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Fernando Calmon

Volkswagen dá preços coerentes ao Virtus, sedã bem equilibrado e espaçoso

Fernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colaboração para o UOL, em São Paulo (SP)

01/02/2018 04h00

Modelo poderia ter desenho dianteiro diferente se comparado ao Polo, mas compromisso com o preço final falou mais alto

Ofertas estão cada vez mais sofisticadas no mercado brasileiro. A chegada do Volkswagen Virtus, como legítimo representante da nova leva de sedãs compactos "anabolizados" (inclui em fevereiro Fiat Cronos e, mais para frente, Toyota Yaris sedã), é prova disso.

O novo modelo da marca alemã é o que mais oferece espaço interno, em especial no banco traseiro. Suas dimensões internas e externas estão bem próximas às do atual Jetta, um médio que só será substituído no final do ano pelo modelo 2019 (apresentado no Salão de Detroit), maior que o atual.

Essa coluna não tem por hábito começar a analisar um produto pelo preço. Costuma ser ponto sensível e fator determinante para muitos compradores. No entanto, a Volkswagen mostrou certa coerência no posicionamento estratégico entre seus dois produtos inteiramente novos. As versões de entrada, intermediária e de topo do Polo vão de R$ 50 mil a R$ 70 mil -- o Virtus foi colocado entre R$ 60 mil e R$ 80 mil.

Não por coincidência, o sedã Honda City fica nessa mesma faixa de preço -- entre R$ 61 mil e R$ 81 mil -- e convive com o médio Civic. Portanto, há oportunidades para todos.

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Motores diferentes

Uma das explicações para as variações de preços está na motorização. O Virtus tem versão de entrada com motor de 1,6 litro aspirado de 117 cv (etanol) que se enquadra em faixa de IPI maior (mais 4 pontos percentuais). As outras duas agregam o motor turbo de 1 litro, 128 cv (etanol), que no uso diário se comportam como um 2-litros aspirado. O torque de 20,4 kgfm aparece logo a apenas 2.000 rpm e faz grande diferença na dirigibilidade, principalmente na economia de combustível.

A Volks ainda aproveitou para colocar a versão intermediária como sua “peça de resistência”, além do que já representa em geral no mercado.

O Virtus, como o Polo, destaca-se por agregar tecnologias sofisticadas a exemplo do quadro de instrumentos digital, manual do proprietário interativo e, acima de tudo, grau máximo em termos de segurança passiva (também recebeu cinco estrelas no teste do Latin NCAP e laurel extra por proteção ao pedestre em caso de acidente). 

Evidente que isso se reflete em custos maiores e simplificações foram feitas: materiais de acabamento pobres, ausência de alças no teto, descuidos no revestimento do porta-malas (que tem ótimos 521 litros) são alguns exemplos.

Avaliação: como anda o Volkswagen Virtus, sedã derivado do Polo

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Por outro lado, há pormenores de certa sofisticação nesse segmento -- apoio de braço central com regulagem longitudinal e saídas de climatização para o banco traseiro -- convivendo (mal) com tampa de porta-luvas sem abertura amortecida. Molas a gás estão ausentes na tampa do porta-malas, mas há braços de articulação sem interferência com a bagagem.

O Virtus também se destaca pelo estilo equilibrado e menos conservador, embora a parte dianteira seja idêntica à do Polo, solução de compromisso com o preço final. Seria desejável certa diferenciação. 

Por fim, além das conspícuas vantagens de espaço interno, novas tecnologias e do modo como freia, acelera e faz curvas, volta a questão do preço. A fábrica decidiu compensar ao diminuir custos de manutenção e também de reparos, mais baratos, em caso de pequenas colisões no bem reconhecido critério do Cesvi.

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Roda viva

Alta Roda
Imagem: Alta Roda
+ Toyota, ao completar 60 anos de instalação no País, passa a operar em três turnos pela primeira vez. É para produzir em Sorocaba (SP) o Yaris, a partir de junho, com lançamento em agosto da versão hatch (sedã, no final do ano). Marca japonesa tem perdido um pouco de participação de mercado por evitar os três turnos. Agora está segura da reação.

+ Linha de SUVs da BMW continuará a avançar na preferência dos clientes da marca alemã no Brasil. Com a chegada do X2, no segundo trimestre, e do X7 na virada do ano, deve aumentar para 60% a participação nas vendas. Empresa produzirá o novo X3 em Araquari (SC), onde já aplicou R$ 1 bilhão. Dependendo do programa Rota 2030, X2 também será nacionalizado.

+ Especialistas nos EUA acham que as baterias não são solução definitiva para carros elétricos por várias razões, sempre comentadas neste espaço. Há inclinação para admitir pilhas a hidrogênio como alternativa mais viável por resolver o problema de autonomia. Infraestrutura, embora também cara, encontraria muitos interessados em investir.

+ "Ousar mais" é nova ordem para a Peugeot. Vai dobrar para 500 unidades por mês a importação do 3008 e assim atender toda a demanda por este SUV moderno, de harmonia incomum entre interior e exterior. Para tal acrescentou versão Griffe Pack por R$ 154.990 (R$ 9.000 extras). Vêm com rodas de aro 19, novos recursos de segurança e nível 2 de condução autônoma.

+ Custos de produção no México são cerca de 20% menores que os do Brasil -- principal fator para o avanço da indústria mexicana na classificação dos maiores produtores de veículos do mundo, além da proximidade com EUA e Canadá. Segundo Alberto Torrijos, da consultoria Delloite, México produzirá cinco milhões de veículos em 2020 e será o quinto colocado global.