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Fiat Cronos tem dura missão: achar seu espaço no forte mercado de sedãs

Leonardo Felix/UOL
Fiat Cronos Drive 1.3 manual Imagem: Leonardo Felix/UOL
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Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Fernando Calmon

Colaboração para o UOL

28/02/2018 13h46

Três-volumes derivado do Argo chega com boas qualidades, porém enfrentando forte concorrência, inclusive interna

Estreia do Fiat Cronos, derivação de três volumes do Argo, é um bom exemplo do grau de sofisticação da oferta de produtos no mercado brasileiro. Os sedãs compactos, onde se enquadra o novo modelo, representam 15% das vendas totais, praticamente a mesma importância de todos SUV somados que, no ano passado, alcançaram 16%.

Só entre os produzidos no Mercosul há 13 opções com entre-eixos curto (abaixo de 2,50 metros, caso do Ford Fiesta Sedan), médio (entre 2,50 e 2,60 m, como o Cronos) e longo (acima de 2,60 m, tal qual o Volkswagen Virtus). Novas opções continuarão a chegar, a exemplo do Toyota Yaris sedã, no final do ano. Portanto, as comparações apontam certa complexidade.

Outra vez há conflitos dentro da gama Fiat. O Grand  Siena, por exemplo, teve preço rebaixado para menos de R$ 50 mil, o que atrapalha o Cronos, mas deve ter vida curta. Por outro lado, uma das versões do novo automóvel é mais barata que o Argo. Para tornar a vida do novato mais dura, a Precision (de topo) passa de R$ 82 mil, incluídos opcionais, sem chance de enfrentar Virtus ou Honda City.

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As armas do Cronos

O Cronos, em particular, se diferencia da sua versão hatch pela parte frontal exclusiva. Embora Renault Sandero e Logan também sigam esse caminho, o resultado estético ficou bem harmonioso. A traseira é o seu ângulo mais bonito.

Há bom espaço no porta-malas (525 litros), além de ótimo vão e grande ângulo de abertura da tampa. Porém, as dobradiças longas podem amassar a bagagem, dificuldade recorrente em sedãs menores, embora o Virtus tenha solucionado, em parte, o problema. Molas a gás resolveriam, a custo maior.

Espaço interno ficou compatível com o líder do segmento, o Prisma. Destaque para pernas e cabeças no banco traseiro. Perde, no entanto, para Nissan Versa e Virtus, em especial. 

Painel apresenta desenho moderno, três saídas de ar centrais, mas sistema multimídia, embora fácil de operar e bem localizado, não fica embutido no painel como em alguns concorrentes. Bancos firmam bem o corpo. Pedais provocam interferência com o console de assoalho.

Dois motores estão disponíveis: 1,35 litro de 109 cv e 1,75 litro de 139 cv, ambos flex e com potência máxima alcançada usando etanol. O primeiro se destaca por baixo consumo de combustível e pode vir com caixa automatizada de uma embreagem. Como o Cronos pesa apenas mais 10 kg que o Argo, desempenho é razoável. O segundo, além de câmbio manual, oferece um automático convencional de seis marchas e mostra agilidade, mas consumo deixa a desejar.

Calibragem fina das suspensões é ponto alto do carro, mesmo ao utilizar a opção de rodas de 17 polegadas de diâmetro. A FCA utiliza, em Betim (MG), um simulador de última geração -- que chama de banco elastocinemático -- para ajudar no acerto de dirigibilidade, máquina única no hemisfério sul. Na Itália, só a Ferrari possui o mesmo equipamento.

O carro é bem equipado, inclusive opção de câmera de ré com linhas de trajetória, em geral existentes em modelos maiores e mais caros. Controle de estabilidade só não está presente nas duas versões mais baratas, ambas com motor 1.3 e câmbio manual.

Airbags laterais são opcionais por R$ 2.600 e só podem ser acrescidas às versões com o motor mais potente. No total há cinco versões, três delas com motor de menor cilindrada que devem responder por dois terços das vendas. Preços básicos variam de R$ 53.990 a 82.330.

Veja como anda o Cronos Precision 1.8 AT

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Imagem: Alta Roda

+Salão de Genebra, de 8 a 18 de março, mostrará o equivalente ao VW T-Cross, no caso o SUV Skoda Vision X Concept, de mesma distância entre eixos do Virtus. Linhas terão alguns disfarces e versão definitiva estreia em outubro, no Salão de Paris, enquanto o T-Cross estará no Salão de São Paulo, em novembro. Já o Tiguan, importado do México em breve, terá versões de sete e também (a Coluna antecipa) de cinco lugares.

+Investimento da GM em São Caetano do Sul (SP), sua unidade industrial mais antiga no Brasil, chama atenção em um momento de grande ociosidade da indústria automobilística. País pode fabricar até 5,5 milhões de veículos/ano, mas, em 2018, no máximo, 3,1 milhões. Com a ampliação, capacidade da GM subirá de 250.000 para 330.000 mil/ano.

+Volkswagen Amarok V6  diesel transformou a picape média da VW em um veículo mais rápido que a maioria dos automóveis comuns. Afinal, são 225 cv, 56,1 kgfm e aceleração de 0 a 100 km/h em 8 s. Como desloca uma massa, em ordem de marcha, perto de 2,2 toneladas, precisa de moderação ao acelerar. Preço ajuda a pensar: R$ 184.990.

+Constatação interessante: fabricantes japoneses têm infraestrutura e tecnologia de sobra para investir em carros autônomos e trabalham nisso com afinco. Entretanto, no seu mercado interno o tema parece empolgar pouco os motoristas. Na pesquisa publicada na Coluna da semana passada, Japão nem aparece entre os 20 países mais “ansiosos”.

+Avanço de carros elétricos nos EUA será bastante lento. Segundo Mike Jackson, presidente da AutoNation, maior rede de concessionárias do país, eles responderão por algo entre 15% e 20% das vendas totais em 2030. Participação muito inferior ao projetado (sem confirmação...) na Europa. Jackson costuma acertar previsões por ouvir de perto os compradores.