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Salão de Genebra

Salão de Genebra 2018 teve pelo menos cinco lançamentos ao Brasil

Fernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colaboração para o UOL, em Genebra (Suíça)

14/03/2018 04h00

Evento manteve charme de sempre em exposição enxuta e atraente

Tempestades fortes de neve, na semana anterior à abertura, parecem ter proporcionado um alento ao Salão de Genebra deste ano, que se encerra no próximo domingo (18). A exibição anual vem sofrendo forte retração de rentabilidade, a exemplo de outros salões, mas manteve seu charme de exposição enxuta e atraente. Esta edição está recheada com mais de 20 lançamentos mundiais de peso.

O frenesi elétrico continua como elemento importante em vários estandes, mas começa a perder fôlego. Alguns fabricantes -- BMW, Nissan, Renault e Tesla -- que se anteciparam nessa corrida tecnológica alcançaram, até agora, resultado financeiro bem aquém do imaginado. Jaguar, por exemplo, estreou seu primeiro elétrico, o SUV médio I-Pace baseado no F-Pace, mas tratou de terceirizar a produção para a austríaca Magna Steyr, sem prever volumes.

Nissan estreou o crossover elétrico IMx Kuro.

Volkswagen completou sua família conceitual I.D. de modelos elétricos com o Vizzion, previsto para entrar em linha em 2022. Será o modelo de topo da gama e graças à arquitetura enxuta típica, que pode oferecer relação espaço interno/externo bem superior à convencional. Também anunciou início de um serviço próprio de transporte compartilhado chamado MOIA.

A Renault revelou o EZ-GO, micro-ônibus autônomo conceitual, que igualmente entra nessa onda de mobilidade alternativa.

Ainda na vertente elétrica, Porsche mostra o Mission E Cross Turismo de linhas inspiradas no sedã-cupê Panamera e tração 4x4. Espera-se que versão definitiva não se renda à "síndrome dos penduricalhos", pois o exibido em Genebra recebeu apliques nos arcos de rodas.

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Entre os carros convencionais um dos destaques é a nova geração do Audi A6, de linhas equilibradas e atraentes. Mercedes-Benz não ficou para trás: um dos modelos que mais chama a atenção no evento é o sedã-cupê de quatro portas AMG  GT-R. Há, também, nova geração do Classe A e revitalização do Classe C, que é produzido em Iracemápolis (SP).

BMW reformulou o X4, suavizando as linhas traseiras -- o SUV tem montagem prevista em Araquari (SC) -- e apresentou, em estágio de pré-produção, o elegante M8 Grand Coupé.

Entre carros de grande volume que interessam ao mercado brasileiro, destaque para a segunda geração do C4 Cactus -- a Citroën ainda confirmou produção do modelo em Porto Real (RJ). Tem lançamento previsto para o terceiro trimestre deste ano e vidro nas portas traseiras sem o sistema basculante original.

Além dele o Ford Ka também apareceu, em espaço meio escondido, no estande da marca com retoques visuais também previstos para o modelo brasileiro, inclusive no interior -- escondido no evento que aconteceu no Brasil.

Denis Balibouse/Reuters
Conceito Vision X mostra nas linhas tchecas da Skoda como será o T-Cross, SUV compacto da Volks Imagem: Denis Balibouse/Reuters

Já o Skoda Vision, embora bem disfarçado principalmente em sua parte interna, antecipa como será o Volkswagen  T-Cross a ser produzido em São José dos Pinhais (PR), a partir de janeiro do próximo ano. Ambos usam arquitetura MQB e mesma distância entre eixos do Virtus.

Outros modelos novos em Genebra que deverão ser importados para o Brasil: quarta geração do Hyundai Santa Fe, que ganhou linhas mais rebuscadas; Peugeot 508, que demonstrou enriquecimento estilístico; e o Lexus UX, evolução em formato de SUV do CT200  Hybrid.

O Salão ainda reserva bom espaço para supercarros. A desconhecida Corbellati promete lançar um cupê de 1.800 cv que seria o de maior potência do mercado, sem revelar pormenores. Se vai vingar, é outra história..

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Roda Viva

Alta Roda
Imagem: Alta Roda

+ Velocidade de mudanças na mobilidade faz surgir previsões surpreendentes. Hoje, Apple é a empresa de maior valor de mercado no mundo, com cerca de US$ 900 bilhões. Porém, diversificação dos grupos automobilísticos e seu crescimento na área de serviços podem mudar isso de 10 a 15 anos. Essa é a estimativa de Herbert  Diess, da Volks, em entrevista à AN.

+ Renault inaugurou nova ala na fábrica no Paraná, para injeção de alumínio em componentes do motor 1.6 SCe, presente em 60% das unidades produzidas no local. Encerra final do ciclo de R$ 3 bilhões investidos. Novos aportes só serão definidos após revelação do programa Rota 2030. "Sem visão de futuro, não dá para saber onde e em que investir", diz a empresa.

+ Novo SUV da Jaguar, E-Pace estreia no Brasil como modelo de entrada da marca. Tem motores 2.0 turbo de 250 cv e 300 cv, da recente série Ingenium de projeto próprio (antes eram da Ford). Seu comportamento, na avaliação de pista, é de grande agilidade, pois tem apenas 1,65 m de altura e posição ao volante próxima a de um carro mais baixo. De R$ 222.300 a 278.080.

+ Ânimo da Nissan para importar segunda geração do elétrico Leaf -- bem melhor que a primeira e com o dobro de autonomia (300 km) -- veio de pesquisa encomendada por ela mesma. Até 80% dos compradores do nosso continente aceitariam a alternativa. Problema, como sempre, é preço em patamar desanimador.

+ Volkswagen Passat, agora, é importado em versão única, com um só opcional: teto solar. Custa R$ 164.620 e vem recheado de equipamentos (como os dois bancos elétricos dianteiros e o quadro de instrumentos digital configurável). Tem amplo espaço interno, ótimo porta-malas e motor 2.0 turbo de 220 cv. Compete em segmento de grande oferta e compradores exigentes.

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