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Regra para motores a diesel no Brasil é frouxa e pode virar problema

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Alta Roda Fernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Fernando Calmon

Colaboração para o UOL

30/05/2018 19h10

Carros e comerciais leves com motor a diesel vão poder se abastecer com diesel subsiado. É justo?

O verdadeiro pesadelo nacional em que se transformou a greve dos caminhoneiros termina com balanço nitidamente de perde-perde. Perderam a sociedade com prejuízos aos deslocamentos e desabastecimentos; as atividades econômicas em quase sua totalidade; o governo federal por ser obrigado a subsidiar o preço do diesel; e os próprios manifestantes porque nos últimos dias houve desgaste na imagem positiva dos que labutam ao volante de forma solidária e profissional.

Uma das coisas estranhas no acordo entre governo e motoristas é a generalização de isenção de pedágio por eixo suspenso dos caminhões. Isso não é adotado em outros países simplesmente pela dificuldade de fiscalizar se semirreboque ou baú estão mesmo vazios. Há racionalidade em levantar um eixo para poupar pneus e combustível, mas está longe de ser uma solução correta e justa para todos que pagam pedágio, além dos caminhoneiros.

Esta é a quinta paralisação nas estradas desde 2000. Em todas as vezes se questiona a vulnerabilidade do Brasil quanto à concentração de rodovias nos modais de transporte. Essa "fraqueza" existe, mas não é exclusividade nossa -- na Europa Ocidental, por exemplo, o porcentual de 60% é bem próximo ao existente aqui. Mesmo nos EUA, onde a rede ferroviária é sete vezes maior que a brasileira (210 mil km contra 30 mil km, aproximadamente), as mercadorias transportadas por estradas, em valor, representam algo perto de 60%.

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Independentemente da participação inadequada dos modais, há grandes gargalos logísticos no Brasil. Como um país com 8 mil km de litoral e tantos portos continua quase a desprezá-los? Mas algo precisa ser dito sobre a participação de estradas pavimentadas na malha total: apenas 12% não são de terra. À exceção da África, nosso país é caso único no mundo.

Se essa proporção dobrasse, por exemplo, rodovias seriam competitivas mesmo em relação às ferrovias em grandes distâncias. Basta ver os "treminhões" em algumas estradas brasileiras.

Subsídio ao óleo diesel precisa ser visto com cautela. Em termos de preços internacionais o país está, agora, como sempre esteve, no meio termo entre o que se cobra nos EUA e na União Europeia. Mesmo em relação aos nossos vizinhos o preço não é muito diferente, sem contar a Venezuela onde fica quase de graça. Se o preço internacional e a cotação do dólar sobem, o repasse torna-se inevitável. O ritmo dele pode se atenuar, mas alguém vai pagar de qualquer jeito na forma de impostos ou de diminuição de incentivos em outros ramos da economia.

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Carros e comerciais leves movidos a diesel, como algumas versões do Renegade, podem abastecer com diesel subsidiado. Uma das soluções pode ser fazer lei voltar ao que era antes, com SUVs só utilizando motor de ciclo Otto (gasolina ou flex) Imagem: Divulgação

Bom lembrar também que picapes médias e SUVs de tração 4x4 podem se abastecer com esse diesel subsidiado. Na maioria dos casos, trata-se de modelos caros e de uso não comercial. Preço diferenciado na bomba é inexequível.

Aumento do IPVA, específico para esse tipo de veículo-utilização, pode ser alternativa. Outra solução: voltar ao que sempre foi, com SUVs só utilizando motor de ciclo Otto (gasolina ou flex).

Legislação de emissões para motores a diesel em picapes e SUVs é muito frouxa no Brasil: pega carona no uso em caminhões leves. Sem inspeção veicular pode se tornar um problema nas grandes cidades, cedo ou tarde.

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+ Citroën  C4  Cactus estreia em setembro, mas a marca já revelou visual externo quase igual ao francês, salvo rack de teto, rodas e vidros das portas traseiras (descem e não basculam, como no original). Na avaliação dos protótipos, por 250 km, o desempenho agradou. Mesmo motor 1,6-litro  turboflex do Peugeot 2008, mas com câmbio automático de seis marchas. Interior foi simplificado.

+ Outra antecipação: aventureiro Ka  FreeStyle chega ao mercado em julho. Bem formulado, sem exageros. Trata-se de versão completa: seis airbags, ESC e câmera de ré associada a sensores de obstáculos. Preços partem de R$ R$ 63.490, mais R$ 4.500 pelo câmbio automático convencional de seis marchas. Estreia também motor tricilindro de 1,5 litro e 136 cv.

+ Câmera-de-ré de série (quando equipado com multimídia), cinto de segurança de três pontos e encosto de cabeça para a posição central traseira são as principais novidades do Chevrolet Onix 2019, a partir de R$ 54.390 (automático, mais R$ 5.300). Carlos Zarlenga, presidente da GM Mercosul, afirmou que escalada do dólar impacta de forma brusca as contas da empresa.

+ Mini 2019 mudou faróis e estreou novo logotipo inspirado nos modelos dos anos 1990. Lanternas homenageiam bandeira britânica. Eletrônica geral e sistema de entretenimento tem boa evolução. Sistema start-stop do motor funciona agora orientado pelo GPS. Há novo câmbio automatizado de dupla embreagem e sete marchas nos Cooper. Preços: de R$ 119.990 a 179.990.

+ Aplicativos para telefone celular continuam a facilitar a vida de quem depende de prestação de serviços ligados ao uso do automóvel. A Sompo Seguros acaba de lançar um novo app específico para o processo de indenização de segurados, após ocorrência de sinistro. Constatação dos danos (com câmera do celular), análise e liquidação da ocorrência ficaram mais rápidos.