar de puristas preferirem o inexistente, no Brasil, câmbio manual. Conjunto transborda alto desempenho e sensações sonoras e de solidez, sem deixar de lado conforto e itens de segurança. Pena que hatches médios, como este, estejam em declínio.

+Falecimento aos 66 anos de Sergio Marchionne, presidente da FCA, não foi o primeiro de um alto executivo da indústria automobilística em atuação. Heinrich Nordhoff, que construiu a Volkswagen a partir de ruínas da Segunda Guerra Mundial, comandou a empresa de 1948 a 1968. Faleceu pouco meses antes de se aposentar, com sucessor já escolhido, aos 69 anos.