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Fim da crise: marcas ampliam investimento para vender mais carros em 2018

Luke MacGregor/Reuters
Imagem: Luke MacGregor/Reuters
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Alta RodaFernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colaboração para o UOL, em São Paulo (SP)

12/10/2017 04h00Atualizada em 13/10/2017 11h48

A recuperação chegou e se consolidará em 2018. Essa foi a tônica da maioria dos palestrantes no "Congresso Autodata Perspectivas 2018", realizado no começo da semana em São Paulo (SP). As razões derivam da mudança de humor e de confiança -- para melhor -- tanto por parte dos consumidores como dos empresários. E é respaldada pelo aumento do volume de crédito, queda dos juros (ainda lenta no caso do financiamento de automóveis), diminuição da inadimplência (no caso há apenas uma tendência ainda não muito firme, segundo as projeções da Ford) e recuperação paulatina do nível de emprego.

Coube ao novo presidente da Volkswagen, o argentino Pablo Di Si, divulgar uma projeção mais ousada não apenas para 2018 e sim para os próximos quatro anos. Em sua opinião, estão dadas as condições econômicas para um crescimento acumulado de 40% até 2021, considerando também a baixa base comparativa atual. Para tanto o mercado interno de veículos deveria crescer uma média de 8,8% ao ano e voltar a romper a barreira de 3 milhões de unidades anuais.

Durante o evento, Di Si liberou uma foto provocativa do sedã Volkswagen Virtus e anunciou lançamento em janeiro, algo raro de acontecer em eventos assim.

Outro argentino, Carlos Zarlenga, presidente da GM Mercosul, também previu recuperação entre 8% e 10% nos próximos quatro anos. A empresa anunciou mais uma rodada de investimento na região, dessa vez no país vizinho, com a produção de uma nova plataforma global que vai gerar um produto diferente do Equinox (mais barato) a partir de 2020.

O executivo defende a unificação das normas de segurança, emissões e combustíveis de Brasil e Argentina.

Leonardo Benassatto /Reuters
Di Si, novo chefão da VW do Brasil, garantiu lançamento do Virtus em janeiro Imagem: Leonardo Benassatto /Reuters

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Compactos caem, SUVs sobem ainda mais

Rogelio Golfarb, vice-presidente da Ford, apontou a queda substancial na venda de compactos e subcompactos nos últimos três anos como o aspecto mais impactante nos resultados das empresas e no nível de emprego do setor de veículos. Por outro lado, venda direta a frotistas tornou-se realidade de mercado e continuará a dar suporte ao avanço dos próximos anos.

O português Miguel Fonseca, vice-presidente da Toyota, chamou a atenção do rápido crescimento dos SUVs, que respondem hoje por 15% das vendas de veículos leves e continuará a subir na preferência dos consumidores.

Fonseca acredita, no entanto, que o percentual de participação crescerá mais lentamente porque os compactos estão se recuperando e são mais baratos. Prevê um salto de 11% do mercado interno em 2018.

Ele concorda que os carros puramente elétricos ainda vão demorar muito para se universalizar e a opção híbrida é mais racional.

Ponto de consenso no congresso foi sobre o programa "Rota 2030". O anúncio está atrasado, mas sairá antes do fim do ano. Trará previsibilidade, visão de longo prazo e flexibilidade para se adaptar ao que acontece no mundo.

Chega no momento em que o grande acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia deve sair do papel, depois de mais de uma década de negociações. Levará a uma convergência tecnológica dos veículos com foco na competitividade real, sem subsídios ou barreiras protecionistas expressivas.

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Imagem: Alta Roda
+ Trajetória de recuperação da indústria automobilística segue firme. Maior nível do ano foi atingido em setembro: vendidas 9.960 unidades diárias (veículos leves e pesados). Acumulado janeiro-setembro está 7,4% acima do mesmo período de 2016 e o nível de estoque total de 34 dias é normal. Segundo a Fenabrave, bancos começam a aprovar mais crédito ao consumidor.

+ Exportações continuam a bater recordes históricos (56% de aumento) e, assim, alavancam a produção, que cresceu 39% sobre o ano passado. Esse conjunto de bons resultados implicou redução de 90% do número de funcionários afastados provisoriamente do trabalho. Apenas o setor de caminhões e ônibus ainda mantém números negativos (menos 9% em 2017).

+ Bom pacote de itens de série oferece a versão Pulse Plus do Hyundai Creta. Motor de 1,6 litro e câmbio automático de 6 marchas formam um conjunto competente. Central de multimídia (compatível com Android/Waze) tem tela de 7 polegadas mas sujeita a reflexos. Faz falta freio de imobilização automática, que é bastante útil em uso no para-e-anda do trânsito.

+ Ipiranga igualou-se à Petrobrás ao lançar gasolina premium de maior octanagem. Chamada de Octapro tem octanagem 102 RON, um dos maiores do mundo como combustível comercial. Indicada para garantir potência nominal em motores de altíssimo desempenho. É um mercado minúsculo: apenas 2% do volume total da venda de gasolina.

+ Recente pesquisa da BB Mapfre, em São Paulo, demonstra que segurados entre 27 e 36 anos lideraram a estatística de acidentes, com 30%. Depois estão os condutores de 37 a 46 anos, detendo 25% dos números, e de 47 a 56 anos, com 16%. Surpresa: os mais jovens, de até 26 anos, respondem por 15% dos registros. Não são, portanto, o maior grupo de risco.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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